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Há muitos preconceitos para com as pessoas que vivem com HIV e estes são ampliados quando direcionamos a nossa atenção para a mulher vivendo com HIV (MVH) e gestante. Além dos indicadores sociais o diagnóstico de HIV é um agravamento para todas essas barreiras, vulnerabilizando e estigmatizando as pessoas, aumentando o sofrimento e dificultando a vinculação aos serviços. Quando atendemos uma pessoa, temos que olhar para além das questões biomédicas e buscar considerar sua trajetória de vida individual e sua inserção e comunicação com o coletivo. A mulher aqui retratada é um retrato de muitas outras mulheres que são invisibilizadas por um conjunto de regras moralizantes e estigmatizantes, para proteger a sua história, a chamaremos por nome fictício como Maria, gestante, com 26 anos, desempregada, com dificuldades para realizar as atividades básicas para uma pessoa adulta, como gestão do tempo, transitar entre o bairro e o centro da cidade, identificar as diferentes notas de dinheiro, há também o uso de substancias psicoativas, histórico de possíveis violências. Tornando difícil a compreensão da sua saúde e cuidados prolongados sem supervisão. A forma como a Sra. Maria se relaciona consigo mesma, com a sua família e a sociedade até este momento, não há elementos suficientes para determinar que as suas habilidades ou a falta delas são decorrentes do uso abusivo de substâncias psicoativos ou de falta de estímulos na infância ou culturais ou até mesmo a fatores genéticos.
Geral Apresentar uma experiência de trabalho no formato de poster eletrônico que foi realizada pela equipe do CEMIN, no município de São Sebastião. Específicos: Diminuir o risco de transmissão vertical; Promover a equidade no atendimento para as pessoas gestantes que vivem com HIV; Viabilizar o atendimento integral da gestante que vive com HIV; Garantir a utilização da medicação antiretroviral em todo período gestacional; Garantir que o bebê, após o nascimento recebe profilaxia pós exposição e fórmula infantil.
Tendo em vista o Pacto Nacional para a eliminação da transmissão vertical de HIV até 2030, visando o comprometimento com a saúde pública no Brasil esta experiência se faz relevante por representar o envolvimento dos profissionais de saúde de São Sebastião em buscar garantir a realização dessa meta, a qual expressa um indicador de qualidade dos serviços ofertados na rede de atenção à saúde. A equipe do CEMIN utilizou informações contidas em prontuário, referências teóricas para elucidar o acompanhamento da Sra. Maria, principalmente no período gestacional. Foi utilizado atendimento individual e familiar, atendimento domiciliar, estudo de caso em rede socioassistencial. As articulações realizadas com a equipe de saúde da atenção básica foram essenciais para promover o cuidado e tratamento dessa gestante. No decorrer do atendimento, foi notória a adesão ao tratamento devido ao seu desejo em maternar, já que não foi possível cuidar dos outros filhos, esta era possivelmente a terceira gestação. A Sra. Maria transita em três casas onde busca por cuidados e afeto. Uma das casas reside o seu ex companheiro, pai do filho recentemente diagnosticado com autismo, atual companheiro da mãe. Nas outras, residem separadamente os companheiros da Sra. Maria. Todos residem no mesmo território e estão ciente dessas relações.
O comprometimento das equipes envolvidas foi essencial para alcançar com sucesso os objetivos elencados, ressaltando que neste caso foi essencial o acompanhamento mais incisivo, pois não podíamos contar com o apoio familiar para acompanhá-la em todas as consultas de pré-natal e nem para retirada das medicações, sendo imprescindível levar a medicação a domicilio ou na USF e um profissional da saúde acompanhá-la nas consultas e exames. Obtivemos como resultado de nossas ações em conjunto com a rede intersetorial 100% em todas as categorias, incluindo os cuidados no puerpério e com o bebê que está sendo cuidado pela família extensa. A Sra. Maria, conseguiu acessar as consultas e exames do pré-natal, fez uso da medicação antiretroviral em toda a gestação. A carga viral no período do parto estava não detectada. A equipe da maternidade estava previamente preparada para atendê-la, foi realizado parto Cesária, o bebê foi prontamente atendido e recebeu a medicação de profilaxia. A mãe não amamentou e foi supervisionada para que isso não acontecesse. A equipe do judiciário delegou, na pós alta, os cuidados do bebê para a família extensa até realizarem uma nova avaliação. Sra. Maria é beneficiária do programa bolsa família, recebe cesta básica do CRAS. Não tem nenhum diagnóstico neurológico ou psiquiátrico, pois tem dificuldade em aderir ao tratamento. Diante da complexidade foram realizadas ações intersetoriais com as equipes da rede de garantia de direito e assistência social.
A erradicação da transmissão vertical pelo vírus do HIV é uma meta prevista mundialmente, em 2024 o governo federal investiu mais de 2 bilhões de reais, mas o impacto é imensurável na vida individual dessa criança que nasce sem o vírus, possibilitando um desenvolvimento biopsicossocial e cultural livre de cuidados periódicos com a saúde relativos ao HIV, além dos preconceitos e estigmas. Cabe ressaltar que a separação da MVH e do seu bebê não é uma pratica comum, e nem deve ser considerada sem estar devidamente contextualizada e incluída em um cenário de desproteção social e com possibilidades de agravamento das violações de direito da criança. A equipe do Cemin continuará o acompanhamento desse bebê até um ano e seis meses de idade para consultas, exames laboratoriais e medicações se forem prescritas pelo infectologista. Esta criança não poderá receber o leite materno, por isso, será disponibilizado formula infantil. O tratamento para HIV da Sra. Maria continua a ser realizado pela equipe do Cemin com articulação da USF do seu território. Primando pelo cuidado a saúde de forma integral esta também é acompanhada pelo CAPS-AD, almejamos que futuramente consiga se vincular a esta equipe.
invisibilidade, ações, integralidade, equidade.
CAMILA TAINARA DA CRUZ OLIVEIRA, ELAINE NEVES, SUELLEN DAS CHAGAS BITENCOURT, ANGELICA OLIVEIRA COSTA, LAYSA CHRISTINA PIRES DO NASCIMENTO, DILMARA OLIVEIRA ABREU