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A entrevista estruturada orienta o profissional na escuta das demandas do cotidiano do usuário, permitindo avaliar riscos e articular ações em rede para garantir uma alta segura. O instrumento possibilita ainda reunir informações que serão encaminhadas à Unidade Básica de Saúde, fortalecendo o cuidado no território, a vigilância socioassistencial e a integração das políticas públicas. A UPA Vera Cruz, situada no extremo sul do Jardim Ângela, encontra-se em um território altamente vulnerável, marcado por diversas problemáticas sociais que influenciam o bem-estar da população. Em 2020, a expectativa de vida no Jardim Ângela era de cerca de 58 anos, aproximadamente 20 anos a menos que em bairros centrais, evidenciando as desigualdades. Apesar de avanços, persistem desafios significativos para ampliar a longevidade nas periferias, embora os serviços de saúde locais desempenhem papel fundamental por meio de ações interdisciplinares voltadas ao cuidado da população. Nesse cenário, tornou-se evidente a necessidade de elaborar o projeto, construído a partir das experiências dos Assistentes Sociais da própria Unidade. Casos de violência, violações e abandono contra pessoas idosas passaram a ser melhor compreendidos a partir das informações fornecidas por usuários e acompanhantes, que, somadas à escuta qualificada do Assistente Social, possibilitaram identificar situações, compreender contextos, produzir material para matriciamento e ampliar as possibilidades de intervenção.
O Objetivo da aplicação da entrevista social é verificar riscos e potencialidades das populações mais vulneráveis no momento da alta médica da unidade, a fim de promover a alta segura do paciente, a transferência e manutenção do cuidado do usuário na atenção primária, a partir da estratégia da saúde da família no território.
Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, de caráter descritivo, desenvolvido a partir da experiência profissional dos Assistentes Sociais da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vera Cruz, localizada no Jardim Ângela, território marcado por elevada vulnerabilidade social. A metodologia baseia-se na utilização da entrevista estruturada como instrumento técnico-operativo do Serviço Social, aplicada no atendimento a usuários e acompanhantes durante o acolhimento social. A entrevista estruturada orienta a escuta qualificada das demandas apresentadas, possibilitando a identificação de riscos sociais, situações de violência, violações de direitos, negligência e abandono, com especial atenção à população idosa. As informações coletadas permitem compreender os contextos familiares e territoriais que atravessam o processo saúde-doença, bem como subsidiar a articulação em rede para a garantia de uma alta segura. Os dados obtidos são registrados em prontuário e, quando necessário, encaminhados à Unidade Básica de Saúde de referência, fortalecendo o cuidado no território, a vigilância socioassistencial e a integração entre as políticas públicas de saúde e assistência social. A análise fundamenta-se na observação profissional e na sistematização das situações atendidas, contribuindo para o matriciamento das equipes e para o aprimoramento das estratégias de intervenção interdisciplinar. O estudo respeita os princípios éticos do Serviço Social, assegurando o sigilo absoluto.
Observou-se como resultados deste projeto a melhor manutenção de saúde e segurança do paciente no território, deste modo evitando re-internações; adaptação e satisfação das famílias e acompanhantes para lidar com processos de alta médica de usuários com sequelas; identificação de violências e violações sofridas por pessoas idosas e com deficiência, que permitiu o acionamento de órgãos de garantia de direitos para a proteção de pessoas em situação de violência e vulnerabilidade social.
O projeto, ainda em andamento, monitorado e aperfeiçoado conforme as diversas discussões e vulnerabilidades presentes no território que se transformam conforme a própria sociedade se altera, mostra-se eficaz ao descortinar expressões da questão social, objeto de trabalho do Assistente Social. Além dos resultados obtidos, como na intervenção social em grupos de risco , principalmente sobre a pessoa idosa, verifica-se a maior aproximação do profissional a realidade social do usuário o que permite a articulação e transformação a partir dos conselhos representativos e deliberativos em que frequenta. As USB’s, porta de entrada do usuário em atenção primária, através dos profissionais da ESF, também fortalece ao mesmo tempo que se beneficia deste projeto, visto que as informações sobre o processo de alta e matriciamento são mais efetivos. A entrevista social e a qualificada promovida pelo Assistente Social, torna-se componente essencial na alta do paciente, pois viabiliza a humanização neste processo ao não dicotomizar os sujeitos usuários da política pública de saúde, promovendo o cuidado biopsicossocial a partir do enfrentamento de determinantes e dinâmicas diversas que afetam e agravam a saúde do paciente.
Entrevista Social, escuta qualificada, vulneráveis
ALINE CAROLINE FERREIRA, ERICA DOS SANTOS SILVA ANTONIO