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O presente relato trata-se do olhar ampliado quanto às vulnerabilidades sociais e interfaces dentro da saúde quanto Atenção Primária, relacionando como ocorre o olhar sobre a pessoa com deficiência que se localiza em estado de vulnerabilidade e múltiplas violências no ambiente familiar no qual está inserida, no qual provém dos principais responsáveis. Assim, a busca da unidade básica em saúde na compreensão do que o serviço especializado pode fornecer dentro deste olhar estigmatizado. O viés deste relato de experiência é o atendimento à mulher com deficiência intelectual a qual perpassa por múltiplas vulnerabilidades como violência familiar e dificuldades de acesso aos serviços de saúde, dentro do contexto da Atenção Primária. Validar a importância do acompanhamento contínuo e da integração de serviços, respeitando os princípios do Sistema Único de Saúde, como a universalidade, equidade e integralidade.
O seguinte relato de experiência traz a reflexão dos cuidados dentro acompanhamento da paciente, que após a morte da mãe adotiva foi deixada pelo período curto na casa do irmão afetivo e sendo entregue a mãe biológica, a qual interroga a unidade básica no que pode ser feito com a filha que apresenta comportamentos inadequados, constantes mudanças de humor e prejuízos cognitivos graves, que previamente antes do diagnóstico já estava em situação de vulnerabilidade, assim articulações são elaboradas para que modelo de cuidado não seja apenas focado na saúde assistencial, ampliando para a equipe multiprofissional e os serviços especializados. Embora as articulações sejam necessárias, analisa que as mudanças interferem no processo de cuidado, no qual resultou violência física por parte da mãe biológica, removendo a usuária da residência e sendo levada novamente para os cuidados da família afetiva, a unidade levanta como problema a permanência dos ciclos de violência.
Mediante ao exposto, a dificuldade de articulação em rede surge quando o afastamento dos cuidadores principais ocorre de forma com que a mesma deixa de acessar aos serviços que lhe é ofertado, assim a superlotação de demandas em que os serviços apresentam. Pensa-se que neste caso a necessidade primordial que seja articulado com Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e Programa de Acompanhamento da Pessoa com Deficiência (APD), focado nos cuidados efetivos a ser elaborados dentro do espectro de habilitação, reabilitação e acompanhamento em linha de saúde mental.
O caminho para intersetorialidade ocorre quando a junção de avaliação de cada serviço é alinhada desta forma realizando o Projeto Terapêutico Singular do paciente, porém as propostas ocorrem sob o olhar ampliado e múltiplo para o fortalecimento de autonomia, segurança, e quebra de ciclos em violência seja efetuado. Ao falarmos da pessoa com deficiência precisamos abrir um leque e compreender que cada caso apresenta múltiplas facetas desde a paciente com vínculo até mesmo o cuidador também está no processo de adoecimento devido a sobrecarga de funções e solicitações que pode lhe ocorrer, assim a unidade básica fica a cargo de manter o acompanhamento familiar em dia e sob todas as demandas manter garantia de acesso à saúde, dentro dos princípios do Sistema Único de Saúde: universalidade, equidade e integralidade. Figueiredo e Campos (2009) aponta o matriciamento entre as equipes da unidade básica e especializada, seja vista como “um suporte técnico especializado que é ofertado a uma equipe interdisciplinar em saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações”. O cuidado com a saúde mental perpassa na angústia de enxergar eixo da estranheza e partir da busca do sujeito sobre si.
Portanto, consideramos o seguinte relato dentro do âmbito da vulnerabilidade a partir do momento em que observamos não apenas o diagnóstico primário da usuária e sim como por meio de tantas razões ela encontra-se deslocada no sentido de si mesma. Não podemos retirar do outro a sua história, mas como rede de saúde intersetorial podemos minimamente através do apoio matricial garantir os cuidados integrais ao sujeito, que tanto lhe refere dor e ausência de afetos. Dentre tantas articulações que são essenciais a este cuidado, ainda sim nos encontramos quanto unidade básica como o eixo de relação entre os serviços especializados, isto através do vínculo longitudinal que acomete esta relação terapêutica formada mesmo em meio a quebrar de ciclos viciosos em que engloba a violência, o adoecimento em saúde mental e ausência de autonomia às pessoas com deficiência intelectual. Assim, compreendemos então que o bom vínculo entre os serviços é essencial para a sustentação da linha de cuidado adaptada ao usuário.
Atenção básica, vulnerabilidades, rede de cuidado
GABRIELLE CAROLINA RIBEIRO FERREIRA