Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Desde de descoberta do primeiro caso de infecção pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Adquirida) na década de 80, muito se avançou no que diz respeito a evolução diagnóstica, tratamento e ainda medidas de prevenção eficazes para evitarmos a transmissão, tanto sexual quanto vertical.1 A UNAIDS (Joint United Nations Programme on HIV/AIDS), em seus últimos dados publicados estima que 39,9 milhões de pessoas vivam com HIV no mundo. Dados nacionais estima que destes, 1 milhão viva no Brasil.2 Assim como em outras patologias, a infecção pelo HIV apresenta peculiaridades que irão influenciar o portador desde seu diagnóstico, até o processo de adesão.3 É importante entendermos que: “A adesão é um processo dinâmico e multifatorial que abrange aspectos físicos, psicológicos, sociais, culturais e comportamentais, que requer decisões compartilhadas e corresponsabilizadas entre a pessoa que vive com HIV, a equipe de saúde e rede social”.4 O SAE possui hoje 2.331 pacientes cadastrados no SICLOM (Sistema de Controle Logístico de Medicamentos)5 e o processo de abandono sempre foi uma inquietação da equipe, que levantava essa temática com frequência durante nossas reuniões mensais.
Promover mobilização e discussão multiprofissional acerca deste tema tão relevante no processo de assistência, propondo assim estratégias de vinculação. Proporcionar ao paciente espaço para escuta, diante de suas particularidades, favorecendo assim o processo de retorno ao seguimento regular.
Diante da inquietação da equipe, realizamos em agosto de 2024 o levantamento do número de pacientes em abandono de tratamento, caracterizado pelos pacientes que estão por mais de 100 dias sem tomada de antirretrovirais e dos pacientes em atraso de medicação, caracterizado por usuários que estão há 31 dias sem tomada de medicação. É importante saber que o paciente que não está em uso regular de medicação aumenta significativamente o risco de morbi-mortalidade, bem como a possibilidade de transmissão do vírus.
Neste primeiro levantamento chegamos a um número final de 309 pacientes. Na tabela a seguir, descrevemos as etapas realizadas no processo e os resultados atingidos, ressaltando que estes dados referem-se aos meses de agosto e setembro de 2024. Ação: Separação entre munícipes e não munícipes para direcionar a cada município seus dados, afim de contarmos com a parceria para localização dos pacientes. Resultado: Redução de 128 pacientes (46-Santana de Parnaíba, 17-Carapicuíba, 16-Jandira, 12-São Paulo, 6-Osasco, 4-Itapevi e 27-outras localizações. Ação: Elencamos uma profissional de enfermagem para contato com todos os pacientes restantes. Os pacientes com sucesso no contato, eram convidados a comparecer ao SAE para acolhimento. Com esta ação conseguimos separar a lista de pacientes cujo dados estavam desatualizados. Resultado: 60 pacientes retornaram ao serviço para seguimento. Ação: Enviamos as UBS\s e-mails solicitando visita domiciliar e elencamos alguns pacientes para que estas visitas fossem realizadas pela equipe do SAE Resultado: 74 pacientes retornaram para seguimento. Ação: Adequação da agenda médica com pactuação dos retornos, seguindo PCDT de HIV atualizado em 2023 e disponibilizado pelo Ministério da Saúde. Resultado: Ampliação da agenda médica absorvendo de maneira oportuna o paciente que retorna. Ação: Apresentação dos dados à equipe demonstrando a importância da busca desse perfil de paciente. Resultado: Equipe motivada, ressignificando seu papel no processo
Concluímos com esse processo que como descrito por Fernandes e Farias: “Em todas as esferas do cuidado ao paciente, o trabalho em equipe proporciona melhorias diretas e indiretas a todos os envolvidos no processo”6 Entendemos a importância de cada membro da equipe, bem como observamos a importância dada por cada um. Observamos que o movimento propriamente dito resultou em um movimento maior, onde pacientes que não havíamos conseguido contato, retornaram ao serviço de maneira espontânea. Fato observado é que este ciclo deve ser continuo, visto que mensalmente este número de abandono e atraso é renovado, não sendo possível, tão em breve chegarmos à conclusão que possa ser finalizado com o resultado de que todos os pacientes estão aderente ao tratamento, mas precisamos nos certificar quanto equipe, que todos os movimentos possíveis para retorno deste paciente foram realizados.
Adesão, Equipe multiprofissional, HIV/Aids
GESSIARA TELES PEREIRA BONFIN, DANILA MARTINS MARTELLI