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Elaborada em 1986, na Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, a Carta de Ottawa destaca o desenvolvimento da política pública saudável em todas as esferas governamentais, indo além do setor da saúde e reorientando a promoção da saúde todos os níveis de atenção. A Promoção da Saúde (PS) propõe uma mudança de paradigma, pois não se limita as atividades coletivas, educativas ou propostas de mudanças de comportamentos, ela propõe mudança no modelo biomédico, prescritivo e centrado no profissional, e considera a concepção da clínica ampliada em saúde, que legitima a equidade, autonomia e o protagonismo dos sujeitos a forma de se relacionar com a saúde. O Programa Agita Assis, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, propõe um modo de cuidado contra hegemônico baseado na PS que favorece o cuidado integral e o funcionamento interdisciplinar com as equipes de saúde da Atenção Primária à Saúde (APS). Com início em 2002, antes mesmo da Política Nacional de Promoção da Saúde – Portaria GM 687 de 30/03/2006- ser instituída, Assis já discutia a inserção e o papel do profissional de educação física na APS afim de combater o sedentarismo e fortalecer o enfrentamento às condições crônicas.
Geral: Resignificar a condição de saúde dos usuários numa visão biopsicossocial incentivando o protagonismo do indivíduo na participação e no controle de sua saúde. Especifico: Desenvolver atividades corporais, estimular a prática de atividade física, compor grupos de promoção da saúde junto de equipe multiprofissional, realizar atividades extramuros e organizar um calendário com eventos comemorativos para os grupos.
O Programa possui 11 profissionais de educação física inseridos em todas as unidades básicas de saúde, sendo referência à 21 equipes da APS, atendendo aproximadamente 400 pessoas. A prática de atividade física acontece de segunda a quinta-feira às 7h30. Os usuários podem participar de mais de um grupo, realizando a prática quatro dias na semana. Durante as aulas são realizadas diversas atividades visando o avanço na melhora da qualidade de vida e da manutenção das suas condições funcionais a fim de mantê-los ativos e independentes, prevenindo as doenças e complicações causadas pelo estilo de vida sedentário. As atividades são diversas, incluindo caminhadas, dança, atividade aeróbica e localizada, atividades esportivas, trabalhando força, equilíbrio, ritmo, agilidade, coordenação motora, lateralidade, entre outras. Além das atividades diárias específicas, é realizado encontros entre todas as turmas para as datas comemorativas como festa junina, dia das mães, dia da mulher, desfile cívico, dia mundial da atividade física, dia do idoso, dia dos pais, show de talentos, etc. Assim, conseguimos proporcionar momentos de interação social e descontração entre eles. Devido a falta de espaço físico e infraestrutura, as atividades são realizadas em espaços comuns nos territórios de saúde, e um salão na zona rural. Contudo, todas as Unidades Básicas de Saúde possui um profissional de educação física de referência para as necessidades da sua equipe.
As práticas corporais em grupo mantêm os usuários ativos e participantes nas atividades socioculturais, promovendo a saúde e prevenindo danos ou sofrimentos que possam comprometer as práticas de hábitos de vida saudáveis, impactando negativamente na condição de saúde física, social e mental. As práticas são associadas a educação em saúde, e assim a autonomia dos sujeitos é potencializada, uma vez que eles se conhecem e reconhecem suas necessidades e assim, procuram menos os serviços de saúde. A equipe carrega como lema o fortalecimento do vínculo: fazer junto, aprender junto, se tornar parte. Com isso, todos ganham, trabalhadores e usuários, pois a construção compartilhada de conhecimentos proporciona troca de experiências e vivencias. E é nessa relação que o elo vai sendo construído e fortalecido: no encontro, no afeto, na partilha. Podemos exemplificar isso com o momento que passamos na pandemia, quando não haviam os encontros presencias e os profissionais se comunicavam com os usuários pelo whatsapp e por visitas peridomiciliares, seguindo as medidas protetivas para a prevenção de contaminação do Coronavírus. Isso garantiu o retorno presencial dos usuários às atividades grupais no período pós pandemia.
Entende-se que a prática de atividade física inserida nos territórios de saúde- APS, contribui para o cuidado ampliado e fortalece o vínculo, contribuindo assim para o reconhecimento de suas necessidades e a busca pela autonomia. Esperamos que essa experiência possa contribuir a outros municípios para inserir e reconhecer a importância das práticas de promoção de saúde, sobretudo a atividade física, e do papel do profissional de educação física na equipe de saúde.
Prática corporal; promoção da saúde; sedentarismo
CAMILA DE MORAES DELCHIARO, Ana Maria Miranda, Ana Paula Palma Tomilheiro, Kelli Cristina Gomes, Cassiano Machado de Lima, Maria Lucia Pansani Ogeda, Vinicius Santos Rolfini, Larissa Roma Moreno Busnelo, Anderson Vieira, Jose Carlos de Souza Neto, Danila Bernardes Santos