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A Comunicação em Saúde representa um processo estratégico e multidisciplinar de troca de informações entre profissionais e seus usuários e a sociedade para uma atenção à saúde e na humanização dos atendimentos em saúde. Essa ferramenta utiliza evidências, diálogo e mídias para influenciar comportamentos, edificar confiança e garantir a compreensão das doenças e necessidades da população, sendo fundamental para o sucesso do cuidado terapêutico. Essas práticas moldam as redes de saúde conjugados com a sociedade civil e possibilitam maiores intervenções no território da USF do Itaquanduba que acolhem as realidades locais e às vulnerabilidades específicas. O Jornal “A Hora do ITA” é um jornal digital da USF Itaquanduba que traz notícias e atuações intersetoriais no acolhimento e cuidado de seu território em trocas de experiências entre os profissionais de saúde e sua população adjacente, e que almeja tornar-se continua e permanente. Esse instrumento, com envio de mensagens via um aplicativo de mensagens todas a s segundas-feiras, visa a diminuir a visão mecânica e simplista da comunicação como um processo de simples transmissão de informações de um proponente para um receptor, em um modelo que propõe além da circulação das mensagens, suas apropriações, discussões e diálogos pelos diferentes atores envolvidos.
O Jornal “A Hora do ITA” tem o objetivo de levar informações sobre o fluxo da unidade, acolher a necessidade de públicos de sua área adstrita na ampliação da participação da comunidade, assim como democratizar informações na proposta de promover a saúde e prevenir doenças através da educação em saúde, com trocas e no uso estratégico de mídias digitais, empoderando cidadãos e profissionais. “A Hora do ITA” tenta a construção de autonomia, humanização das relações entre profissionais da saúde e usuários, na melhora da segurança do paciente e no alinhamento de informações entre equipes e pacientes. O Jornal “A Hora do ITA” pretende informar sobre os diferentes hábitos saudáveis, na prevenção de doenças e redução de comportamentos de risco e eliminação de mitos sobre tratamentos ou métodos como o planejamento individual e familiar com participação coletiva acolhendo os diversos saberes pessoais, superando modelos hierárquicos e com o foco na pessoa.
O Jornal “A Hora do ITA” conta com edições semanais em texto com fotos e escrita com opção áudio para os pacientes com deficiência visual ou alfabetização prejudicada, com o alcance de pacientes domiciliados, jovens em períodos escolares, pessoas com horários comprometidos em processos de trabalho. “A Hora do ITA” tem comunicação dialógica através de aplicativo de mensagens possibilitando a troca entre os profissionais de saúde com a comunidade local, onde o usuário é um elemento ativo que ressignifica a mensagem. A gerência da transmissão das mensagens e respostas aos questionamentos fica a cargo da equipe de enfermagem, quando existe uma pergunta que extrapola a esfera da enfermagem, outros profissionais são acionados para que participações ou explicações sejam relevantes, efetivas e cientificamente comprovadas, sempre com linguagem clara, empatia e objetiva. A pesquisa e escolha dos temas tem a proposta do conhecimento dos problemas da comunidade que vão muito além das relações profissional-paciente em questões complexas de diferentes questões epidemiológicas e dos determinantes sociais, tecnológicos e políticos que caracterizam cada micro área da USF Itaquanduba. Existe o compartilhamento de assuntos específicos de campanhas vacina ou buscas ativas, de meses coloridos na conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças específicas e, de demandas urgentes de epidemias.
O alvo não é único, somente os usuários de saúde, a proposta do “A Hora do ITA” foi manter vínculos entre pessoas, inclusive os profissionais da saúde, de assuntos e fluxos dos serviços em saúde, mesmo em pouco tempo de experiência, os resultados veem com uma adesão substancial e uma comunicação efetiva, o grupo de mensagens conta hoje com 117 membros entre gestão da saúde, profissionais, usuários e membros do Conselho Gestor. A saúde da mulher obteve um alcance muito considerável, a busca por esse tema que abrange o bem-estar físico, mental e social em todas as fases da vida, focando na prevenção e promoção da saúde ocorreram contribuições e trocas em um número elevado, evidenciando que esse assunto é atual e urgente. As apropriações dos processos de trabalho da USF Itaquanduba, das diversas categorias profissionais, foram entendidas tanto pela população como pelos profissionais de saúde que em certas ocasiões, não conheciam a rotina de seus colegas de trabalho. A gestão em saúde municipal evidenciou o projeto como um potente agente de transformação da Atenção Primária à Saúde (APS), na otimização de recursos e melhora do atendimento à população. No reconhecimento do território em tomadas de decisões mais eficazes, alinhada às necessidades locais. No apoio a gestão pública para a organização dos serviços municipais e, no monitoramento e avaliação das ações, buscando maior efetividade de criação de políticas públicas com melhora da capacidade de respostas para a sociedade.
“A Hora do ITA” contemplou não somente o público alvo descrito nas entregas de informação preventiva da comunidade do entorno, mas também a logística de agendas e fluxos profissionais tiveram mais efetividade. Observou-se a maior participação das mulheres relacionado a procura por práticas de higiene e saúde em horários adequados de atendimento, além da melhor adesão delas aos grupos de prevenção, no controle de vacinações e na participação popular através do Conselho Gestor da unidade. As publicações compartilhadas pelo grupo de mensagens, pelos conselheiros e por parte dos moradores alcançaram os Agentes Comunitários de Saúde em devolutivas presenciais com sugestões de temas conforme as dúvidas da população criando mais vínculos. No entanto alguns temas como a sexualidade, impactaram em repercussões iniciais contraditórias que foram amplamente trabalhadas, o que, de alguma forma, tornou-se positivo em algumas discussões com maior teor científico associado às realidades locais. Entende-se que o projeto não é identificado somente como o acesso à informação, mas um veículo de discussão e possibilidade de inclusão social, que acolhe pessoas em escutas e compreensão das vivências individuais e coletivas, fortalecendo o SUS local.
HUMANIZAÇÃO, PREVENÇÃO E COMUNIDADE
EVELYN VALÉRIA PINTO DE SOUZA, ANTONIO CARLOS CARDOSO GALANTE, SAMIRA APARECIDA CORRÊA DA SILVA PINHO, HENRIQUE LEITÃO GRIPP, CAROLINA GUI ROSATTI