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O trabalho em grupo é a principal ferramenta na atuação dos Centro de Atenção Psicossocial – CAPS desde que regulamentado em 2002. O grupo é reconhecido como um espaço adequado para a exploração da subjetividade ao possibilitar que os membros reproduzam neste ambiente os papéis que ocupam no dia a dia de suas relações (Guanaes; Japur, 2001). A prática do cuidado em liberdade preconizada pela Reforma Psiquiátrica reforça o desenvolvimento da autonomia do sujeito e sua ressocialização culminando no processo de desinstitucionalização, assim surge também os Serviços de Residência Terapêutica – SRT. Neste contexto, o CAPS II de Francisco Morato, dentro do Projeto Terapêutico Singular – PTS, propõe o trabalho em grupo com a participação dos usuários do território junto aos moradores do SRT com intuito de gerar a troca de vivências, promover a integração social, territorial e comunitária, criar laços entre os diferentes atores envolvidos através de suas subjetividades e elaborar junto aos usuários sua reabilitação psicossocial. Conforme o Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde (2004, p. 5): As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na comunidade. Além disso, essas residências podem servir de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não contem com suporte familiar e social s
A ação tem como objetivo tornar o trabalho em grupo da oficina terapêutica uma ferramenta de fomentação da socialidade dos usuários participantes. As visitas realizadas à RT trazem aos moradores a sensação de autonomia e receptibilidade, gerando uma ambiência doméstica que o período de institucionalização e o rompimento familiar apagaram ao longo de suas vidas. Já aos outros usuários, fortalece os vínculos de amizades e a noção de comunidade e território.
A oficina terapêutica em tela acontece semanalmente, às segundas-feiras no período da tarde com duração de duas horas, sempre com a presença das duas técnicas de referência e um profissional do SRT. As atividades desenvolvidas são propostas de forma espontânea pelo grupo e vão desde trabalhos manuais, desenhos, pinturas ou até mesmo roda de conversa e música. havendo a alternância entre o espaço do CAPS e da RT. Em todas as ocasiões é servido um lanche em que todos participam.
Ao longo do período em que as ações vem sendo desenvolvidas, foi possível notar o fortalecimento nos vínculos entre os integrantes do grupo, bem como o sentimento de pertencimento ao lar e desenvolvimento de um modo de vida próprio aos usuários que habitam o Serviço Residencial Terapêutico. Através da apropriação do espaço como local de receber seus companheiros de atividade, os mesmos exercem cidadania e reconstroem suas perspectivas do morar.
A oficina terapêutica com temática livre determinada pelo próprio grupo, ocupando o espaço do CAPS e do SRT tem se mostrado um importante exercício das premissas do cuidado psicossocial em liberdade, promovendo aos usuários e à equipe envolvida vivências de adaptabilidade, emancipação, promoção da saúde, construção e fortalecimento de vínculos com outros indivíduos e também com o território. Sendo assim, torna-se uma ação que está sempre em movimento promovendo uma dinâmica de renovação da criatividade.
A Importância da oficina terapêutica
Regiane Aparecida Cardoso dos Santos, Samanta Cristina Baptista