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O presente artigo busca descrever e relatar o projeto de ação extramuros da Campanha do Setembro Amarelo do CAPS IJ de Araçatuba. Segundo a OMS (2017) metade das condições de saúde iniciam aos 14 anos, o que corresponde com a entrada no ensino médio, em todo o mundo a depressão é a principais causas de doenças e incapacidades entre os adolescentes, e o suicídio é terceira principal causa de morte entre os adolescentes de 15 a 19 anos. O CAPS IJ como equipamento presente na Rede de Atenção Psicossocial é caracterizado como serviço de portas abertas, mas também recebe encaminhamentos da rede, as escolas diante do sofrimento psíquico infanto-juvenil buscam encaminhar ao serviço, e diante dessa aproximação foi desenvolvido o projeto Sarau nas Escolas. Em ação articulada com saúde e educação, compreende-se o ambiente escolar como local fundamental para intervenção e prevenção através da campanha, com a realização do Sarau nas Escolas, buscou-se refletir a visão biomédica da identificação dos supostos fatores psiquiátricos de risco do suicídio, sem o questionamento das causas sociais atreladas a ideação suicida e comportamentos autolesivos.
O presente projeto foi desenvolvido para aproximar escola e equipamento de saúde mental infantojuvenil (CAPS IJ) com intuito de fortalecer a rede de cuidado e proteção; sensibilizar a respeito da valorização da vida, compreendo aspectos do desenvolvimento psicossocial infantojuvenil e agravamento do sofrimento psíquico; e promover protagonismo dos alunos através das apresentações culturais.
Após discussões em reuniões com membros das secretarias de Educação e Saúde, foi construída a intervenção em 4 escolas estaduais de Araçatuba-SP, os encontros tiveram duração de 90 minutos e caracterizados como “Sarau do Setembro Amarelo”. A intervenção tinha como roteiro: Apresentação do equipamento de saúde mental e os componentes de rede de apoio, após era realizada apresentação artística expressiva dos talentos da escola (canto, dança e declamação de poemas), buscando refletir sobre saúde mental, ao final era realizada fala sobre a campanha do setembro amarelo e aberto a discussões com os alunos sobre os estigmas dos cuidados em saúde mental.
Através das intervenções realizadas nas escolas, conseguimos mensurar o impacto e importância da ação através do conhecimento da existência do CAPS IJ, os alunos em sua maioria não conheciam o equipamento e como consequência sua finalidade. Alunos participaram ativamente das ações, promovendo autopercepção as questões do sofrimento mental e também percebendo possíveis necessidades de encaminhamento de seus familiares; promoção de autoestima e auxílio na expressão das emoções através das apresentações culturais realizadas pelos próprios alunos, diante do projeto foi atingido o objetivo de falar sobre prevenção em saúde mental, também a identificação das habilidades reforçando o bem estar; ao final das atividades os alunos procuraram a equipe para tirar dúvidas e sentiram-se confortáveis para falarem de seus sofrimentos psíquicos. Como consequência da ação, os familiares buscaram o acompanhamento nos diversos pontos da rede, CRAS, Clínicas Escolas, UBS e CAPS.
O intuito de trabalhar a temática diretamente com os alunos se deu para promover maior integração, envolvimento, autopercepção e desistigmatizar o suicídio. Essas ações obtiveram impacto e importância para aproximar os equipamentos de saúde mental dos seus usuários, sendo perceptível a importância das ações, principalmente no envolvimento dos pais na identificação do adoecimento psíquico e aproximação dos filhos. Precisamos saber trabalhar o tema na escola, não focar nas sintomatologias do suicídio ou com receitas para identificação de sintomas, é necessário realizar reflexão com seu público alvo, diante do que eles conhecem sobre a temática e a partir disso promover qualidade de vida integral como principal fator de prevenção, compreendo o carácter singular do adoecimento psíquico. Se faz necessário que existam mais ações desenvolvidas para essa temática, não somente no mês de setembro e sim também nos outros meses do ano, crítica essa enfatizada para maior envolvimento da rede para promoção de desenvolvimento e qualidade de vida dos usuários, sem ter como ator principal da ação a especialidade de saúde mental, sendo necessário trabalhar em conjunto aos diversos pontos da rede para maior alcance do território.
vida, cuidado, proteção e desistigmatizar
Welder Silva Gonçalves, Vanessa Martinelli Flores, André Luís Marques, Alessandra Maria Pedroso, Josiane Cristina de Souza, Letícia Silveira Souza, Paula Roberta Pedruci Leme, Carmem Sílvia Guariente