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O emprego de atividades musicais com crianças é uma prática usada em muitos contextos e pode ser utilizado como um tipo de intervenção em saúde com grande potencial a nível multidisciplinar. De acordo com Nascimento et. al (2015), a música, além de proporcionar bem-estar, pode ser grande aliada para o desenvolvimento de crianças com transtorno do espectro do autismo (TEA). A música também possui aplicabilidade terapêutica quando inserida no tratamento de crianças com o diagnóstico de TEA, sendo de extrema importância para que essas crianças tenham um tratamento mais humanizado. Ela auxilia esses pacientes atuando nos aspectos da comunicação verbal e não verbal. É possível construir essa comunicação entre o terapeuta e o paciente apenas pelo som emitido, ou seja, pela melodia da música, o que representa grande avanço no quadro do transtorno, já que os autistas têm características muito particulares em relação à comunicação. Ademais, segundo Bertoluchi (2011) apud Nascimento et al.(2015), a música tem a capacidade de promover o equilíbrio emocional e a socialização, bem como auxiliar no desenvolvimento da linguagem e da capacidade inventiva, contribuindo também em aspectos como expressividade, consciência corporal, coordenação motora e motricidade fina, percepção sonora e espacial, raciocínio lógico e apreciação do som. Neste trabalho serão apresentados os benefícios da utilização da música no setting terapêutico, impactando no desenvolvimento de crianças com TEA.
Este trabalho pretende compreender como a música pode ser aliada à prática clínica multidisciplinar, na proposição de um caminho para um tratamento mais naturalista de crianças diagnosticadas com TEA.
Para analisar melhor os resultados obtidos, foi realizado pesquisa de campo através de filmagens e fotos, elegendo os momentos considerados mais relevantes do processo. Foram gravados vídeos de crianças que vinham apresentando comportamentos disruptivos para entrar na sala de terapia, tendo episódios de choro, birras, negando-se a entrar sem a presença do genitor nas sessões tanto da terapia em grupo quanto individual. Para isso, também foram utilizados: ● instrumentos musicais ‘mini-banda’ (instrumentos musicais infantis de percussão como tambores com baquetas, pandeiro, triângulo, reco-reco, casco de côco) ● ukulelê (instrumento utilizado por uma das terapeutas, tocando canções infantis, bem como também outras canções improvisadas dentro do contextoda atividade utilizada durante as sessões).
Foram observados muitos benefícios da utilização da música no setting terapêutico.A música auxiliou no desenvolvimento de habilidades básicas: contato visual, imitação, seguimento de comandos simples; no âmbito da linguagem houve considerável aproveitamento linguístico a partir da entonação melódica proporcionada pela música, auxiliando para o aumento do repertório da fala. Quantoàs habilidades sociais, pôde-se observar melhor interação e percepção do outro e atenção compartilhada. Dentro do domínio prático, as atividades realizadas com o recurso da música, auxiliaram na melhora da consciência corporal, coordenação motora e motricidade fina, percepção sonora e espacial e melhor resposta adaptativade estímulos sensoriais.
Considerando as dificuldades da criança dentro do espectro autista de interagir como ambiente e as relações envolvidas no mesmo, a música vem representando para a criança um elo entre aquilo que lhe já é conhecido e o desconhecido, auxiliando na diminuição do estresse, onde a criança é capaz de expressar melhor os sentimentos, sentindo-se mais familiarizada e segura com o ambiente, proporcionando melhor qualidade de vida às crianças com TEA.
Musica, reabilitação
Cibele Pereira Silva Gnand, Giani Teresinha dos Santos, Luciane de Cássia Santarosa