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Aguardar atendimento médico é uma tarefa que desencadeia uma infinidade de sentimentos. Em crianças essas emoções são ainda mais evidentes, uma vez que seu desenvolvimento sócio cognitivo ainda está em formação. Através da observação diária das dificuldades demonstradas pelas crianças durante a espera por atendimento, identificamos que medo, insegurança, impaciência, frustração, muitas vezes externados através do choro, eram muito frequentes em nossa unidade. Desta observação surgiu o interesse em discutir ideias para melhorar o espaço físico e a experiência das crianças que estão na sala de espera, e destas discussões, decidimos criar um espaço lúdico, com desenhos nas paredes, e objetos que pudessem entreter as crianças nesse período de espera. O brincar na vida das crianças é incentivado e preconizado pela legislação, tanto no nível global quanto nacional, a exemplo da Declaração dos Direitos da Criança, que foi adotada pela Assembleia da ONU no ano de 1959, pela nossa Constituição Federal de 1988, ECA criado em 1990, além da Portaria instituída pela Lei Federal 11.104 de 21 de março de 2005. As referidas leis tem como premissa assegurar os direitos das crianças, o que inclui os aspectos relacionados à assistência em saúde e ludicidade1. Esta pesquisa se justifica pela importância de proporcionar um ambiente mais acolhedor aos pacientes pediátricos, verificar os resultados e propor a criação de um espaço lúdico em outras unidades de assistência à saúde.
Objetivo geral Tornar a experiência das crianças atendidas na unidade em uma experiência lúdica e menos traumática através de elementos do universo infantil, brincadeira, interação e ambiente acolhedor pensado exclusivamente para a pediatria. Objetivos específicos Melhorar a satisfação dos familiares acerca do atendimento; Utilizar o espaço lúdico como instrumento de humanização e acolhimento num momento de vulnerabilidade e fragilidade da saúde física; Avaliar os resultados como pilar para a implementação do projeto em outras unidades do CEJAM.
Relato de experiência. Esse tipo de estudo permite a descrição de situações observadas pelos autores, com o intuito de reforçar a importância de um olhar mais humanizado e uma assistência que respeite a importância do brincar na assistência em saúde da criança. Com apoio da equipe da unidade, em destaque o Enfermeiro Marcos Mazzini Bressan (desenhista) e a técnica de enfermagem Tereza Cristina Nogueira Ribeiro, foram criados e pintados na recepção infantil de nossa unidade alguns personagens infantis como super heróis, disponibilizadas mesas e cadeiras, bem como materiais para desenvolvimento de atividades, papel, lápis, lápis de cor que podem ser utilizados pelas crianças enquanto aguardam atendimento médico, brinquedos e uma televisão que foi destinada para esse espaço com o propósito de transmitir conteúdo infantil (desenhos). Todos os itens foram conseguidos por meio de doação através do empenho dos autores e da gerente da unidade. O período de observação e elaboração da pesquisa foi de 20 de março a 15 de abril. Por tratar-se de um relato de experiência exitosa dos autores da pesquisa, com base em sua vivência profissional, não há necessidade de solicitar autorização ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) ou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Ademais, os pacientes/acompanhantes não serão, sob qualquer hipótese, identificados.
Após a criação do espaço lúdico, pudemos observar que tanto as crianças quanto os familiares demostraram estar mais satisfeitos com a qualidade da assistência prestada, uma vez que as crianças interagindo com outras, e tendo uma atividade para fazer ou algo que possa entreter, como os desenhos na televisão, torna a espera mais tranquila. Além disso, foi observado que o espaço lúdico pode ser considerado uma estratégia de cuidado à criança, já que, de acordo com as observações, modifica de forma positiva a comunicação e a interação com o profissional da saúde, desde o acolhimento, atendimento médico, medicação/observação, até a liberação do paciente. Os resultados observados na unidade demonstram grandes mudanças após a implementação do espaço lúdico, como a melhora da experiência no atendimento à crianças, extensivo aos familiares, diminuição da ansiedade, melhor interação entre os profissionais e pacientes/acompanhantes, facilitando a realização de procedimentos, coletas e medicação e acolhimento mais humanizado, que permitiu fortalecer o vínculo de confiança da criança com a equipe de saúde. O início do projeto ocorreu em março de 2023, e em virtude dos resultados, o projeto foi estendido, transformando-se em uma ferramenta permanente de humanização da assistência em nossa unidade, com novos projetos sendo implementados a partir deste, voltados para a pediatria.
Essa experiência permitiu aprofundar nosso conhecimento no que diz respeito à importância do brincar para o desenvolvimento da criança, e como a criação do espaço lúdico transformou esse momento de espera por atendimento. Sentimentos que antes eram percebidos rotineiramente como frustração, medo, raiva e apatia, se transformaram em um momento de interação social entre as crianças e também das crianças com os adultos. Também verificamos que a satisfação dos usuários melhorou, e as queixas relacionadas ao tempo de espera diminuíram, pois o ambiente se tornou mais acolhedor. O espaço lúdico proporcionou não apenas a melhora da qualidade da assistência prestada, a interação entre a criança e o profissional da saúde, mas também tornou mais humanizada, trazendo também mais satisfação profissional aos colaboradores da unidade. O resultado promissor da experiência ensejou a realização de novos projetos na unidade, como forma de continuidade da ação, com implementação de novas estratégias complementares, transformando a pediatria num ambiente mais acolhedor e numa experiência mais agradável para as crianças que necessitam de atendimento de urgência e emergência.
Pediatria; Espaço lúdico; Humanização
MARCOS MAZZINI BRESSAN