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As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) representam um dos principais desafios para a segurança do paciente e constituem eixo central de atuação do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), especialmente no serviço público de saúde, marcado por alta rotatividade de profissionais, grande volume assistencial e limitação de recursos. Evidências científicas demonstram que a higienização das mãos é a medida isolada mais efetiva para a prevenção das IRAS, sendo considerada prioritária nos programas de prevenção e controle de infecções. No Estado de São Paulo, as ações voltadas à segurança do paciente e ao controle das infecções hospitalares seguem as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e as normativas da ANVISA, exigindo do SCIH a implementação de estratégias estruturadas, monitoramento contínuo da adesão às práticas assistenciais, análise de indicadores e avaliação sistemática dos resultados, com foco na melhoria contínua da qualidade e da segurança assistencial. O estudo foi desenvolvido no Hospital Municipal Guarapiranga, instituição com perfil assistencial caracterizado por leitos de longa permanência e pacientes em uso frequente de dispositivos invasivos, como cateter venoso central, tubo orotraqueal e sonda vesical de demora. O projeto foi idealizado pelo SCIH e desenvolvido com o apoio do Núcleo de Segurança do Paciente e das lideranças assistenciais, com o objetivo de promover a segurança e beneficiar os pacientes internados na instituição.
Implementar e fortalecer a higienização das mãos como estratégia multimodal institucional, intensificada por meio da integração com outros projetos assistenciais, com foco na prevenção e redução das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), na promoção da segurança do paciente e no aprimoramento da qualidade assistencial, conforme as diretrizes da SCIH.
O projeto foi desenvolvido pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), fundamentado no Manual de Referência Técnica para a Higienização das Mãos, por meio de uma estratégia multimodal e contínua, incluindo mudança de sistema, educação e treinamento, avaliação e feedback, lembretes no local de trabalho e fortalecimento do clima institucional de segurança. Inicialmente, foram analisados os dados das auditorias de adesão à higienização das mãos realizadas desde o início de 2025, que evidenciaram baixa adesão ao uso de solução alcoólica e à higienização com água e sabão, além de fragilidades na técnica. O mês de junho foi destinado ao planejamento das ações, à análise dos dados e à definição das estratégias de intervenção. Com base nesse diagnóstico situacional e na incidência de IRAS, foi implementado um projeto de intensificação in loco. As ações educativas ocorreram diretamente nos cenários assistenciais, por meio de treinamentos breves, orientações práticas e discussões de casos, com ênfase nos cinco momentos da higienização das mãos, na técnica correta e no uso adequado de solução alcoólica e água e sabão. Como estratégia complementar, foram utilizadas abordagens educativas e lúdicas, com recursos visuais, visando ampliar o engajamento dos profissionais. Paralelamente, mantiveram-se auditorias para monitoramento contínuo da adesão e avaliação do impacto das intervenções.
No período analisado, observou-se variação nos índices de adesão à higienização das mãos e na incidência das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), incluindo infecções por Clostridioides difficile (ICD). Em junho, mês destinado ao planejamento das ações, a adesão foi de 44%, com registro de 10 IRAS, sendo 6 casos de ICD. Em julho, a adesão reduziu para 35%, com 6 IRAS. Em agosto, identificou-se o menor índice de adesão (27%), associado a 11 IRAS, incluindo 6 casos de ICD. Em setembro, a adesão foi de 29%, com 6 IRAS, sendo 1 caso de ICD. A partir de outubro, após a intensificação das ações educativas in loco, observou-se melhora progressiva da adesão, atingindo 39%, com redução para 2 IRAS (1 ICD). Em novembro, a adesão alcançou 58%, o maior percentual do período, associando-se a 3 IRAS (1 ICD). Em dezembro, a adesão foi de 44%, com registro de 4 IRAS, sendo 3 casos de ICD. Na análise bimestral, o primeiro bimestre apresentou 50 casos de IRAS, incluindo ITU, PAV, IPCS e ICD, dos quais 20 relacionados ao Clostridioides difficile. No segundo bimestre, houve redução para 32 casos de IRAS, com diminuição dos casos de ICD para 12. Durante o projeto, foi reforçada a obrigatoriedade da higienização das mãos com água e sabão nos casos suspeitos ou confirmados de ICD, devido à ineficácia da solução alcoólica frente aos esporos. Observou-se boa adesão das equipes, refletida na melhora dos indicadores e na redução das IRAS nos meses subsequentes.
A experiência de implementação do projeto de fortalecimento da higienização das mãos, evidenciou a importância da atuação sistemática e contínua do SCIH, dos núcleos de apoio e das lideranças assistenciais na prevenção das IRAS. Durante o desenvolvimento das atividades, identificaram-se fragilidades iniciais na adesão e na técnica de higienização das mãos, reforçando a relevância do monitoramento contínuo, da educação permanente e do envolvimento das equipes no processo de mudança de práticas. Os resultados demonstraram melhora progressiva nos índices de adesão à higienização das mãos e redução das IRAS, especialmente após a intensificação das ações educativas, evidenciando o impacto positivo das estratégias adotadas. O uso de abordagens educativas diversificadas, incluindo métodos lúdicos e discussões práticas, favoreceu o engajamento e a assimilação das orientações pelas equipes. Diante dos resultados, projeta-se a continuidade e intensificação das ações em 2026, com ampliação das estratégias, integração com outros projetos institucionais e fortalecimento do acompanhamento por meio de auditorias, visando consolidar a cultura de segurança do paciente e reduzir ainda mais as IRAS.
Estratégia Multimodal; Assistência à saúde
FABIANE EVOL CAVALCANTE DE SOUZA, GUSTAVO GUIMARÃES PAIVA, MARIA CRISTINA SOUZA SANTOS, BÁRBARA SANTOS DA CONCEIÇÃO, VERA LUCIA MACEDO PEREIRA