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ara o fortalecimento dos princípios do sus municipal — integralidade, equidade e universalidade. Foi desenvolvida na unidade básica de saúde dr. Pedro Agapio de Aquino Netto, organizada na lógica da estratégia saúde da família, em Campinas, iniciando-se no segundo semestre de 2024 e consolidando-se ao longo de 2025. Participaram do processo as pediatras da unidade, equipes de saúde da família (médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde), gestão local, apoio distrital e parceiros intersetoriais da educação e assistência social. A população beneficiada incluiu crianças e adolescentes adscritos ao território, suas famílias, profissionais da rede educacional e famílias em situação de vulnerabilidade acompanhadas pelo cras. A experiência ampliou o alcance das ações pediátricas para além do consultório, incorporando atividades coletivas, apoio matricial e articulação intersetorial, aumentando o acesso qualificado às ações de promoção, prevenção e cuidado infantil no território.
Reorganizar o processo de trabalho da pediatria na atenção primária com o objetivo de alinhar a prática assistencial aos princípios da estratégia saúde da família, ampliando a integração multiprofissional e territorial. Buscou-se reduzir a fragmentação do cuidado, qualificar a resolutividade das equipes de referência, ampliar ações de promoção e prevenção em saúde infantil e fortalecer a articulação intersetorial com educação e assistência social. Pretendeu-se também deslocar o modelo centrado na consulta individual para uma abordagem que combinasse clínica, matriciamento e ações coletivas, aumentando o acesso equitativo da população infantil e contribuindo para a identificação precoce de vulnerabilidades no território.
A intervenção foi construída por meio de reuniões de pactuação entre gestão da unidade, apoio distrital, pediatras e equipes de saúde da família, definindo a remodelagem das agendas médicas. Parte do tempo assistencial foi protegida para ações territoriais, educativas e matriciais. Foram desenvolvidas atividades coletivas em escolas, creches e na unidade, abordando temas como aleitamento materno, desenvolvimento infantil, alimentação saudável e atividade física. As pediatras passaram a participar de visitas domiciliares complexas, reuniões de discussão de casos e apoio técnico às equipes, caracterizando o matriciamento. Houve articulação intersetorial com a educação, fortalecendo o programa saúde na escola, incluindo avaliação de saúde e capacitação de professores, e com a assistência social, estabelecendo fluxo de acompanhamento conjunto com o CRAS para famílias vulneráveis. Participaram profissionais da APS, gestores, trabalhadores da educação e assistência social, além da população infantil do território.
Inicialmente houve resistência da equipe e da população devido à redução de consultas individuais e mudança no papel tradicional da pediatria. A comunicação contínua e a apresentação dos objetivos permitiram gradual adesão ao novo modelo. Observou-se ampliação do acesso às ações de saúde, com alcance maior de crianças por meio de atividades coletivas e identificação precoce de vulnerabilidades no território. Houve fortalecimento da integralidade do cuidado ao integrar promoção, prevenção e assistência clínica em diferentes espaços. O apoio matricial aumentou a segurança e resolutividade das equipes de saúde da família no manejo da saúde infantil, reduzindo encaminhamentos desnecessários e qualificando a abordagem dos casos complexos. Consolidou-se mudança no papel da pediatria, que passou a atuar como componente ativo da equipe multiprofissional e articulador territorial, com valorização crescente das ações coletivas pela comunidade.
A experiência evidencia que a reorganização do trabalho especializado na atenção primária é viável e estratégica para fortalecer o sus. A inserção territorial e multiprofissional da pediatria contribui para ampliar o cuidado, qualificar equipes e alcançar populações vulneráveis. O processo revelou desafios culturais relacionados ao modelo médico centrado na consulta individual, superados progressivamente por meio de diálogo e demonstração de resultados. A reflexão sobre a prática mostrou que integrar clínica, matriciamento e ações coletivas favorece maior efetividade do cuidado infantil. Como perspectiva futura, espera-se consolidar e expandir o modelo, aprofundando a intersetorialidade e fortalecendo a participação social, contribuindo para um cuidado cada vez mais orientado à promoção da saúde e às necessidades do território.
Aps,Pediatria,Território,Sus
MAÍRA SANTOS DE ANDRADE ARAÚJO, ANDREZZA CARVALHO DE MELLO MENDES