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A Atenção Básica configura-se como a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde, sendo responsável pela promoção da saúde, prevenção de agravos e acompanhamento contínuo da população. Nesse cenário, o cuidado farmacêutico destaca-se como componente essencial da assistência, uma vez que, o farmacêutico exerce papel fundamental para garantir que “os medicamentos sejam utilizados de forma segura, eficaz e racional” (OMS, 2012). A constância do cuidado farmacêutico na atenção básica contribui significativamente para a melhoria dos desfechos clínicos, especialmente no manejo de doenças crônicas e no uso prolongado de medicamentos.O acompanhamento sistemático permite a identificação, prevenção e resolução de problemas relacionados à farmacoterapia, favorecendo a adesão ao tratamento e segurança do paciente. A justificativa deste trabalho baseia-se na necessidade de evidenciar a relevância do cuidado farmacêutico contínuo na atenção básica, especialmente diante do envelhecimento populacional, ao aumento da polifarmácia e da prevalência de doenças crônicas. Segundo o Ministério da Saúde, “a atuação clínica do farmacêutico na atenção básica contribui para a resolutividade do cuidado e para a redução de agravos evitáveis” (BRASIL, 2014). Assim, compreender os impactos da constância do cuidado farmacêutico é essencial para o aprimoramento das práticas assistenciais, o fortalecimento das políticas públicas de saúde e a melhoria da qualidade de vida da população atendida.
Objetivo Geral Relatar os resultados do Cuidado Farmacêutico no acompanhamento farmacoterapêutico. Objetivo especifico. Apresentar os resultados da constância do Cuidado Farmacêutico em paciente portador de Diabetes acompanhado na UBS Júlio Lizart.
Homem 61 anos, ensino fundamental incompleto, sem familiares residindo consigo, refere ser portador de Hipertensão Arterial Sistêmica – HAS e também Diabetes Mellitus – DM, em acompanhamento Farmacêutico na Unidade Básica de Saúde – Júlio Lizart, após avaliação e encaminhamento da equipe multiprofissional, desde julho/2024, apresentava inicialmente, dificuldade no controle da glicemia (HbA1C 11,3%). A abordagem realizada, para as possíveis causas do insucesso farmacoterapêutico, começou com a análise de blísteres em uso e vida pregressa farmacológica (sistema informatizado). Após entender as possíveis causas para o evento, foi proposto a dispensação de medicamentos, de forma reduzida de 30 para 15 dias e o uso de caixa organizadora para maior controle nas consultas posteriores. Também foi encaminhado ao Nutricionista para avaliação e orientação nutricional e Assistente Social. Após isso, seguimos com acompanhamento quinzenais durante um período e após ver melhora na adesão e resultados seguimos com acompanhamento mensal.
Tabela 1 – Evolução dos exames laboratoriais durante acompanhamento do Cuidado Farmacêutico – abr/24 a set/25 DataGlicose (mg/dL)HbA1c (%)Colesterol Total (mg/dL)HDL Colesterol (mg/dL)LDL Colesterol (mg/dL)Triglicerídeos (mg/dL) abr/2412211,321253135120 nov/241457,82136213864 abr/257,21405959133 set/25646,3129724451 Os dados na tabela 1 apresentam a evolução dos exames bioquímicos, realizados no laboratório prestador de serviço do município de Barueri, no decorrer do acompanhamento do Cuidado Farmacêutico. Observa-se uma importante diminuição da HbA1c, Colesterol Total, Triglicerídeos e dos níveis da fração LDL-c. A redução destes parâmetros bioquímicos vão ao encontro das metas terapêuticas propostas pelas respectivas Sociedades (Diabetes e Cardiologia).
Os resultados evidenciam a relevância do acompanhamento farmacêutico contínuo na pessoa com diabetes. Em 09/2025 o resultado do exame de HbA1c foi de 6,3%, atingindo a meta terapêutica para idosos saudáveis conforme a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) de 2025. De acordo com o estudo UKPDS, cada 1% de redução na HbA1c leva a uma redução de risco de 14% de infarto agudo do miocárdio (IAM) e de 12% em acidentes vasculares cerebrais fatais e não fatais (AVC).4 O prolongamento observacional do UKPDS (UKPDS 88) mostrou que, quando a meta de HbA1c abaixo de 7% é atingida e mantida nos primeiros anos após o diagnóstico, há maior redução de incidência de IAM após 10 anos, comparada a pacientes que não atingiram a meta. Isso indica a importância de se iniciar e manter precocemente o controle da glicemia, reforçando a necessidade de combater a inércia do tratamento. Esse acompanhamento não só ajudou nos resultados para alcançar as metas, mas também promoveu educação em saúde, engajamento do paciente e melhora da qualidade de vida, tendo em vista que não mudou somente a hemoglobina glicada, como também o perfil lipídico do paciente, reforçando o papel do farmacêutico como profissional fundamental no cuidado integral à saúde.
Cuidado Farmacêutico, diabetes, equipe de saúde
LISA PAIM CARDOSO, MAÍSA MOISÉIS DE OLIVEIRA, LUANA AMORIM RAMOS, PRISCILA TATIANA MENDES TANAN, ANDRÉ LUIS DIAS LEMOS, DANIELE MENEZES TEIXEIRA, ELIZIA FERREIRA LEITÃO, KARINA NASCIMENTO CAVALCANTE, TALITA SALAVIAW, LUCIANA FRANCISCA DOS ANJOS, RICARDO VIEIRA DE OLIVEIRA SANTOS