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A Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é componente essencial do Sistema Único de Saúde (SUS), pois compreende ações contínuas e sistemáticas de promoção da saúde, prevenção de agravos e redução de riscos à população trabalhadora. Assim, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) é fundamental na articulação entre vigilância, atenção e gestão em saúde. Em Marília, a ausência do/a Assistente Social (AS) no CEREST gerava lacunas nas intervenções, na articulação com a rede e nas orientações acerca dos direitos do/a trabalhador/a, em especial o afastado por incapacidade temporária. A partir dessa demanda identificada pela gestão, em agosto de 2025 houve a inserção da primeira AS no serviço. Como impactos positivos, observamos a ampliação do acesso aos direitos, qualificação das notificações, maior visibilidade ao adoecimento relacionado ao trabalho e fortalecimento das ações de VISAT, bem como da interface com a Vigilância em Saúde e a rede de atenção. Participam desse relato a equipe multiprofissional do CEREST, profissionais da rede, trabalhadores/as atendidos/as e a gestão. Os principais beneficiados são os/as trabalhadores/as expostos a riscos e situações de adoecimento relacionadas ao trabalho e os em processo de retorno às atividades pós-acidentes. A relevância reside na incorporação da dimensão social e laboral na vigilância, contribuindo para a identificação de riscos, planejamento de ações preventivas e qualificação da gestão em saúde do trabalhador.
Objetiva-se: •Relatar a atuação do Serviço Social no CEREST como componente da Vigilância em Saúde do Trabalhador no SUS; •Contribuir para a identificação das determinações sociais do processo saúde-doença relacionadas ao trabalho; •Apoiar as ações de vigilância por meio da análise social dos processos e ambientes de trabalho; •Qualificar as notificações no SINAN; •Desenvolver ações de matriciamento e educação em Saúde do Trabalhador; Promover a articulação entre vigilância, atenção à saúde – em seus três níveis – e gestão, visando a prevenção de agravos relacionados ao trabalho, conforme preconizado nas políticas públicas e •Orientar trabalhadores/as quanto aos seus direitos sociais e previdenciários e amparar seu acesso à saúde, integrando essas informações às ações de vigilância.
A experiência foi desenvolvida a partir da inserção do Serviço Social na equipe multiprofissional do CEREST, utilizando abordagem qualitativa e intersetorial. As ações envolveram atendimento social aos/às trabalhadores/as, com realização de entrevistas sociais que abordaram histórico laboral, condições de trabalho, exposição a riscos e impactos do adoecimento na vida social e familiar. O Serviço Social participou ativamente de ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador, incluindo visitas técnicas a ambientes e processos de trabalho, contribuindo para a análise da organização do trabalho, das relações laborais e dos fatores sociais associados aos riscos ocupacionais. Essas análises subsidiaram a identificação de situações de desproteção e a proposição de medidas preventivas. Houve articulação com a Vigilância em Saúde, Atenção Primária à Saúde e outros serviços do SUS, bem como de outras políticas – como a previdência e assistência, visando o compartilhamento de informações e a construção de estratégias de intervenção. As atividades foram registradas em relatórios técnicos e sistematizadas para apoiar o planejamento e a tomada de decisão no âmbito do CEREST.
A implantação do Serviço Social contribuiu para o fortalecimento das ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador no CEREST, ampliando a identificação de situações de risco e de adoecimento relacionadas às condições e processos de trabalho. Observou-se maior incorporação da dimensão social e laboral nas análises de vigilância, qualificando a compreensão dos agravos e subsidiando intervenções integradas. A participação do Serviço Social nas visitas técnicas possibilitou identificar aspectos da organização do trabalho, como a precarização dos vínculos e riscos psicossociais – ainda pouco visibilizados. Também foi possível o início do acompanhamento pós-acidente, o qual consiste em assistir o/a trabalhador/a no seu retorno às atividades laborais, de modo que sua reinserção seja adequada. Como resultado institucional, destaca-se o fortalecimento da articulação entre vigilância e atenção à saúde, bem como a ampliação da capacidade do CEREST de produzir informações qualificadas para a gestão municipal em saúde do trabalhador. A experiência consolidou o papel do Assistente Social não apenas na assistência, mas como agente de vigilância em saúde.
Observa-se que a interdisciplinaridade é fundamental para a efetividade das políticas de Saúde do Trabalhador e a inserção do Serviço Social na Vigilância fortalece a capacidade do CEREST de compreender o adoecimento para além dos aspectos clínicos, incorporando as determinações sociais e as condições de trabalho. Essa abordagem contribui para ações de vigilância alinhadas aos princípios do SUS. As reflexões durante o processo revelaram que a informalidade do trabalho é um dos desafios para o SUS municipal, exigindo estratégias de busca ativa e intersetorialidade – Saúde, Assistência Social e Previdência. A experiência reforçou que o assistente social, munido de ferramentas de ensino em saúde, atua como articulador de políticas e de direitos para o trabalhador, além de qualificador de dados para a gestão. Como perspectiva futura, destaca-se a necessidade de consolidar e ampliar a atuação do Serviço Social nesse campo, fortalecendo práticas preventivas e a promoção da saúde dos/as trabalhadores/as.
Serviço Social, Vigilância em Saúde, CEREST
ROSANE ANDRESSA ROSSINI MARCHIORI, CAMILA COSTA RIBEIRO SIMIONATO