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A dengue e demais Arboviroses tem a sua ocorrência vinculada a determinantes socioambientais que mantém a infestação vetorial e a circulação viral no território, tais como: fatores climáticos, demográficos, socioculturais, de infraestrutura urbana, de dinâmica populacional e de susceptibilidade aos vírus circulantes. No âmbito das ações na unidade, essa concepção sobre a exposição da população ao ambiental e seus efeitos sobre a saúde, exige um olhar ampliado sobre o que determinam, condicionam e influenciam os indicadores de saúde do território, sobretudo com influência da mudança no clima que potencializa esses aspectos e impactos locais. Os anos de 2023 e 2024 foram desafiadores para as equipes de assistência em saúde registrando aumentos significativos de casos positivos de Dengue no Brasil. Considerando essa relação, a equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) Cidade Kemel, administrada pelo Santa Marcelina Saúde em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, desenvolveu um projeto no âmbito do Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), com apoio do Núcleo de Vigilância em Saúde (NUVIS-AB) ampliando a capacidade de identificação e enfrentamento dos casos território. As estratégias de integração entre a Unidade de Vigilância em Saúde (UVIS), das Equipes de Saúde da Atenção Básica da Governança Clínica da Unidade de Saúde possibilitará uma nova prática com foco na organização do cuidado e da vigilância permanente desse agravo em saúde.
Implementar ações integradas de vigilância e controle vetorial entre equipes da unidade de saúde e Unidade de Vigilância em Saúde para enfrentamento às Arboviroses no território da UBS Cidade Kemel visando contribuir com ações para enfrentamento às Arboviroses no município de São Paulo para evitar ou reduzir a ocorrência de agravos e mortes.
A metodologia do trabalho foi desenvolvida a partir da caracterização da situação epidemiológica do território, visando subsidiar o delineamento de ações de prevenção, manejo integrado e estratégias de educação em saúde. Para isso, a equipe analisa semanalmente dados epidemiológicos e ambientais, possibilitando a identificação de áreas de maior risco para dengue, Zika e Chikungunya. Com base nesse diagnóstico, são implementadas intervenções direcionadas à redução da infestação do Aedes aegypti, especialmente nas áreas com maior índice de casos e focos do vetor, por meio de ações de controle, eliminação de criadouros e orientações à população. Simultaneamente, a equipe de Governança Clínica (Gerente e referência Técnica Médicas e de Enfermagem) realizam monitoramentos diários dos casos suspeitos de dengue e das áreas de risco para planejamento e adoção de medidas de bloqueio e controle do vetor, com o objetivo de evitar a expansão da transmissão das doenças para novas áreas. Essas ações incluem vistorias, acompanhamento dos indicadores entomológicos e respostas rápidas frente à identificação de novos focos. Além disso, o trabalho priorizará o fortalecimento do comitê regional por meio da intersetorialidade, promovendo a articulação entre diferentes setores e instituições, bem como o estímulo à participação e mobilização social, buscando ampliar o envolvimento da comunidade nas ações de prevenção e controle das arboviroses.
Os resultados evidenciaram impacto expressivo das estratégias adotadas pela UBS Cidade Kemel no controle da dengue. Observou-se uma redução de 87,86% dos casos suspeitos no território, demonstrando a efetividade do monitoramento semanal e das ações preventivas implementadas. O acompanhamento contínuo permitiu a previsão antecipada das semanas epidemiológicas críticas, garantindo melhor organização do serviço e acesso oportuno da população em possíveis novos cenários epidêmicos. Em 2025, a UBS apresentou incidência de 227 casos por 100 mil habitantes, número inferior ao do Distrito Administrativo do Itaim Paulista (302) e ao do Município de São Paulo (528,4), posicionando a unidade com uma das menores incidências da CRS Leste e a terceira menor do município. O monitoramento ampliado também contribuiu para a melhoria da qualidade do serviço ofertado, com antecipação de agendas, envolvimento multiprofissional e integração com o Núcleo de Segurança do Paciente e Governança Clínica. Além disso, a redução dos casos de dengue, possibilitou a normalização do acesso e a ampliação do cuidado às demais necessidades da comunidade.
O projeto atingiu plenamente seus objetivos ao fortalecer a vigilância epidemiológica e a gestão dos riscos no território, garantindo previsibilidade na organização da agenda assistencial e no acesso da população aos serviços de saúde. A utilização do geoprocessamento pelo NUVIS-AB como apoio do PAVS mostrou-se uma ferramenta estratégica, contribuindo de forma significativa para a identificação da incidência dos casos e para o planejamento das ações preventivas e de bloqueio vetorial. O trabalho integrado entre NUVIS-AB, Núcleo de Segurança do Paciente, UVIS, Governança Clínica e PAVS foi fundamental para o controle local da dengue, assegurando cobertura assistencial, fortalecimento das linhas de cuidado e resposta rápida frente aos riscos identificados.
Governança clinica
ALMIR DOS SANTOS AMORIM, GLÁUCIA MARIA VALENTE BONUGLI, JENIFER RIBEIRO DA SILVA PEIXINHO, LUIZA SUELI AMARAL SANTOS DO SÁ