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O cuidado à pessoa idosa em serviços especializados exige abordagens que ultrapassem o enfoque exclusivamente clínico, considerando aspectos emocionais, funcionais e sociais do envelhecimento. As Unidades de Referência à Saúde do Idoso (URSI) cumprem um papel central nesse cuidado, ao oferecer acompanhamento contínuo e atento às necessidades dessa população. Nesse cenário, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) têm se mostrado importantes aliadas no manejo de queixas frequentes entre pessoas idosas, como dores persistentes, ansiedade, alterações do humor e alterações do sono. A auriculoterapia, por ser uma prática simples, segura e bem aceita, passou a compor o cuidado ofertado aos idosos acompanhados pela URSI, contribuindo para ampliar as possibilidades de cuidado e fortalecer uma atenção mais integral, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
Relatar a experiência do atendimento em auriculoterapia no cuidado à pessoa idosa em uma Unidade de Referência à Saúde do Idoso, destacando suas contribuições para o alívio de sintomas, a promoção do bem-estar e a qualificação do cuidado ofertado no contexto da atenção especializada.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em uma Unidade de Referência à Saúde do Idoso do município de São Paulo. A auriculoterapia foi ofertada como cuidado complementar aos idosos atendidos na unidade, realizada por enfermeira com curso em Práticas Integrativas e Complementares, de forma integrada ao trabalho da equipe multiprofissional. Os atendimentos aconteceram de forma individual, a partir do acolhimento e da escuta das queixas trazidas pelos próprios idosos, como dor crônica, ansiedade, alterações no humor e dificuldades relacionadas ao sono. A escolha dos pontos auriculares foi feita de maneira individualizada, respeitando as necessidades de cada usuário. A prática esteve integrada ao acompanhamento realizado na URSI, favorecendo o vínculo, a continuidade do cuidado e a articulação com outros atendimentos do serviço.
A experiência com o atendimento em auriculoterapia mostrou-se muito bem aceita pela população idosa atendida na URSI, com boa adesão às sessões e interesse contínuo pela prática. Houve melhora subjetiva das dores musculoesqueléticas, maior qualidade do sono, redução de ansiedade e sensação de relaxamento e bem-estar após os atendimentos. Além dos efeitos percebidos nos sintomas, observou-se fortalecimento do vínculo entre usuários e equipe, ampliação dos espaços de escuta, maior participação dos idosos no próprio cuidado e maior adesão a outros atendimentos do serviço. Para a equipe multiprofissional, a auriculoterapia passou a ser reconhecida como um recurso importante no cuidado cotidiano, contribuindo para abordagens mais integrais e humanizadas.
A experiência do atendimento em auriculoterapia em uma Unidade de Referência à Saúde do Idoso mostrou que essa prática pode contribuir de forma significativa para o cuidado à pessoa idosa, especialmente no manejo de sintomas frequentes no envelhecimento. Trata-se de uma estratégia que dialoga com a proposta de cuidado integral, fortalece o vínculo terapêutico e amplia as possibilidades de cuidado não farmacológico no SUS. A vivência reforça a importância de manter e valorizar as Práticas Integrativas e Complementares nos serviços especializados, reconhecendo seu potencial para qualificar o cuidado, promover bem-estar e responder de forma mais sensível às necessidades da população idosa atendida na rede pública.
Auriculoterapia, Saúde do Idoso, Envelhecimento
LETÍCIA NORIKO ASSANO