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O SUS se constrói em níveis de atenção: primária, secundária e terciária. O presente trabalho é focado no primeiro nível de atenção, que fundamenta-se na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) que propõe ações de promoção e proteção da saúde, individuais e coletivas de forma integral, que afete na autonomia das pessoas, tendo em vista seu contexto, determinantes e condicionantes de saúde do todo, funcionando de forma democrática e participativa, a partir da compreensão do território em que se atua (BRASIL, 2011). Além disso, o trabalho volta a atenção para o sofrimento psíquico enfrentado pelos indivíduos na atualidade e as formas coletivas de se lidar com isso, tendo como sujeito de pesquisa os agentes comunitários de saúde. Em material elaborado pelo Ministério da Saúde em 2009, intitulado O Trabalho do Agente Comunitário de Saúde descreve-se de maneira mais detida o trabalho do ACS e suas funções na APS. O material explicita que o trabalho por ele realizado é considerado uma extensão dos serviços de saúde dentro das comunidades, já que você é um membro da comunidade e possui com ela um envolvimento pessoal. (BRASIL, 2009, p.24). Pensando nisso, justifica-se o trabalho proposto a partir do sofrimento emocional vivenciado pelos ACS, por ser ele o profissional mais vinculado à comunidade e aos usuários do serviço. Propõe-se então a construção de uma intervenção que atue sobre esta fragilidade, visto que ela afeta a qualidade de vida do ACS e o seu fazer profissional.
O trabalho tem como objetivo explorar o impacto emocional do trabalho na vida do ACS. Mais especificamente, dando a ele apoio e ferramentas para que ele possa lidar com a realidade em que está inserido, de forma que se sinta mais fortalecido no exercício de suas funções como profissional e naquilo que extravasa para sua vida particular. E fortalecer a prática da psicologia dentro da UBS para a manutenção do trabalho conjunto.
Este estudo é de caráter exploratório, que busca conhecer a variável de estudo na forma como se apresenta, permitindo a percepção da realidade como ela é e não da forma que o pesquisador acredita ser (PIOVESAN e TEMPORINI, 1995). A metodologia que será usada na intervenção deste trabalho será a pesquisa qualitativa, mais especificamente as oficinas em dinâmica de grupo da autora Maria Lúcia Afonso, que segundo ela é um trabalho em grupo, com número de encontros definido com foco em uma questão que o grupo irá elaborar, com o envolvimento integral dos sujeitos, em seus aspectos do pensamento, sentimento e ação (AFONSO, 2006). A intervenção acontecerá em 5 encontros, na UBS Cummins. Os participantes, serão os Agentes Comunitários de Saúde das UBS Cummins e Mario Macca. Questionários de interesse serão entregues aos 35 profissionais e o grupo será formado com aqueles que preencherem os critérios de inclusão. Nos encontros serão discutidos temas pensados em conjunto pelo grupo, acerca do trabalho do ACS e a sua demanda emocional, a partir de dinâmicas e rodas de conversa, que permitam a exploração de assuntos importantes para os participantes.
Foram realizados os grupos de intervenção em 5 encontros e neles foram escolhidos para discussão as temáticas: empatia, respeito e compromisso, que foram abordadas nos encontros 2, 3 e 4. O último encontro foi um fechamento, com a proposta de produção de um produto coletivo, que simbolizasse o trabalho realizado. Os temas foram discutidos em profundidade com os ACS trazendo angústias e questões relacionadas ao seu trabalho, aparecendo constantemente a demanda emocional do trabalho por eles realizado. O produto final pensado por eles foram a construção de manual que explique suas funções e incentive a boa convivência, além da demonstração da necessidade de manutenção de grupos e espaços de escuta, no qual eles possam ser acolhidos. Isso demonstra que o processo grupal fez com que os participantes refletiram sobre a sua atuação e pensaram uma proposta que retoma a potência do coletivo.
O que ficou mais explícito ao final do processo do grupo foi a ausência de espaços institucionais e a importância de que existam momentos de reflexão e apoio ao profissional ACS, levando em consideração a especificidade de sua categoria, que é munícipe e trabalhador ao mesmo tempo, acarretando em um tipo diferente de sofrimento. Isso transpareceu não apenas nos encontros, mas também no último dia na construção conjunta de produto do grupo. Além da importância de entendimento tanto dos trabalhadores, como dos usuários do SUS acerca das funções do agente comunitário de saúde.
APS; Agente Comunitário de Saúde; Psicologia; SUS
IZADORA PINHEIRO MARIANO, KATIA VARELA GOMES