Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
As DCNTs representam importante causa de morbimortalidade, com maior impacto em populações idosas. Na APS, a estratificação de risco cardiovascular é fundamental para prevenir eventos cardiovasculares. Em uma UBS da zona oeste do município de São Paulo, identificou-se elevada proporção de usuários hipertensos e baixa realização de estratificação de risco. Este relato descreve a utilização da sala de espera da coleta laboratorial como estratégia para ampliar o acesso à estratificação de risco cardiovascular. A intervenção envolveu acolhimento qualificado pela recepção, identificação de usuários com hipertensão e/ou diabetes e realização da estratificação por enfermeiro durante o período de espera para exames laboratoriais, associada a orientações para promoção do envelhecimento ativo e autocuidado. Em 2025, foram realizadas 314 estratificações, com aumento expressivo após a implementação da estratégia. A iniciativa mostrou-se viável e resolutiva, alinhada aos princípios da APS.
Intensificar as ações de acompanhamento de usuários com Hipertensão Arterial. Ampliar a realização da estratificação de risco cardiovascular entre usuários hipertensos, especialmente idosos. Contribuir para a prevenção de complicações e redução da morbimortalidade cardiovascular. Otimizar o tempo de permanência do usuário na unidade, atualizar informações clínicas e subsidiar a elaboração de cuidados direcionados à redução do risco cardiovascular e à manutenção da autonomia funcional.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em uma Unidade Básica de Saúde da zona oeste do município de São Paulo, em território com população adscrita predominantemente idosa, envolvendo as equipes de recepção, enfermagem e coleta laboratorial. A estratégia consistiu na incorporação da estratificação de risco cardiovascular ao fluxo da coleta laboratorial, realizada no início do período da manhã. Diariamente, a equipe de recepção realizava acolhimento qualificado com questionamento padronizado para identificação de usuários com hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus que compareciam para coleta de exames. Os usuários identificados eram registrados em planilha estruturada, possibilitando organização e monitoramento da ação. Durante a permanência na sala de espera, um enfermeiro permanecia como referência para convocar os usuários identificados e realizar a estratificação de risco cardiovascular. Concomitantemente, eram ofertadas orientações voltadas à promoção do envelhecimento ativo, incentivo ao autocuidado, prática de atividade física, alimentação saudável e adesão ao tratamento. Usuários com descompensação clínica, risco cardiovascular elevado ou acompanhamento desatualizado eram encaminhados para agendamento de consultas médicas e de enfermagem. Os registros eram inseridos nos sistemas de informação e em planilha nominal interna, permitindo acompanhamento longitudinal, identificação de faltosos e planejamento de ações contínuas de cuidado e prevenção.
No ano de 2025, foram realizadas 314 estratificações de risco cardiovascular na unidade. Embora ainda inferior ao total de usuários hipertensos acompanhados, observou-se aumento expressivo em relação a 2024, diretamente relacionado à incorporação da estratificação de risco ao fluxo da coleta laboratorial. A estratégia passou a ser executada de forma sistemática a partir de junho de 2025, concentrando a maior parte das estratificações no segundo semestre. Do total registrado no ano, 250 estratificações ocorreram entre junho e dezembro de 2025, evidenciando o impacto positivo da utilização do momento da coleta laboratorial como oportunidade para qualificação do cuidado e ampliação do acesso à avaliação de risco cardiovascular. Além do aumento quantitativo, a iniciativa favoreceu a identificação de usuários com acompanhamento desatualizado ou com maior risco cardiovascular, possibilitando encaminhamento oportuno para consultas médicas e de enfermagem. Para o ano de 2026, a unidade pretende manter a atuação diária de um enfermeiro responsável pela estratificação de risco no momento da coleta laboratorial, com a expectativa de ampliar ainda mais o número de usuários avaliados e qualificar o acompanhamento das pessoas com DCNT.
A experiência evidenciou que a utilização da sala de espera como espaço de cuidado é uma estratégia viável e eficaz para a ampliação da estratificação de risco cardiovascular, alinhada aos princípios do envelhecimento ativo. Os resultados alcançados atenderam aos objetivos propostos, promovendo cuidado integral, prevenção de complicações e manutenção da funcionalidade dos usuários. Como aprendizados, destacam-se a importância da organização do processo de trabalho, da atuação multiprofissional e da valorização do tempo do usuário. Entre as limitações, aponta-se a necessidade de profissional exclusivo para a execução da estratégia. Como proposta de continuidade, a UBS estabelece como meta para 2026 a elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares para todos os usuários classificados como risco alto e muito alto, visando à redução do escore de risco cardiovascular, prevenção de incapacidades e promoção do envelhecimento ativo e com qualidade de vida.
Atenção Básica; Risco Cardiovascular; Enfermagem
MARIANA DE SALES DIAS, EVERTON SILVA BARROS