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O município de Joanópolis está inserido na Região de Saúde de Bragança, pertencente ao Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS VII) e possui em torno de 13 mil habitantes. A municipalidade é signatária do Programa Saúde na Escola (PSE), instituído pelo Decreto nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007, que visa promover a saúde e o bem-estar dos estudantes da educação básica pública por meio da integração de ações de saúde e educação. Uma das ações a serem desenvolvidas está relacionada a Saúde Bucal. Considerando que a saúde bucal está relacionada a diversos outros fatores, como alimentação, higiene, educação e condições socioeconômicas a intersetorialidade assume centralidade na promoção da saúde bucal em escolares. A articulação entre diferentes setores, como saúde, educação, assistência social e outros, permite abordar a saúde bucal de forma abrangente e integrada, potencializando os resultados e o impacto das ações. Justificativa: o desenvolvimento de ações de prevenção e promoção da saúde de modo intersetorial e compartilhado, envolvendo também as famílias, pode ser justificado em virtude da alta prevalência de cárie, impacto na qualidade de vida, relação com a saúde geral, importância da formação de hábitos, acesso facilitado e necessidade de ações conjuntas entre diferentes setores.
Relatar a experiência do município de Joanópolis no desenvolvimento de ações intersetoriais de promoção à saúde bucal em escolares da rede municipal de ensino.
Foi realizada a primeira reunião entre a Secretária Municipal de Saúde (SMS) e de Educação (SME) no início de julho de 2024 para apresentação de propostas de trabalho conjunto. Após pactuação e alinhamento da parceria, foram apresentadas propostas de trabalho aos diretores de ensino e finalmente aos professores e supervisores por escola, bem como aos pais e responsáveis. Considerando que a municipalidade possui a especificidade de contar com consultórios odontológicos nas escolas municipais, as principais pactuações consistiram em ofertar o tratamento odontológico às crianças a partir da estratificação de risco de cárie, além da implantação da escovação dental supervisionada na rotina dos escolares e atividades de educação em saúde bucal. A ferramenta utilizada para a estratificação de risco de cárie em escolares foi a proposta pela Coordenação Estadual de Saúde Bucal do estado de São Paulo. A SMS ofertou para todas as crianças um kit de higiene oral composto por escova, creme e fio dental. Participaram desse processo toda a rede municipal de ensino composta por: duas creches municipais, a escola de educação infantil e as duas escolas de ensino médio, totalizando em torno de 2.100 crianças. Para o ano de 2025, com a mudança de gestão municipal, estão sendo retomados e reforçados os processos à semelhança do ano anterior, com o adicional de envolver também a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e da Cultura e Esportes.
A implantação da escovação dentária diária em creches e escolas foi disseminada e apoiada pelas chefias máximas de cada secretaria. Entretanto, pôde ser observada uma resistência de alguns professores/cuidadores, sobretudo, das creches. A não execução de escovação diária encontra-se atrelada ao discurso de “falta de tempo e sobrecarga de atividades” em razão da dependência de bebês, mesmo tendo a oferta de ingesta alimentar em 5 momentos diferentes do dia. Foram intensificadas as palestras educativas relacionadas ao cuidado em saúde bucal no ambiente escolar. No entanto, observa-se que nas escolas de 1º ao 6º ano, os percentuais de crianças com alto risco de cárie diminuíram, mas ainda se mantém elevados (escola Bayeux caiu de 48% em 2024 para 46% em 2025; escola Emília caiu de 47% para 41%). Na escola Vicente de ensino médio, caiu de 18% para 14%). Em resumo, pode ser constatada discreta diminuição do percentual de crianças por escola classificadas com alto risco de cárie no início de 2025 comparativamente ao ano de 2024. Desafios foram observados e necessitam ser enfrentados para a sustentabilidade de programas: resistência a mudanças por parte de profissionais e instituições acostumados a trabalhar de forma isolada, motivação e engajamento de profissionais, a falta de recursos financeiros, humanos e materiais, execução de ações interdisciplinares sem uma perspectiva de ação conjunta e integrada, em detrimento das efetivamente intersetoriais.
O desenvolvimento de ações intersetoriais pressupõe, muitas vezes, o desprendimento dos núcleos de saber paralelamente ao incentivo para a atuação em campos compartilhados do conhecimento. Inúmeros são os ganhos relacionados ao desenvolvimento das atividades intersetoriais, como por exemplo, melhor custo-efetividade e avanços no planejamento de ações coletivas e tomadas de decisão de modo democrático e participativo. Há que se perseverar na oferta de processos de educação permanente em saúde aos atores envolvidos, além de constante melhoria da comunicação, incentivo a troca de informações e a tomada de decisões conjuntas e estímulo constante às ações de prevenção e promoção da saúde. Embora a intersetorialidade na saúde seja um processo complexo e desafiador, seus benefícios para a população são inegáveis. Ao superar os obstáculos e dificuldades, é possível construir um sistema de saúde mais integrado, eficiente e capaz de promover o bem-estar de todos.
Intersetorialidade; Promoção em Saúde; Saúde Bucal
AMÉLIA KEIKO SAMOTO VÁSQUEZ, EDMÉIA RICANELLO DE ARAÚJO, CARINA DE OLIVEIRA CAMPOS, JÚLIA MODESTO DA COSTA, JULIA GABRIELA DE OLIVEIRA, ANA HELENA DA SILVA COSTA ALVES, DANIELE BENEDITI BRAGION