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O pré-natal na APS é porta de entrada preferencial do SUS, atribuindo-lhe o papel central na vigilância, promoção à saúde e prevenção de doenças, assegurando bem-estar e diminuição dos riscos da gestante e do feto durante a gestação e até mesmo no pós-parto. Para que isso seja concretizado, a APS dispõe de diversos recursos, sendo eles: solicitações de exames laboratoriais para acompanhar o estado clínico da gestante; ações socioeducativas como grupos somente de gestante, tratando-se do espaço onde as pacientes podem tirar suas dúvidas; e consultas pré-natais periódicas, que podem ser regidas pelo médico ou enfermeiro. As consultas pré-natais têm como objetivo acolher as gestantes, para que possa se formar um vínculo com a unidade de referência e acompanhar a evolução da gestação, garantindo a continuidade do cuidado materno fetal. A estratégia da Estratificação de Risco Gestacional constitui uma ferramenta essencial para a organização e qualificação do cuidado no âmbito da APS. É de suma importância um olhar mais criterioso para identificação precoce de eventuais comorbidades em pacientes. Assim, compreender e aplicar corretamente a Estratificação de Risco é fundamental para diminuir os riscos de morbimortalidade materna e perinatal. Diante o exposto, surgem questões sobre a aplicabilidade correta da Estratificação de Risco Gestacional e de que maneira o resultado é conduzido após análise de dados coletados em anamnese realizada em consultas pré-natais.
Analisar a aplicabilidade da estratificação de risco gestacional, enquanto diretriz prevista nas políticas públicas de saúde especialmente no âmbito da APS e nos protocolos de atenção ao pré-natal de baixo e alto risco. Objetiva-se, também, avaliar o nível de conhecimento, preparo e atuação dos profissionais da APS em sua aplicação prática, bem como a utilização sistemática dos critérios de risco no encaminhamento adequado das gestantes aos variados níveis de atenção, inclusive para melhoria dos indicadores de saúde materno infantil. Investigar possíveis fragilidades e impactos existentes na implementação da estratificação de risco gestacional na organização de cuidados pré-natais, considerando aspectos estruturais, operacionais, gerenciais e relacionados à equipe multidisciplinar. Visa a detecção precoce de agravos maternos e fetais, desde a execução do formulário até a anamnese coletada, para assim, compreendermos a necessidade para melhorias.
O presente estudo refere-se a uma pesquisa qualitativa e descritiva, realizada em uma ESF, de um município situado no interior do estado de São Paulo, no 2º semestre de 2025. Foram participantes deste estudo, 6 gestantes que procuraram atendimento na USF, para acompanhamento pré-natal, sendo regido pela enfermeira responsável, sem restrição de trimestre gestacional, variando do primeiro ao terceiro trimestre, respeitando a ética e privacidade das mesmas. Este número de participantes foi limitado devido a demanda da Unidade de referência. Conduziu-se a coleta de dados por meio de entrevistas não estruturadas, sendo abordadas dentro da própria Unidade de Saúde da Família (USF), durante a anamnese, em consulta pré-natal de rotina previamente agendadas. Para a análise dos dados foram utilizadas referências bibliográficas, bem como manuais técnicos e normativas do Sistema Único de Saúde (SUS) e ficha de Estratificação de Risco Gestacional, aplicados durante a consultas, que representam sistema operacional da Atenção Primária à Saúde (APS). Referidos dados coletados foram analisados almejando identificar convergências, divergências, brechas sobre o processo de Estratificação de Risco Gestacional. A análise permitiu organizar os resultados em eixos conceituais, tais como: identificação precoce do risco, papel da equipe multidisciplinar, fluxos de encaminhamento, importância do pré-natal de risco habitual e compartilhado, além dos demais desafios enfrentados na APS.
Após análise de dados, associada as revisões bibliográficas e leitura de documentos oficiais, nos foi permitido identificar que a Estratificação de Risco Gestacional na Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel primordial na organização do cuidado pré-natal, bem como na prevenção de desfechos maternos e perinatais adversos. Destaca-se que embora o país disponha de protocolos estruturados no Sistema Único de Saúde (SUS), a efetividade depende da aplicação correta, sendo necessário padronizar instrumentos de análise, além de capacitar os profissionais responsáveis pela aplicação. Observa-se que a Estratificação de Risco Gestacional bem executada favorece o fortalecimento entre gestante e equipe de saúde, aumentando a confiabilidade dos serviços prestados, a adesão do pré-natal e melhorando a vigilância de agravos de saúde, tais como: hipertensão gestacional, diabetes gestacional, síndromes hemorrágicas e infecções. Com efeito, permite que as gestantes de baixo risco recebam acompanhamento contínuo e as demais classificadas como intermediário e alto risco, sejam encaminhadas ao especialista associado a APS, garantindo maior distribuição do uso de recursos disponíveis pelo SUS. Além disso, evidencia-se que a Estratificação de Risco Gestacional pode ser aplicada em qualquer trimestre gestacional, sendo necessária, por vezes, ser reavaliada após episódios de agravos ou alterações em exames durante toda a gestação, garantindo a integridade materno fetal.
Ao identificar precocemente fatores que podem comprometer a saúde da gestante e/ou do recém-nascido, permite a APS, direcionar recursos, definindo fluxos de referência e garantindo cuidado integral e proporcional às necessidades dos indivíduos. A padronização de instrumentos, bem como os protocolos nacionais, uniformiza os registros fortalecendo a integração do cuidado, independentemente de onde a gestante estiver. Contudo, nota-se fragilidades na aplicação e encaminhamentos, fazendo-se necessária a ampliação da capacitação de profissionais. Por fim, constatou-se que a Estratificação de Risco Gestacional contribui diretamente na redução da morbimortalidade materna e neonatal. Sendo assim, assegurar atendimento adequado para gestantes de baixo, intermediário e alto risco é fortalecer a formação da equipe, estabelecer o fluxo assistencial e qualificar sistema de registro. Conclui-se que a ERG contribui diretamente para a morbimortalidade materno infantil. Contudo, os resultados apontam a necessidade de padronização dos processos e ampliação da educação permanente para capacitar os profissionais.
Gestante, Acompanhamento, Pré-Natal.
THAIZA DA SILVA MOURA, GABRIELLE DUTRA ZIMINIANI, LARISSA PARENTE BERTIN DE AMORIM