Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Mesmo antes do inicio da pandemia de Covid-19, o mundo já estava passando por um período de declínio nas coberturas vacinais, vários fatores têm influenciado nesse cenário como o desconhecimento da gravidade dessas doenças por parte da população, os Fakes-News que repercutem na hesitação em vacinar, e problemas estruturais no país. Além disso os pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes muitas vezes desconhecem o parágrafo 1 do 14º artigo do ECA, que diz que é obrigatória a vacinação das crianças quando recomendado pelas autoridades sanitárias. Com um dos menores índices de procura estão a vacinas contra HPV que deve ser administrada em adolescentes e que tem como objetivo prevenir a infecção pelo vírus HPV, principal causador do câncer de colo de útero, sendo este o terceiro câncer que mais mata mulheres no Brasil. As três esferas de governo vêm trabalhando em conjunto, através do microplanejamento das atividades de vacinação, buscando estratégias para garantir a alta qualidade destas atividades, o reestabelecimento e manutenção das coberturas vacinais. A equipe de saúde do Município de Descalvado, que se encontra na Região Coração do GVE Araraquara e tem uma população de cerca de 34.000 habitantes, tem se reinventado e se esforçado para garantir que doenças imunopreviníveis não acometam ou não sejam reintroduzidas na vida da nossa população. Através de ações de busca ativa de faltosos, vacinação extra-muro e em horários alternativos, com apoio de outros setores.
O objetivo desse trabalho é realizar ação multisetorial, sensibilizar os responsáveis e vacinar meninos e meninas dos quartos e quintos anos do ensino fundamental do município de Descalvado com a vacina HPV, além de outros imunobiológicos que possam estar em atraso.
Em agosto de 2023, após reunião entre representantes da Secretaria de Educação e Saúde, onde foram avaliados que os dados apontavam baixa cobertura vacinal dos imunobiológicos recomendados nesta idade escolar, ficou acordado que faríamos um trabalho de verificação de cadernetas de vacinas e busca ativa dos adolescentes com vacinas em atraso.Os diretores de escola solicitaram aos pais uma cópia das cadernetas de vacina de seus filhos no ato da matrícula, e nos forneceram a cópia de 644 alunos dos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental das cinco escolas municipais de Descalvado e, após a verificação, foi confeccionado um bilhete nominal para 394 adolescentes que estavam com vacina em atraso, dando um prazo de 15 dias para o comparecimento na sala de vacinas do Cento de Saúde Dr Vital Brasil. A equipe do Centro de Saúde, disponibilizou horários alternativos duas vezes na semana até as 19h, campanhas aos sábados e dia D de vacinação. Foram feitas também campanhas de divulgação através do rádio, jornais, redes sociais e em organizações sociais como igrejas, grupos de teatro e musica. Contamos também com a ajuda dos Agentes comunitários de saúde e das equipes de Atenção Básica para essa divulgação e busca ativa. Após 60 dias da primeira convocação, 39 alunos (6%) não haviam procurado a sala de vacinas para regularização vacinal, quando foi encaminhado ao conselho tutelar a lista dos alunos faltosos, que notificaram e orientaram as famílias da importância e obrigatoriedade da vacinação
De 644 cadernetas avaliadas, 394 adolescentes (61%) não haviam tomado nenhuma dose ou completado o esquema vacinal contra HPV. Após a primeira etapa de convocação através de bilhetes e convocação pelos ACS, 39 adolescentes (6%) não haviam procurado a sala de vacinas para regularização vacinal. E depois de receberem a notificação do conselho tutelar, apenas 2 crianças (0,31%) não tiveram suas vacinas regularizadas, sendo que uma apresentou recusa e depois mudou-se do município e outra está realizando exames médicos com Alergologista. Ou seja 99,69% dos adolescentes foram vacinados com os esforços deste trabalho. Também houve um aumento de 92,5% no número de doses de vacina HPV aplicadas em comparação ao ano de 2022, sendo 680 doses aplicadas em 2022 e 1309 doses em 2023.
A intersetorialidade como prática de gestão na saúde permite o estabelecimento de espaços compartilhados de decisões entre instituições e diferentes setores do governo que atuam na produção da saúde e na formulação, implementação e acompanhamento de políticas públicas que possam ter impacto positivo sobre a população. Neste trabalho observou-se a potência da intersetorialidade para atingir o objetivo estabelecido e consequentemente prevenir doenças de grande impacto como o câncer de colo de útero.
ADOLESCENTES, HPV, INTERSETORIALIDADE
Michelli Fabiana Longo, Silvia Cristina Sass, Renata Cristina Stein