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A escola deve ser acessível a todos, e existe certo consenso na ideia de que o professor sozinho pode não conseguir dar respostas educativas a todas as demandas que surgem no espaço escolar heterogêneo, e por isso serviços de apoio podem ser requeridos. O Programa Saúde na Escola (PSE), está dentro do Decreto Presidencial nº 6.286 desde 2007 contribuindo com uma política intersetorial da Saúde e da Educação nesta relação, podemos estabelecer os cuidados essenciais desde o início da primeiríssima infância com pautas pertinentes à vulnerabilidade do fator epidemiológico. O seguinte relato de experiência exitosa trás a percepção de que a nossa comunidade e juventude necessita de um olhar cuidadoso frente às suas vulnerabilidades e carências, assim podemos de forma assertiva e adequada fomentar a ideia de cuidados em saúde desde a infância para que perdure por toda a vida. Segundo Costa, Figueiredo e Ribeiro (2013), o objetivo da escola não deve ser apenas um lugar onde se produz educação e conhecimento de forma eficaz, mas um lugar onde exista interesse e que haja saúde de todos os seus membros.
A equipe multiprofissional apresenta propósito no âmbito da educação permanente quanto à promoção e prevenção de saúde, contribuindo com aspectos biopsicossociais fundamentais no desenvolvimento da infância e adolescência, percebendo que dentre cada faixa etária existem temas e fatores semelhantes apesar da diferença do ciclo de vida. Reconhecemos que na infância dentre a faixa etária dos 06 aos 11 anos de idade, existem eixos focais associados a aspectos nutricionais e, enquanto na adolescência percebemos que os temas centrais estão ligados a fatores sociais e saúde mental decorrente do maior uso de redes sociais, conhecimento sobre o uso de substâncias psicoativas, acesso a bebidas alcoólicas, dificuldade de aprendizagem, bullying, transtornos alimentares e outros aspectos evidentes. Desta forma destacamos com clareza que a parceria estabelecida entre as unidades escolares foi o suporte essencial para o acesso às crianças e os adolescentes vinculados neste ambiente.
Para alcançarmos este relato de experiência adotamos uma abordagem qualitativa focada nos grupos determinados por turmas dentre as escolas. Iniciamos em 2024 e os temas foram discutidos em parceria com os gestores educacionais que prontamente indicaram os principais assuntos pertinentes aos cuidados permanentes em educação e saúde. Os profissionais envolvidos foram psicóloga, nutricionista e assistente social. Neste período de um ano estabelecemos o cuidado em duas escolas, sendo Escola Estadual Professora Zenaide Avelino Maia (ensino fundamental I) e EMEF Dep. Cyro Albuquerque (ensino fundamental II), ambas localizadas na região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. A faixa etária dos alunos foi de 06 aos 10 anos de idade, na primeira escola e 11 aos 16 anos na segunda escola, totalizando aproximadamente 3000 alunos ao longo do ano. As visitas ocorreram duas vezes ao mês com as articulações em sala de aula, ou espaços fornecidos pela direção como quadra, biblioteca, pátio e sala de artes. Cada profissional dentro da sua competência estabeleceu a forma de comunicação e atividade para a promoção de saúde das crianças abordando temas simples e complexos com humanização e cuidado.
Nos encontros, os profissionais de saúde compartilharam suas práticas e experiências e em parceria com os alunos construíram diálogos que promoveram intervenções no espaço escolar, reflexão sobre questionamentos do cotidiano, promoção de saúde e maior interação entre alunos. A parceria escola e equipe multidisciplinar proporcionou o matriciamento de alguns casos e consequentemente o atendimento individualizado, acolhimento das famílias e direcionamento de ações com redes de apoio. Também foi possível perceber que a presença dos profissionais de saúde gerou um engajamento da equipe escolar para conscientização das famílias de alunos que apresentavam excesso de peso/obesidade e que não estavam aderindo ao acompanhamento nutricional na Unidade Básica de Saúde (UBS). Houve uma aproximação das famílias junto a UBS e mudanças ocorreram no hábito alimentar de alguns alunos.
A experiência contribuiu para o fortalecimento da parceria entre educação e saúde. Propostas de práticas não medicalizantes foram estabelecidas respeitando as várias formas de ser, estar, agir de cada indivíduo. Foi importante perceber ao longo dessa experiência a necessidade de envolvimento constante da equipe multidisciplinar no ambiente escolar.
Equipe multidisciplinar, PSE, saúde mental
GABRIELLE CAROLINA RIBEIRO FERREIRA, CLAUDIA JEOVANE DA SILVA