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A Atenção Primária à Saúde é a principal porta de entrada e via de acesso da população ao Sistema Único de Saúde no país (BRASIL, 2017). Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres eram as principais usuárias do SUS (IBGE, 2021; IBGE, 2019). Uma das etapas do ciclo vital feminino é o climatério que, segundo a Organização Mundial de Saúde, consiste em uma fase onde ocorre a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, com transformações biopsicossociais (BRASIL, 2008; OMS, 1996). O climatério tem início vai dos 40 anos e se estende aproximadamente até os 65 anos. A menopausa é seu grande marco e corresponde à última menstruação, após 12 meses sucessivos de amenorréia e acontece entre os 48 e 50 anos (SÃO PAULO, 2019). Dentre as formas de enfrentamento deste período, está proposto pelo Ministério da Saúde a prática regular de atividade física, sendo a dança uma delas (BRASIL, 2008). Considerando que a população brasileira é composta em sua maioria por mulheres, que são as principais usuárias do SUS, faz-se necessário pensar em ações de promoção de saúde, visto que, com o aumento da expectativa de vida, é importante ter um olhar para o climatério. Diante do exposto, questiona-se como a dança pode contribuir para a ressignificação social de mulheres que vivenciam o climatério. Este trabalho parte da hipótese de que a dança comunitária promove mudanças significativas na qualidade de vida, autoestima e bem-estar da mulher.
OBJETIVO GERAL Analisar os efeitos da dança comunitária sobre o processo de ressignificação social do climatério em mulheres. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ●Identificar o perfil sociodemográfico. ●Analisar a qualidade de vida e a autoestima das mulheres praticantes da dança comunitária. ●Analisar o impacto da prática de dança sobre o bem-estar da mulher durante o climatério.
Tratou-se de um estudo observacional analítico do tipo transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Cruzeiro do Sul sob o CAAE: 72472123.0.0000.8084. A amostragem foi do tipo aleatória não-probabilística, composta pela amostra de mulheres participantes do grupo de dança realizado por uma equipe multiprofissional em saúde da região de Cumbica do município de Guarulhos. O grupo de dança engloba ritmos variados, é aberto e tem encontros semanais com duração de uma hora. Foram incluídas mulheres que estivessem vivenciando o período de climatério, com mais de 35 anos, participantes do grupo durante o período de fevereiro a setembro de 2023. Foram excluídas as participantes que não tiveram interesse em participar. Após aprovação do CEP e selecionados os sujeitos, as participantes foram convidadas a colaborar com a pesquisa. Foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido contendo os esclarecimentos necessários para o conhecimento e confirmação da participação voluntária no estudo. Para a realização da coleta de dados foram utilizados os instrumentos: A.Questionário Sociodemográfico; B.Questionário “Dança Comunitária e Mulheres”, criado pelas pesquisadoras com base no conceito de escala Likert; C.Questionário Breve de Qualidade de Vida; D.Escala de Autoestima de Rosenberg. Os dados obtidos foram tabulados em planilha Excel e feita análise descritiva dos resultados expressos em valores médios e de frequência por meio de gráficos e tabelas.
Participaram desta pesquisa 17 mulheres que participavam ativamente do grupo.O perfil sociodemográfico deste estudo foi de mulheres, em sua maioria casadas e do lar, com ensino fundamental e médio, pardas e católicas e que residem com seus maridos e filhos. As mulheres possuíam uma boa percepção de saúde e uma satisfação com a saúde de regular a boa. Notou-se que as mulheres apresentaram uma boa condição física, psicológica e nas relações sociais, tendo um discreto declínio na dimensão “meio ambiente”, conforme gráfico 2. O domínio das Relações Sociais apresentou maior média. Já o domínio Psicológico, teve médias positivas nas questões sobre aproveitar a vida, a vida ter sentido e a capacidade de concentração das participantes. No domínio Físico, se consideram em boas condições de saúde,com autonomia e conseguem desempenhar suas atividades. No domínio do Meio Ambiente, observou-se um aspecto importante. A pergunta sobre a questão financeira teve a menor média. E outra pergunta de interesse foi a sobre oportunidades de lazer, em que as participantes responderam que o grupo era sua única atividade de lazer. No Questionário Dança Comunitária e Mulheres as médias foram positivas e as mais altas foram relacionadas a recomendar o grupo de dança para outras mulheres e a afirmativa que o grupo as ajudou com os sintomas do climatério. Na Escala de Rosenberg, os resultados apontaram que a maioria das participantes teve uma boa percepção geral sobre sua autoestima.
O climatério caracteriza-se como fenômeno biopsicossocial, em que ocorrem diversas mudanças na vida da mulher. A estratégia de grupo pode ser utilizada para ressignificar este momento, fato que coincide com os resultados encontrados. Foi possível identificar que o grupo de dança contribuiu para a melhora na qualidade de vida e autoestima das participantes, principalmente nas questões direcionadas ao sentido da vida, promoção de autonomia e construção de rede de apoio. As participantes do grupo sentiam-se acolhidas, confiantes e espontâneas ao fazer parte de uma atividade que proporciona a expressão de emoções. Além disso, apresentaram melhora nos sintomas físicos da menopausa e indicaram o grupo para outras pessoas. Destacou-se como o grupo de dança foi citado como única opção de lazer para estas mulheres, que em sua maioria são pardas, mães e moradoras de uma região vulnerável de Guarulhos. A pesquisa evidenciou a falta de investimento nessas regiões e em como a situação socioeconômica é fator que influencia na vivência do climatério. Portanto, a dança impactou positivamente na ressignificação social e promoveu qualidade de vida para essas mulheres.
Dança, Qualidade de vida, Resiliência Psicológica
SARA ABIGAIL TAVARES DO NASCIMENTO SILVA, Gabriela Ferreira Cuenca, Tayene da Silva Ramos, William Akira Lima Shimizu