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Nos últimos anos, os dados sobre a prevalência do TEA têm aumentado consideravelmente. O Centro de Controle de Doenças (CDC) indicou em 2023, que 1 de cada 36 crianças de 8 anos são autistas nos Estados Unidos. O número deste estudo é 22% maior que o anterior, divulgado em dezembro de 2021 — que foi de 1 em 44 (Maenner et al, 2021). Os serviços de saúde do município de Santana de Parnaíba também têm vivenciado crescente demanda de solicitações para o atendimento dessa população. O Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) era responsável pelo atendimento de grande parte das crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com o aumento significativo dos casos e a busca por um atendimento de qualidade, fez-se necessário a ampliação do serviço, e a contratação de uma nova equipe multidisciplinar, que atua desde agosto de 2024, estabelecendo assim, o funcionamento do novo Espaço de Referência ao Autismo (E.R.A.), que agora é responsável pela assistência específica à essa população. Estamos constantemente em busca de soluções que atendam às demandas crescentes, a complexidade cada vez maior dos casos atendidos e a expectativa da família em relação ao serviço prestado. O trabalho em equipe, a interdisciplinaridade e o trabalho em grupo têm sido valiosas estratégias para os desafios que envolvem as questões relacionadas ao TEA.
O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência do trabalho interdisciplinar e do atendimento em grupo de pacientes autistas no Espaço de Referência ao Autismo. Esses modelos de atendimento visam melhorar a qualidade do cuidado ao paciente, atender ao crescente número de usuários que procuram o serviço, garantir eficiência no trabalho, atender a complexidade crescente dos casos atendidos e melhorar a experiência dos profissionais que prestam o atendimento.
O tratamento da pessoa com TEA pode ser realizado através de diferentes abordagens, considerando as características centrais do autismo, como dificuldades sociais, cognitivas e comportamentais (APA, 2023). O PTS (plano terapêutico singular) de cada paciente é construído a partir de um conjunto de propostas terapêuticas, articuladas pela equipe multidisciplinar juntamente com os familiares. O tratamento é preferencialmente em grupo, o que, além de atender aos objetivos específicos de cada participante, fornece um ambiente estruturado para trocas sociais entre eles. Entre as possibilidades de grupos terapêuticos do serviço, destacam-se: Estimulação Precoce, Habilidades Motoras, Habilidades Básicas, Comunicação e Linguagem, Intervenção Comportamental, Seletividade Alimentar, Atividades de Vida Diária, entre outros. Os grupos são compostos por equipe multidisciplinar, incluindo dois ou três profissionais das diferentes áreas, conforme as habilidades específicas a serem trabalhadas em cada grupo. Participam dos grupos entre 3 e 5 pacientes, dependendo da complexidade dos casos atendidos. As sessões ocorrem uma vez por semana, com duração de uma hora, em salas terapêuticas definidas de acordo com as habilidades propostas por cada grupo. O trabalho em grupo baseia-se na importância da formação de vínculos, na ludicidade e na criação de oportunidades de comunicação e interação como fundamentos essenciais para a habilitação e reabilitação dessas crianças.
Temos vivenciado, em nossa prática, que o compartilhamento das experiências clínicas, o planejamento, a avaliação e a execução de ações conjuntas entre os diferentes profissionais têm proporcionado maior eficácia nas intervenções. O trabalho, caracterizado por maior sobreposição das profissões, as discussões e a resolução dos problemas em conjunto, a troca de experiências e a comunicação entre os diversos profissionais que prestam o atendimento como psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos, permite que alcancemos mais do que individualmente e atendamos um maior número de pessoas. Outra estratégia adotada, os atendimentos em grupo, proporcionam oportunidades de interação social, desenvolvimento de habilidades comunicativas, ao mesmo tempo que diminuem os comportamentos inadequados, aspectos centrais do TEA. No tratamento em grupo, as práticas interdisciplinares se mostram especialmente valiosas na medida em que treinam a comunicação e as habilidades sociais em um ambiente natural com pares da mesma idade, o que torna o processo mais genuíno e motivador.
O aumento no número de crianças diagnosticadas com TEA exige conscientização, além da implementação de uma abordagem interdisciplinar na prestação de serviços que promovam efetivamente o cuidado à saúde e resultados eficientes para a criança com TEA. A contínua avaliação e quantificação desses resultados são essenciais para garantir a eficácia das intervenções e possibilitar ajustes necessários. O Espaço de Referência ao Autismo iniciou a utilização de protocolos para avaliar e sistematizar essas ações de forma a aprimorar o atendimento oferecido.
Autismo, grupo, atendimento interdisciplinar, TEA
ELEN ALVES LOURENÇO, LETÍCIA MERLIN DE QUEIROZ, LUCIANA PETRAUSKAS PAIVA, SOLANGE RODRIGUES ROSSONE, ENEIDA COSTA RAMALHO, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE