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Este artigo relata a experiência de um Assistente Social como primeiro profissional de sua área a ocupar o cargo de Diretor Técnico do Centro de Atenção Psicossocial Infantil de Santana de Parnaíba. No CAPS Infantil, o foco recai sobre crianças e adolescentes, para os quais os fatores sociais, familiares e de contexto são determinantes para o bem-estar mental (Brasil, 2013). Desde sua criação, o Caps Infantil “Espaço de Vida” de Santana de Parnaíba foi gerido por profissionais de Psicologia. Em outubro de 2024, o então secretário de Saúde, Dr. José Carlos Misorelli (em memória), fez a nomeação de um Assistente Social para o cargo de Diretor Técnico. A nomeação trouxe perspectiva centrada nos direitos das crianças e adolescentes, articulação intersetorial e foco no contexto social dos pacientes como parte do cuidado. Este artigo conta a experiência e seus impactos no funcionamento da unidade e na gestão de um assistente social em Unidade de Saúde Mental de média e alta complexidade. Não seria possível desenvolver o trabalho frente ao Capsi sem o apoio da equipe, desde a recepção até o médico; tão logo, investir no bem-estar dos servidores e participar ativamente nos atendimentos prestados aos pacientes e seus familiares foram fatores determinantes para que a gestão obtivesse êxito nesses 16 meses. Ainda cabe ressaltar a participação ativa da Coordenação de Saúde Mental.
A formação em Serviço Social proporciona uma visão holística do indivíduo, inserido em uma rede de relações sociais, econômicas e culturais. No campo da saúde mental, essa abordagem complementa o olhar clínico, ao considerar que o sofrimento mental está intrinsecamente ligado a condições de vida, vulnerabilidade, violência e falta de acesso a direitos básicos (Melo & Silva, 2020). Diante dos fatos narrados, este artigo tem como objetivo: Relatar experiência exitosa sob a perspectivas do Serviço Social na gestão do Caps Infantil Espaço de Vida” realizada no período de outubro/2024 até os dias atuais. Associar a saúde mental dos infantes aos fatores sociais aos quais estão inseridos e evidenciar que o tratamento é mais eficiente quando atua-se para além dos sintomas, ou seja, atender a criança e adolescente em sua totalidade, respeitando que são pessoas em desenvolvimento, prestando o atendimento com foco na inclusão social e mediações dos seus direitos.
Relato de experiência exitosa sob a perspectivas do Serviço Social na gestão do Caps Infantil Espaço de Vida”, realizada no período de outubro/2024 até os dias atuais, com enfoque na análise das ações implementadas e dos indicadores de desempenho da unidade. Foram utilizados dados de registros institucionais.
Como primeiro Assistente Social à frente do CAPS Infantil, o desafio foi integrar essa perspectiva à gestão, sem perder o foco na qualidade do atendimento da equipe multidisciplinar. Gestão centrada na família e contexto social: Foram implantados 02 grupos para atendimento das famílias; Participação ativa da gestão do Caps Infantil nas reuniões quinzenais com rede de proteção à criança e adolescente que participam: Desenvolvimento Social, Saúde, Educação, Conselho Tutelar e SAICA. Montada equipe técnica de referência do Capsi para articulação com cada órgão da rede municipal. A aproximação com o Ministério Público para tratativas de casos complexos, principalmente os que envolvem violações dos direitos dos infantes. RAPS – Agendados os matriciamentos com a Atenção Básica de 2026. Parcerias para atividades externas: Em 2025 foram oferecidas diversas atividades terapêuticas externas. Locais: Cinemark, Pinacoteca, Museu Catavento, Museu do Ipiranga, Parque Mundo da Criança. Para o ano de 2026 foi firmada parceria com a Pinacoteca para 08 visitas para os pacientes do Caps Infantil, dentre estas, 02 são somente para familiares. Além dos eventos internos sazonais ( Dia das Crianças, Festa Junina e Natal). Em alusão ao Janeiro Branco, o Caps Infantil realizou atividade entre pacientes e familiares na oficina de pintura em parede. Estas atividades têm aproximado o Capsi com as famílias. Para os profissionais, foi proporcionado o dia da beleza e café da manhã coletivo.
A administração do CAPS Infantil “Espaço de Vida” sob a ótica do Serviço Social é entender que crianças e adolescentes, pacientes do Capsi, em sua maioria são frutos dos respectivos contextos familiares, relações sociais, em especial que se dão no contexto escolar; tão logo, atuar na causa do adoecimento mental destes, é considerar suas vulnerabilidades, negligências sofridas e mediar o acesso aos direitos preconizados pelo ECA – Estatuto da Criança e Adolescente. Terapias e medicamentos são insuficientes para reabilitação. Essa perspectiva evidencia que os infantes emocionalmente desestabilizados e/ou com outros diagnósticos de Saúde Mental são comorbidades da vulnerabilidade social, violência, negligência, exclusão social, bullying e vínculos familiares fragilizados. Destarte, a articulação permanente com a rede de proteção à criança e adolescente, paralelamente ao trabalho em conjunto com as escolas, parcerias com o terceiro setor e mediação nas famílias são indispensáveis para estabilização do adoecimento anteriormente citado. Ainda existem mitos e desinformações em torno dos Caps e os pacientes sofrem o peso histórico da exclusão. A saúde mental é importante e anseia por visibilidade. Educar sobre o tema é imperioso.
Gestão, Caps Infantil; Saúde Mental e Infância.
SOLANGE RODRIGUES ROSSONE, ENEIDA COSTA RAMALHO, RAFAEL RAFAINI LLORET, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE