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Estima-se que 450 milhões de pessoas no mundo sofram com transtorno mental, indivíduos com patologias severas, lutam por uma vida com mais autonomia e redução dos estigmas e este, relacionado à saúde mental acaba criando obstáculos para adesão ao tratamento e piora do quadro e sua qualidade de vida. O tratamento com uso de psicofarmacos oferece alguns riscos, pois alguns pacientes acabam fazendo uso abusivo ou equivocado destas substâncias seja por incapacidade, na busca de uma melhora rápida ou até em tentativas de suicídio. Segundo o parecer do Conselho Federal N° 145/2018/COFEN a atividade de dispensação de medicamentos no âmbito dos dispensários de medicamentos não é atividade privativa do profissional farmacêutico. Logo, a enfermagem tem o papel de cuidar da terapia medicamentosa do paciente em conjunto com sua família, buscando estratégias que facilitem posteriormente o manejo destas em sua residência, evitando novos declínios no tratamento e uma retomada de acompanhamento em CAPS. O cuidado com a medicação também é considerado um dos recursos no processo de alta do CAPS, quando os usuários passam a ser acompanhados de forma continuada na atenção básica. Essa alta tem sido considerada um marcador no processo de reabilitação psicossocial, pois possibilita que o usuário avance em suas trajetórias na rede de maneira autônoma e cidadã, mesmo que esta alta não seja possível, o fato de o paciente e sua família assumirem a autonomia de seu cuidado já é de extremo valor.
o Proporcionar autonomia para o uso correto das medicações. o Reduzir danos e riscos pelo uso inadequado das medicações.
Trata-se de um acompanhamento realizado no CAPS I do município de Promissão, onde há supervisão do uso de Psicofarmacos para pacientes que apresentam dificuldade no manejo de suas medicações, por diversas questões como: analfabetismo, limitações pela patologia, risco de auto intoxicação por obter grande volume de medicamentos em mãos. É realizada a medicação assistida onde o paciente ou responsável entregam as medicações prescritas retiradas da farmácia para a equipe de enfermagem, é feito o fracionamento de acordo com a singularidade de cada um, podendo ser de forma semanal, quinzenal, mensal, ou até mesmo doses supervisionadas diariamente. As medicações são enviadas em envelopes identificados com carimbo de acordo com cada período, xícara para o período da manhã, sol para o período da tarde e lua para o período da noite, facilitando assim o entendimento de todos. Notou-se maior adesão ao tratamento medicamentoso e melhora significativas em pacientes que geralmente apresentavam declínio em seu estado geral, proporcionando maior autonomia e qualidade de vida.
O relacionamento terapêutico é um importante instrumento de cuidado que permite a reintegração e reorganização do portador de sofrimento mental. Através do cuidado de enfermagem é possível desenvolver o reconhecimento do sujeito com o potencial para o autocuidado e desenvolvimento de habilidades para o enfrentamento do sofrimento (BARRETO, 2014, p..27). Através deste relacionamento terapêutico, conseguimos elencar dois pacientes específicos, dentre muitos que apresentaram boa resposta, ambos tem CID F20.0, em acompanhamento irregular, desde 2006, não aceitavam participar das terapias, nem fazer uso medicamentoso, sendo necessário realizar internação compulsória em Fevereiro de 2023, pois apresentavam risco a si e aos outros. Após alta hospitalar em 30 dias, foi elaborado projeto terapêutico singular para ambos, onde consta a medicação assistida pela enfermagem e familiares, atualmente ambos permanecem com medicação assistida semanalmente, bem como a administração de Haldol Decanoato a cada 21 dias no CAPS, pela patologia não aderem às demais terapias, mas pelo fato de apresentarem estabilização do quadro, não havendo nenhuma piora há um ano e a manutenção de tratamento neste serviço, já nos mostra a eficiência deste tipo de cuidado.
É importante salientar que os pacientes assistidos em CAPS, apresentam grande dificuldade de adesão ao tratamento com psicofarmacos de forma correta, motivados pela própria patologia ou singularidades pessoais, utilizar esse instrumento facilitador ao menos até a estabilização do quadro do cliente é de extrema relevância para o sucesso do tratamento, associado as demais terapias disponibilizadas no serviço.
medicação supervisionada; enfermagem, PTS
Jessica Balduino, Tiago Machado de Castro