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Segundo dados epidemiológicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prevalência de indivíduos com excesso de peso aumenta com a idade e já ultrapassa 50% na faixa etária de 25 a 39 anos de idade. Estima-se que um a cada quatro brasileiros acima de 18 anos esteja com obesidade. Sua prevalência é crescente e todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento como em países desenvolvidos. Sabe-se que a obesidade é uma doença complexa de etiologia multivariada e considerada um problema de saúde pública. O paciente obeso apresenta alterações fisiopatológicas associadas à obesidade que podem apresentar direta ou indiretamente barreiras à terapêutica eficaz para o controle metabólico, como por exemplo ausência de equipamento para suporte adequado ou limitação de exames e procedimentos convencionais durante o período de internação hospitalar. Não existe um tratamento adequado “padrão”, trata-se de um tratamento diverso, complexo e multiprofissional, que inclui mudança no padrão e estilo de vida até intervenções mais invasivas.
O presente relato de caso tem por objetivo descrever a sistemática da intervenção clínica e nutricional, individualizada e humanizada do SUS para o cuidado de saúde de uma paciente com complicações clínicas devido super obesidade em hospital público de urgência e emergência de forma que favoreça a recuperação clínica, mobilidade e funcionalidade, através da perda de peso saudável, redução da inflamação e demais complicações relacionadas à obesidade.
Relato de caso de atendimento à paciente do sexo feminino, 31 anos, acamada, com diagnóstico de obesidade extrema, síndrome da apneia obstrutiva do sono e distúrbio alimentar. Possui antecedentes clínicos de hipotireoidismo, bronquite asmática e ansiedade, IMC de 145 kg/m2 (peso referido de 380kg e altura de 1,62m). Acessou o Pronto Atendimento do Hospital de Urgência do Complexo de Saúde em SBC em outubro/2022 por dispneia secundária a um quadro infeccioso. Realizada abordagem terapêutica individualizada com apoio de equipe multiprofissional e como estratégia terapêutica, iniciou intervenção alimentar com dieta de aproximadamente 1.500 kcal/dia e 100 g/dia de proteína com suplementação nutricional. Em 20 de dezembro/2022, foi associado tratamento com semaglutida (0,25 mg) 1x/semana, totalizando 10 meses de uso. Para otimizar a perda de peso, foi realizada passagem de balão intra-gástrico em 28 de dezembro/2022, sendo a dieta reajustada para aproximadamente 1.200kcal/dia. Em agosto/2023, o balão foi retirado devido a hiperinsuflação, procedimento sem intercorrências com resultado positivo na perda ponderal. Após a retirada do mesmo, iniciou-se dieta com aproximadamente 800kcal/dia, para viabilizar peso alvo de 180 kg para a cirurgia bariátrica. A avaliação antropométrica foi realizada por meio de aferição da circunferência da panturrilha até que a paciente pudesse se manter em pé sem apoio para, então, realizar a pesagem em balança digital com capacidade para até 500kg.
Devido abordagem da equipe de fisioterapia e estímulo a prática de atividade física, paciente adquire mais mobilidade e força muscular, favorecendo sua movimentação fora do leito e a aferição do peso em balança digital. Durante o período, paciente apresentou perda intencional significativa conforme demonstrado abaixo nos gráficos de avaliação antropométrica. Gráfico 1: Acompanhamento da circunferência da panturrilha (cm) Gráfico 2: Monitoramento do peso (kg) A associação terapêutica da semaglutida com a implantação do balão intragástrico, além da manutenção da dietoterapia e exercícios assistidos, resultou em perda ponderal total de 190 kg. Em setembro/2023, foi avaliada pela equipe da cirurgia bariátrica, sendo estabelecida a meta de peso de 180kg para realização do procedimento. Neste momento, a paciente se apresentava ansiosa, impactando na adesão ao tratamento e ganho de peso. O peso na avaliação médica foi de 194,7 kg, sendo então estabelecida nova oferta calórica de 800 kcal/dia associada a modulação proteica. Paciente manteve perda intencional e segue em acompanhamento com equipe multiprofissional. Em janeiro/2024 paciente é encaminhada para hospital estadual de referência com peso de 179 kg (IMC de 68kg/m2). Apesar do desfecho satisfatório, faz-se necessário intervenção nutricional direcionada à população obesa na rede de atendimento primária, a fim de evitar que paciente migre para o setor terciário. Intervenção multiprofissional preventiva pode gerar redução
A alta prevalência da obesidade é um problema de saúde pública mundial, assim, entende-se como emergente a necessidade do desenvolvimento de pesquisas acerca da terapêutica efetiva para o tratamento da super obesidade. O presente relato de caso pode auxiliar no entendimento sobre o uso de estratégias de intervenção medicamentosa com utilização da semaglutida no âmbito SUS e implantação do balão gástrico no manejo terapêutico de pacientes com super obesidade. A abordagem multiprofissional integrada deve ser considerada desde o diagnóstico de obesidade para que as estratégicas cognitivo-comportamentais e medicamentosas sejam bem compreendidas pelo paciente, favorecendo a adesão ao tratamento e a melhora na qualidade de vida. A obesidade deve ser prevenida na Atenção Primária, pois o diagnóstico precoce garante assertividade no tratamento, evitando o desenvolvimento de agravos à saúde devido complicações decorrentes de doenças crônicas não transmissíveis, que culminam em internações hospitalares prolongadas de alto custo. Faz-se necessário maiores intervenções multiprofissionais, a fim de evitar a migração deste paciente para o setor terciário, o que pode gerar uma redução de custos globais com saúde, além de melhor qualidade de vida
Humanização, obesidade.
Cibele Regina Laureano Gonsalves, Glaucia Keli de Andrade Rolim de Souza, Pamela Bernardes da Silva, Fernanda de Matos Ferreira do Couto, Débora Garbin Catalani, Taís Cleto Lopes Vieira