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A Atenção Básica (AB) é considerada a porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Atualmente, encontra-se em ascensão a assistência integral e multiprofissional neste pilar sanitário, uma vez que a saúde deve ser promovida de forma a proporcionar uma assistência biopsicossocial ao usuário. Portanto, a construção de um olhar ampliado, reforçando a integralidade do cuidado, necessita estar presente diariamente na nossa atuação. (FONSECA et al., 2016) A prática de atividades físicas, principalmente em grupo, torna-se um grande aliado à saúde pública, pois desempenha um papel fundamental na melhora das incapacidades, funcionalidade e qualidade de vida. Protege o indivíduo de doenças crônicas, não transmissíveis e degenerativas, além de contribuir para a homeostase do organismo, e de influenciar positivamente na saúde mental, elevando a autoestima, reduzindo a ansiedade, o estresse e estimulando a socialização, bem como a longevidade. (FERNANDES et al., 2022) Mensurar a qualidade do nosso serviço, a experiência do cliente e a influência que o nosso trabalho exerce no dia a dia dos usuários, pode ser crucial para manter ou desenvolver estratégias em equipe, visando atingir metas e objetivos que foram propostos, influenciando diretamente no tratamento, manutenção e na qualidade de vida dos usuários.
O presente trabalho visa estimular e corroborar com a construção de uma população funcional, ativa e saudável, através da prática de atividade física em grupo nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), por meio dos relatos de experiências. Além disso, objetiva-se demonstrar a relevância do trabalho em equipe e da atuação multiprofissional na promoção de saúde, manutenção e redução de agravos oriundos de doenças crônicas.
Trata-se de um estudo baseado em relatos de experiências dos usuários da AB, em grupos de Exercícios Físicos (EF), realizados por um fisioterapeuta, no município de São Paulo. Os grupos envolveram alongamento muscular, fortalecimento, treino de mobilidade, equilíbrio e propriocepção, sendo realizados uma vez por semana, no período de julho (2024) a janeiro (2025), em um espaço parceiro da unidade. Como principais recursos, utilizamos a atividade física, o diálogo, o convívio social e o feedback entre paciente e terapeuta. Este grupo foi criado para promover saúde e estimular os cidadãos a adesão à prática de EF, sendo de livre acesso à população, recebendo todos aqueles que desejam melhorar sua condição física, mental e social, independentemente de estereótipos. Considerou-se 20 usuários, em sua maioria mulheres, com idade entre 36 e 67 anos. Todos os participantes concordaram em participar desta pesquisa e estiveram de acordo com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Na coleta de dados, os pacientes contaram a experiência de participar de EF em grupo, selecionaram o quanto os EF auxiliaram na melhora da sintomatologia apresentada, o quanto se sentiram bem nos aspectos biopsicossociais e o quanto eles recomendariam o grupo para familiares e conhecidos. Esta pesquisa obedeceu às diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos, formuladas pelo Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde (resolução 466 em 2012, Brasil).
Todos os participantes obtiveram melhora da sintomatologia álgica de forma parcial (12) e total (08). Nenhum dos entrevistados relatou não ter melhorado com EF. “O grupo está sendo muito útil. Obtive melhora até no sono. Me sinto com disposição e bem-estar, não só físico, mas emocional e psicológico.” (V.A.S., 57 anos). “Antes, era difícil até se levantar da cama. Agora, estou bem melhor. As dores estão melhorando.” (C.I.P.M., 59 anos). Eu não tinha conhecimento de como melhorar a minha dor. Após participar dos EF, aprendi a reverter e prevenir as dores. Consigo fazer as atividades do dia a dia sem usar medicação. (J.L.S., 38 anos). Está sendo muito bom para mim. Temos muitos benefícios (socialização, autoestima e o humor). Eu tinha dores todos os dias. Ficava preocupada, sem saber o que fazer. Os remédios não resolviam, um ponto negativo para a minha autoestima. Quando os exercícios surgiram no posto de saúde, foi uma maravilha. As minhas dores diminuíram e não preciso tomar medicação. Estou bem feliz e espero que continue. (I.O.B., 55 anos). Além das respostas obtidas, criamos uma caixa de diálogo para receber sugestões de melhorias. As mais recorrentes foram: contratar outro profissional para auxiliar a grande demanda, obter um espaço maior e apropriado para dias chuvosos e aumentar a quantidade de realização dos exercícios durante a semana.
Identificar o perfil dos usuários, as principais queixas e as possíveis melhorias são cruciais para construir um futuro saudável, ativo e de qualidade. Estas estratégias auxiliam a equipe de saúde na tomada de decisão, aproxima os pacientes dos profissionais e colabora com a vida e autonomia dos nossos clientes. Trabalhar em equipe é dedicar-se em prol de um objetivo comum. Educar nossos pacientes, estimulá-los a mudar hábitos simples, reconhecer e atender a demanda apresentada com respeito, atenção e empatia são as grandes chaves para o sucesso no tratamento da nossa população. O EF é mais do que tratar alguma disfunção física, é transformar a vida do usuário num modelo biopsicossocial, agindo na melhora física, emocional, psicológica e social. A experiência que vivenciamos com este grupo maximizou o nosso contato com os usuários, auxiliou no tratamento de disfunções, ajudou no processo de educação em saúde com o objetivo de obter resultados satisfatórios, e nos possibilitou oportunizar o espaço para desenvolver novos projetos em equipe. Portanto, faz-se necessário aprimorar cada vez mais o nosso trabalho, de modo a estar em constante evolução, visando o bem-estar global da nossa população.
atividade, física, biopsicossocial
ANA KAROLYNY CARDOSO DOS SANTOS