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O presente trabalho visa relatar as experiências vividas diante da necessidade de melhorar o atendimento de Saúde Mental na atenção básica do município de Monte Azul Paulista após a pandemia do COVID-19. Ao identificarmos uma grande procura por atendimento e queixas relacionadas às ansiedades ocasionadas pelo COVID-19, percebemos a necessidade de um trabalho preventivo de saúde mental, como forma de diminuir as filas de espera para atendimentos. A equipe gestora juntamente à equipe de saúde mental e à equipe de atenção básica concluiu a necessidade de um novo fluxo de atendimento que acompanhasse as diretrizes da RAPS de acordo com a portaria nº 3.088/2011 e focasse nos cuidados de saúde mental ainda na atenção primária. As discussões iniciaram em janeiro de 2023 visando beneficiar os usuários do SUS, garantindo o melhor tratamento e os direitos estabelecidos pela Lei 10.216/2001. Foram realizadas reuniões com os técnicos da saúde mental como forma de avaliar as principais necessidades da população de Monte Azul Paulista com base nos atendimentos. Em seguida, foram realizadas reuniões com a gestão da atenção básica para identificar os pontos de falha e a criação do plano de ação. Tais mudanças têm sua importância pautada em garantir os princípios do SUS ampliando a universalidade, integralidade das ações e a regionalização. Trata-se de um trabalho que, além da promoção de saúde, visa prevenção, diminuindo filas de espera e falta de acesso a atenção.
De forma geral, esta experiência teve como objetivo melhorar os serviços de saúde mental prestados à população. Os objetivos específicos se deram em aumentar a quantidade de população atendida, além de tornar o atendimento mais acessível e amenizar os impactos ocasionados pelo COVID-19.
Os técnicos de saúde mental notaram aumento de casos e fila de espera em busca de atendimento psicológico, incluindo casos graves. Muitos pacientes tinham como queixa central medos e ansiedades que surgiram na pandemia ou citavam como a mesma agravou o quadro. Partindo disso, foi realizada discussão com a gestão a qual orientou levantar pontos chaves de mudanças. Levantaram que a dificuldade não era abordar o tema do pós-pandemia, mas sim compreender o fluxo de atendimento e direcionar os casos na rede. Tratava-se de ampliar atendimentos e acolhimentos antes que o caso se agravasse. Todos os profissionais realizavam serviços tanto na atenção básica como no atendimento especializado, deixando o fluxo desorganizado. Apresentavam ainda um paradigma em relação ao modelo clínico e individual aprendido na formação que se distanciava da realidade comunitária do atendimento necessário no SUS. Também foi levantada a necessidade de um trabalho preventivo para diminuir o número de casos graves. Diante disso, foi realizada reunião focando aumentar e melhorar o serviço prestado na porta de entrada: a atenção básica. As primeiras medidas foram capacitação sobre o modelo de atendimento do SUS e seus princípios e preparo de atendimentos grupais. Depois, serviço e agendas foram reorganizados, sendo designados alguns profissionais para prestar atendimento somente na atenção básica, onde passou a ser realizado maior número de triagens, visando aumentar o acesso ao primeiro acolhimento.
Os principais resultados obtidos foram o aumento de pessoas acolhidas e o atendimento mais eficaz. Com o aumento das triagens, os casos graves passaram a ser identificados mais rápido e encaminhados ao serviço necessário com mais êxito. Houve aumento de aproximadamente 16,9% de atendimentos em saúde mental comparado ao ano anterior (2022), reduzindo significativamente as filas. No atual cenário todos os pacientes são acolhidos e passam por triagem ao chegarem no serviço. Além disso, criou-se um método de organização que permite classificar riscos e tramitar os pacientes sem perde-los na rede. A comunicação entre os técnicos de saúde mental e dos profissionais das ESF’s ficou mais frequente, facilitando conhecer a população e aproximando da realidade destes. Dessa forma, cada técnico consegue se especializar e focar na necessidade específica da população que atende para realizar mais grupos, aumentando o número de atendimentos e diminuindo a espera. As capacitações tiveram como consequências profissionais mais abertos a um modelo próximo da realidade do SUS e mais humanizado. Por fim, a divisão e organização do fluxo facilitou à população ter conhecimento de como e onde procurar atendimento, evitando falta de acesso. Pensando na angústia que a pandemia do COVID-19 gerou, essas medidas foram importantes para deixar a população mais acolhida e orientada, mostrando como a saúde pública estava disponível e pronta para acompanhar as novas necessidades de todos os munícipes.
Consideramos que as qualificações ofertadas foram de extrema importância e diferencial, uma vez que foi pensado em como aumentar o número de pessoas acolhidas ao invés de focar somente em como abordar o tema do pós pandemia, não se tratou apenas de ofertar um serviço de qualidade, mas de aumentar a quantidade de pessoas a ter acesso a este serviço. Dessa forma a saúde fez jus ao princípio de garantir assistência à toda população.
Saúde Mental, Atenção Básica, Covid-19.
CAMILA BATISTA DE OLIVEIRA, MICHELE RANOLFI DOS SANTOS, RUBIA BERNARDO