Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A cidade de Santos foi pioneira na Assistência em Hepatites Virais, desde a oferta de exames sorológicos de triagem até o tratamento, sempre na vanguarda em comparação com o que acontecia no restante do país. Como exemplo cito o uso do Interferon Peguilado no tratamento da Hepatite C, de administração subcutânea semanal em substituição ao Interferon Convencional, com a necessidade de injeções por três vezes na mesma semana. Era o início do século 21. “Quando iniciei a atuação no Ambulatório de Referência em Hepatites Virais, uma década após a sua instalação, este já estava bem estruturado quanto à logística de exames e agendamentos de consultas médicas. As enfermeiras que me antecederam atuaram particularmente na gestão do ambulatório e, então, percebi que seria o momento de, além de dar continuidade a essa gestão, me aprofundar na Enfermagem Clínica.” A missão do referido ambulatório era a assistência integral aos pacientes portadores de Hepatite B e C. Ambos os agravos têm as suas peculiaridades que impactam diretamente no manejo clínico e na adesão ao tratamento. Era, portanto, imperativo conhecê-las e, assim, aprimorar a assistência.
Conhecer as características clínicas da Hepatite B e da Hepatite C para elaborar um plano de assistência no qual o paciente fosse o protagonista de seu cuidado. Estabelecer um vínculo assistencial Enfermeiro-Paciente, para dirimir dúvidas, facilitar o acesso aos serviços de saúde em rede e estabelecer um processo terapêutico seguro e eficiente.
1) Consulta Médica e Consulta de Enfermagem simultâneas por 2 anos, para aprofundamento da fisiopatologia das Hepatites Virais e Doença Hepática. De 2013 à 2015 médico hepatologista e enfermeira compartilharam o consultório no atendimento ao paciente, cada qual fazendo suas anotações de anamnese, histórico, interpretação de exames laboratoriais e de imagem. 2) Consulta de Enfermagem Após esse período de aprendizagem clínica, as Consultas de Enfermagem continuaram a acontecer de modo independente, com ênfase para a propedêutica própria dessa prática profissional, até a presente data. 3) Elaboração de planilhas com dados clínicos Número do prontuário/nome/sexo/data de nascimento/raça-cor/data da primeira consulta / status: portador inativo ou em uso de medicamento (Hepatite B)/grau de fibrose/etilismo ou esteatose hepática/hipertensão portal/HCC/transplante/genótipo (Hepatite C), tipo de tratamento (Hepatite C)/RVS-cura (Hepatite C)/data da última consulta/número de notificação à V.E. As planilhas compilam todos os dados clínicos dos pacientes e permitem uma atenção individualizada e o atendimento das necessidades específicas de cada caso, bem como o controle de assiduidade para não haver a perda de seguimento. Todas as consultas são atualizadas diariamente nas planilhas.
A atuação do Enfermeiro Clínico no Ambulatório de Hepatites Virais demonstrou ser de grande importância para diminuir a perda de seguimento ao acompanhamento e tratamento. Ao se aprofundar no conhecimento clínico dos agravos e suas sequelas o Enfermeiro, na educação em saúde, propiciou o autocuidado e conferiu autonomia ao paciente. Assim, o mesmo aprendeu a executar as medidas preventivas de transmissão na comunidade, por exemplo; ou a detectar sinais e sintomas de agravamento de doença hepática, ser fosse o caso. Pelo estabelecimento de vínculo no âmbito da Consulta de Enfermagem, o paciente passou a ter uma referência no serviço, a quem se reportar quando surgirem dúvidas terapêuticas, o que representa uma facilidade de acesso à unidade de saúde. Com a atualização diária da planilha foi possível agregar a prática rotineira da busca ativa de faltosos com considerável diminuição da perda de seguimento.
É notória a conquista da adesão do paciente ao seguimento no ambulatório de Hepatites Virais. Atualmente, os faltosos ou em abandono são pacientes que mudaram de cidade ou tem graves problemas psico-sociais. Ainda assim, se consegue o resgate de grande parte destes. É importante ressaltar que nas buscas-ativas é primordial a colaboração da atenção básica, responsável pela área de abrangência do domicílio do paciente. Há ainda, a interlocução com os CAPS e Consultório na Rua. Como as Hepatites Virais são infecções crônicas, na estratégia de busca ativa não deve haver desistência. A partir do segundo semestre de 2021, com a possibilidade de uso de aplicativos com mensagens de texto, adquiriu-se uma facilidade em fazer o contato, com a busca dos telefones celulares no sistema informatizado dos pacientes vinculados nas UBSs e USFs. Há pacientes portadores de Hepatite C que desistiram do tratamento agressivo do passado e não sabem sobre a nova terapêutica via oral com poucos efeitos colaterais: uma vez encontrados, é oferecida novamente a possibilidade de cura, que hoje é plena. A Hepatite B, que não tem cura, deve ter o acompanhamento por toda a vida e, nesses casos , é preciso um trabalho educativo contínuo e acolhedor.
Hepatites virais, Hepatite B, Hepatite C, adesão
Mônica Maestre de Aguiar, José Vinícius de Souza Oliveira