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O Programa Saúde na Escola (PSE) é uma política intersetorial que integra Saúde e Educação com o objetivo de contribuir para a formação integral dos alunos por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde, visando o enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o desenvolvimento e qualidade de vida de crianças e jovens da rede pública. O município de Mendonça, localizado no noroeste paulista, região metropolitana de São José do Rio Preto – SP, conta com uma população de 6.369 habitantes e cobertura de Atenção Básica de 100%. A adesão ao PSE ocorreu a partir do ciclo 2017/2018 e mantêm-se até a presente data, com pactuação de 4 escolas e 1129 alunos, para o desenvolvimento das ações intersetoriais, dentre elas a saúde auditiva, considerando que a audição é um dos sentidos principais e fundamental para o desenvolvimento da fala e dos processos de aprendizagem e alfabetização. Estudos revelam que crianças em idade escolar apresentam algum tipo de alteração auditiva decorrente de acúmulo excessivo de cera ou otite secretora, interferindo no desenvolvimento das habilidades auditivas e no rendimento escolar. Mesmo que transitória ou de grau leve, as alterações estão associadas a diversas manifestações clínicas, como: dor, incômodo, zumbido, coceira, tontura, sensação de pressão ou ouvido abafado, leve perda de audição, déficit nas habilidades articulatórias, na aquisição do vocabulário e desatenção.
Promover saúde auditiva às crianças e adolescentes escolares, identificando possíveis alterações auditivas e inserindo na rede assistencial para avaliações específicas e intervenções clínicas, como: remoção de cerume, tratamento de otites e problemas respiratórios, realização de exames auditivos, entre outros.
Em julho de 2024, iniciou-se a execução do plano de ação, com a participação dos profissionais envolvidos no PSE. Foram elaborados pela fonoaudióloga responsável, 2 questionários baseados no instrumento de avaliação auditiva indicado como referência pelo Ministério da Saúde, proposto pela Sociedade brasileira de Fonoaudiologia. Durante dois dias consecutivos, foram realizadas triagens auditivas nos alunos de 11 a 17 anos do ensino fundamental II e do ensino médio, totalizando 381 estudantes. Primeiramente, os alunos responderam ao questionário, seguidos de orientações sobre cuidados com a higiene das orelhas e fragilidade da membrana timpânica (MT). As otoscopias revelaram que 66 alunos (17,32%) apresentaram acúmulo excessivo de cerume; 55 alunos (14,44%) demonstraram alguma alteração na MT e 260 alunos (68,24%) não tiveram alterações. Na semana seguinte, o processo foi repetido com mais 347 alunos com idade de 6 a 10 anos do ensino fundamental I. Neste grupo, 59 alunos (17%) apresentaram acúmulo excessivo de cerume, 63 alunos (18,16%) com alguma alteração na MT e 225 alunos (64,84%) sem alterações. Durante a triagem, foram identificadas 2 crianças com presença de corpos estranhos nas orelhas, sendo informado os responsáveis e encaminhados a Unidade Básica de Saúde (UBS) para continuidade na assistência. Nas outras 2 escolas, compostas por crianças de 0 a 5 anos, o tema foi abordado com recursos lúdicos apenas para orientação.
As famílias dos alunos com alterações auditivas foram informadas e encaminhadas para avaliação específica. Apenas 5% buscaram atendimento profissional, mobilizando a equipe a desencadear um novo processo, que consistia em realizar a remoção do excesso de cerume. Este foi aceito de imediato e iniciou-se a programação. Um termo de consentimento com esclarecimento sobre o procedimento a ser realizado foi elaborado e a coordenação da escola organizou uma reunião para sanar as dúvidas com a fonoaudióloga. Os responsáveis interessados compareceram e assinaram o termo para realização do procedimento e agendamento médico na UBS. Na sequência foi pactuado com a equipe de enfermagem a aplicação do medicamento prescrito às crianças, na escola. Os alunos eram chamados em sala específica e aplicado o medicamento adquirido pela coordenação da saúde nas orelhas indicadas pelo exame. Este processo foi realizado por 5 dias e no dia subsequente, as crianças foram transportadas gradativamente a UBS, em grupos de 10 alunos, em conformidade com o consentimento dos responsáveis. A remoção do cerume foi realizada pelo médico, individualmente em 100% dos presentes e após o término alguns alunos relataram alívio instantâneo com resultado significativo na audição. O processo foi realizado separadamente para as escolas de ensino fundamental I, II e ensino médio.
Conclui-se que a intersetorialidade é fundamental para alcançar saúde pública de qualidade, pois integra diversas dimensões da vida social e contribui para a construção de estratégias mais eficazes e inclusivas, voltadas para o bem-estar coletivo e a promoção de condições de vida saudável. Inicialmente o propósito da saúde auditiva no PSE era identificar crianças com possíveis problemas, pois estudos demonstram que a audição influencia intensamente no aprendizado. Perante o exposto observou-se uma significância considerável na quantidade de estudantes que apresentaram alterações, principalmente acúmulo de cerume, o que fez a equipe multiprofissional se empenhar e executar as ações propostas. Embora as estratégias utilizadas fossem exitosas, é importante evidenciar desfavoravelmente a valorização das famílias interessadas, pois dos 125 alunos encaminhados para o procedimento, apenas 62 realizaram, o correspondente a 49,60% do total. O intuito para os próximos anos é implementar ações para sensibilizar e responsabilizar os envolvidos acerca da relevância da saúde auditiva, buscando cobertura mais abrangente e aprimorar incessantemente a qualidade de vida.
PSE, fonoaudiologia, saúde, audição, educação
CAMILA BARUFI NEVIANI, LEONÍSIO PAULO DE OLIVEIRA NETO, JOSIANE BERTONI DE SOUZA OLIVEIRA, LEONÍSIO PAULO DE OLIVEIRA NETO, JOSIANE BERTONI DE SOUZA OLIVEIRA