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As mudanças climáticas são uma grande preocupação à saúde pública. Entender o processo de adoecimento causado ou agravado pelos efeitos das mudanças climáticas ainda é um desafio aos profissionais de saúde, implicando uma profunda reavaliação na proposta de organização e desenhos de modelos assistenciais. O relatório da Unicef 2022, mostra que cerca de um bilhão de crianças em todo o mundo sofrem com os efeitos das mudanças de clima e temperatura. Complementar a essa informação, em 2023 as internações de bebês no Sistema Único de Saúde (SUS) por problemas respiratórios foram recorde. Portanto, ponderando o fator climático como agravante de afecções respiratórias à população pediátrica, e o Brasil, um país onde os eventos climáticos extremos tornam- se cada vez mais comuns. Discute-se a relevância da gestão e ferramentas para interpretar a sazonalidade climática das doenças respiratórias na infância. Para isso, a coordenação de fisioterapia do Hospital de Urgência do município de São Bernardo do Campo, por meio da compilação de dados, entende a importância de explorar esses indicadores como instrumentos de auxílio para planejamento estratégico e situacional otimizando melhorias na saúde, uma vez que 30% das doenças infantis possam ser atribuídas aos fatores ambientais.
O estudo tem o objetivo em caráter comparativo e retrospectivo avaliar o impacto da mudança climática na saúde respiratória da população pediátrica atendida no Hospital de Urgência no município de São Bernardo do Campo pela equipe de fisioterapia nos anos de 2023 e 2024. Contudo, compreender a correlação entre a mudança climática e a prevalência de determinadas afecções respiratórias, ou seja, analisar a sazonalidade climática das doenças respiratórias.
Análise de literatura onde foram selecionados estudos sobre os efeitos climáticos na saúde respiratória em crianças, e as mudanças climáticas como novo marcador ou agente transformador nessa população. Como também, sobre as principais doenças respiratórias na infância e complicações secundárias. As bases eletrônicas consultadas foram PubMed, LILACS e Scielo. Utilizou-se as palavras chaves: doenças respiratórias, infância, mudanças climáticas e sazonalidade. Outras plataformas digitais usadas para a pesquisa de variáveis meteorológicas foram o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais). Enquanto o levantamento de dados a respeito das afecções respiratórias no eixo pediátrico foi extraído pelo sistema de informação em saúde MV-PEP do Hospital de Urgência de SBC. E, a partir daí constituíram os indicadores (referentes 2023-2024) tais como: número de internações na pediatria por afecções respiratórias em um limite de faixa etária entre 0 dia e 11 anos e 11 meses, tempo de internação (em dias ou meses), unidade de internação (enfermaria ou unidade de terapia intensiva), e a assistência fisioterapêutica.
As afecções respiratórias em ordem de prevalência nos anos estudados, na população pediátrica, conforme os dados obtidos através dos indicadores do HU foram: Pneumonia, Bronquite, Broncopneumonia, Asma e Bronquiolite.Os casos de Pneumonias no ano de 2024 foram menos frequentes do que em 2023. A literatura nos traz que períodos de menores temperaturas, maior taxa de umidade relativa, menor taxa de insolação, diminuição do vento e do aumento da pressão atmosférica favorecem a incidência de casos de Pneumonia. Talvez isso, explique o baixo número de quadros pneumônicos, já que o clima em 2024 foi marcado pelo registro de altas temperaturas, redução de chuvas e incêndios com áreas cobertas por nuvens densas de fumaça. Os meses de agosto e setembro de 2024 mostraram expressivo aumento nas internações das crianças bronquíticas concomitante a baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas. Entretanto em 2023 a maior incidência de bronquites aconteceu no mês de abril, sabidamente onde há maior prevalência de doenças respiratórias, meses de outono e inverno. O maior número de internações no eixo pediátrico, ainda permanece em decorrência da bronquiolite. E os meses de março e abril, continuam sendo o pico sazonal da doença. Quanto ao número de internações percebeu-se uma retração. Enquanto, o tempo de internação apresentou uma crescente, presumindo maior tempo de assistência, o que tornou possível a estabilidade no número de atendimentos fisioterapêuticos de um ano para o outro.
O gerenciamento constante de indicadores assistenciais trouxe à margem dados sob à população pediátrica atendida no Hospital de Urgência (HU) com diagnóstico de afecções respiratórias. E possibilitou constatar uma tendência de diminuição no registro de casos de pneumonia, enquanto para os casos de bronquiolite, bronquite e asma houve um aumento. Em relação à taxa de broncopneumonia não houve variação expressiva, paralelo ao contexto climático. Entende-se à continuidade a esse estudo, no intuito de analisar o panorama das hospitalizações futuras e o comportamento das afecções respiratórias, sob influência da sazonalidade. Corroborando com a sugestão da Organização Mundial de Saúde, que estimula a criação de modelos capazes de prever um aumento de doenças, e de grande valia ao combate e prevenção de epidemias, organizando desse modo, os serviços de saúde e os demais setores para alcançar as necessidades e expectativas da população.
Fisioterapia, sazonalidade, infância, respiratória
MARIA JULIANA MARTINS DE MORAES, FABIANA PRACIDELLI MORGANTI, THAJI RODRIGUES DI CATTE