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As Unidades Móveis Terrestres (UMT) de Atenção Primária são ônibus equipados com consultórios multiprofissionais, são utilizadas pelas equipes de saúde para alcançar as comunidades mais distantes da zona rural, garantindo atendimento em locais de difícil acesso. Podem ser utilizadas de forma paliativa, pontual e transitória para atender a demandas emergenciais e auxiliar os usuários com necessidades mais urgentes. Oferecem suporte aos usuários em áreas de risco ou vulnerabilidade social e servem como uma porta de entrada no SUS, atuando como um agente intermediário temporário para levar serviços especializados ou complementares a essas comunidades, que de outra forma teriam dificuldade em acessá-los. No município de Bragança Paulista, a Saúde Móvel realiza uma variedade de atendimentos, incluindo consultas médicas, odontológicas e de enfermagem. Onde são realizadas aferições de peso, altura, pressão arterial e glicemia capilar, também oferece aplicação de medicamentos intramusculares e orais, vacinas de campanha, curativos e remoção de pontos, conforme avaliação dos profissionais competentes. As principais dificuldades em áreas rurais estão relacionadas ao acesso a dispositivos de informação, como internet, rede de telefonia móvel e computador, essenciais para o desenvolvimento da assistência por parte dos profissionais de saúde em contextos rurais, ou seja, uma unidade móvel de atenção primária traz inúmeros benefícios à população contemplada.
O estudo teve como objetivo destacar a importância de uma Unidade Móvel de saúde para os moradores da zona rural de Bragança Paulista, SP, tanto em termos de saúde como no contexto social. Além disso, ressaltou a necessidade de ações direcionadas aos moradores rurais, em conformidade com a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta (Brasil, 2013). Para alcançar esse objetivo, foram analisadas as características demográficas e epidemiológicas dos usuários da Saúde Móvel, bem como sua satisfação com os serviços, acesso e divulgação através de um questionário.
Os participantes do estudo foram usuários da Unidade Móvel de saúde, os quais consentiram voluntariamente ao assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O projeto de pesquisa recebeu aprovação ética sob o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética número 67797223.0.0000.5514. Este estudo envolveu a coleta de dados por meio da aplicação de um questionário composto por 15 questões objetivas e discursivas. O questionário foi aplicado por meio de entrevistas, com a assistência dos colaboradores da Unidade Móvel. O preenchimento do formulário foi realizado pelo entrevistador, que transcreveu as respostas fornecidas pelos participantes. No total, foram abordados 44 pacientes, todos residentes em bairros rurais atendidos periodicamente pela unidade móvel e posteriormente tabulados os dados.
Quanto ao perfil dos participantes, a maioria do sexo feminino (68,2%) e masculino 31,8%. A faixa etária predominantemente é 70-74 anos, seguido de idosos entre 65-69 anos. Constatou-se que 68,2% dos entrevistados fazem acompanhamento de alguma patologia na Saúde Móvel. Observamos alta prevalência combinada de diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) (45,45% dos casos), 18,18% apresentam apenas HAS, 9,1% somente DM, e 27,27% relataram outras (como disfunções tireoidianas, transtornos mentais, hipercolesterolemia e doenças vasculares). Após avaliação 90,3% dos participantes que possuem alguma patologia fazem acompanhamento na Saúde Móvel, enquanto 9,7% foram atendidos pela primeira vez no dia da aplicação do questionário, controlando suas patologias em outras unidades de saúde de referência em seus respectivos bairros. Entre as razões para o alto número de acompanhamentos na Unidade Móvel estão a facilidade de acesso e a eficiência dos cronogramas, conforme relatado nas avaliações individuais dos questionários. Ao avaliar as respostas do questionário, foi notável a dificuldade dos participantes em distinguir o momento de busca pela Atenção Primária (AP) e a diferenciação entre AP e Unidades de Pronto Atendimento. Apenas 19,17% procuram a AP quando têm alguma queixa, 6,6% procuram uma vez ao ano e 6,6% buscam atendimento apenas para a dispensa de medicamentos, ignorando assim os serviços de prevenção e promoção de saúde oferecidos pela Atenção Primária.
Considerações finais (até 1250 caracteres) A limitação de acesso aos serviços de saúde no Brasil é uma realidade que afeta muitas pessoas, porém podem ser contornados e melhorados com o uso, por exemplo, das UMT. Essa situação destaca a necessidade de investimentos e ações para garantir um acesso equitativo e universal aos serviços de saúde em todo o território nacional. A implantação da Unidade Móvel tem como objetivo mitigar essa realidade, direcionando-se à população residente em áreas rurais, provendo serviços de saúde. É fundamental que as políticas públicas e os programas de saúde considerem as necessidades específicas da população da zona rural, visando garantir o acesso equitativo a serviços de saúde, promover o envelhecimento saudável e fornecer apoio social adequado.
Unidade Móvel; Acesso.
Clara Brito Alves, Taymara Dias Larangeira, Carina Nogueira Alves, Marina de Fatima de Oliveira, Lisamara Dias de Oliveira Negrini