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Determinadas situações como depressão, suicídio, psicoses, transtornos de ansiedade, transtornos de conduta, abuso de substâncias, transtornos alimentares são comuns na adolescência (1). A qualidade da relação estabelecida entre cuidadores e filhos interferem em todos os membros da família e possuem potencial de afetar a saúde mental de todos. As práticas educativas parentais possuem repercussões no repertório dos filhos, sendo assim o estilo parental e a ideia dos pais são fatores importantes para o desenvolvimento psicológico e comportamental dos filhos (2). Considerando a atenção à crise de crianças e adolescentes, o CAPS IJ é um equipamento estratégico nessa atenção e deve oferecer um cuidado intensivo, integral, interdisciplinar e intersetorial de base territorial e comunitária a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico e suas famílias (3). O grupo de família foi criado no intuito de ser um espaço de acolhimento, discussão e orientação com os responsáveis/familiares de adolescentes acompanhados no CAPS IJ do município de Barueri, com abordagem de temas pouco difundidos e aprofundados pela sociedade no âmbito da saúde mental e que fazem parte da vivência de muitos adolescentes acompanhados no serviço.
O objetivo do estudo foi o de avaliar sobre como o processo de orientação aos pais, através de orientações e conversas sobre temas pouco difundidos e aprofundados em saúde mental, pode contribuir para o tratamento terapêutico da população atendida no CAPS IJ.
Trata-se de um grupo aberto, semanal, realizado no período da manhã, com duração de 45 minutos, conduzido por uma Psicóloga e uma Terapeuta Ocupacional junto aos familiares dos adolescentes acompanhados no CAPS IJ e que teve início em julho de 2023. O estudo abordado é de caráter qualitativo, onde a coleta das informações foi realizada através de relatos via diário de campo pelas profissionais responsáveis. Foram abordados temas pertinentes à saúde mental como período da adolescência, crises de ansiedade, prevenção ao suicídio, prevenção de abuso sexual, disforia de gênero, orientação sexual, autolesão, diagnóstico e medicamentos, expectativa e realidade em relação aos filhos, uso das redes sociais, limites do cuidado, cuidando de quem cuida.
Os responsáveis pelos adolescentes relataram ao longo dos encontros que o grupo proporcionou além de um espaço de escuta e acolhimento, também um processo de maior conhecimento, aprofundamento a respeito dos temas abordados e vínculo com o serviço. Ao longo dos meses houve maior adesão dos familiares, sendo que a equipe de modo geral observou maior apropriação de alguns familiares no cuidado com os adolescentes acompanhados pelo serviço. Após avaliação das terapeutas e discussão com a equipe que compõe o serviço, foi proposto que houvesse maior ampliação para que esse grupo também acontecesse em outro período e dias da semana, também com a possibilidade de caráter fechado de atendimentos para maior apropriação dos temas e adesão dos familiares que necessitam desse cuidado.
O grupo tem sido um espaço de maior informação, discussão e acolhimento dos familiares dos adolescentes acompanhados neste serviço. Ao longo do tempo, houve um movimento e empoderamento dos participantes que puderam esclarecer, sugerir e se aprofundar sobre temas considerados tabus para a sociedade no âmbito da saúde mental.
saúde mental, adolescente, parentalidade, educação
JULIANA MANINI, Regina Valinho