Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é um tratamento de emergência com medicação antirretroviral que deve ser iniciado rapidamente após potencial exposição ao HIV, até o limite de 72 horas. É recomendada para quem esteve em risco sexual não planejado ou intencional, vítimas de violência sexual ou de acidentes com instrumentos perfurocortantes e material biológico. O SUS oferece a PEP desde de 1999 para vítimas de violência sexual, em 2011 a estendeu para qualquer exposição sexual. Em Santos, o Serviço de Atenção Especializada (SAE) disponibiliza esse tratamento. O acesso envolvia um tempo prolongado de permanência na unidade, e submissão a consultas médicas. Em 2023 transferiu competência da PEP para o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). A equipe de atendimento do SAE é mais robusta, voltada para as infecções já instaladas e suas complicações. Consequentemente, atua dentro de uma lógica mais rígida, com horas marcadas, esperas, etc. Já o CTA é mais aberto por natureza, e parece mais adequado para lidar com o caráter de urgência da PEP. O CTA, sendo a linha de frente na prevenção de IST, está bem posicionado para, junto com o usuário, definir a melhor estratégia preventiva para cada caso. Isso, combinado com o fácil acesso a testes rápidos, otimiza decisões e futuros encaminhamentos para prevenção eficaz, conforme os riscos específicos de cada pessoa e sua vivência pessoal da sexualidade.
Relatar a simplificação do acesso a PEP pela equipe do SAE/CTA. Indicar como o acolhimento e o aconselhamento podem ser facilitadores da prevenção ao HIV, Sífilis, Hepatites Virais e IST.
Em 2023, a rotina da PEP foi integralmente transferida do SAE para o CTA, que contam com equipes e abordagens distintas, ainda que sejam uma única unidade administrativa. A primeira consulta da PEP, antes responsabilidade da enfermagem, passou a ser conduzida por aconselhadores do CTA, capacitados para acolhimento e orientações específicas sobre IST. A consulta de enfermagem é realizada no momento da prescrição da medicação, já com dados previamente coletados, o que também permite um foco maior nas questões específicas da profissão. Essa mudança visou aprimorar a sensibilização da população acerca de IST além do HIV, harmonizando orientações sobre comportamento sexual com as necessidades da população de maneira mais empática. O tempo das entrevistas no CTA, aliado à prática da escuta ativa e acolhimento, passou a ser usado como potencializador para o envolvimento das pessoas em outras possibilidades de prevenção combinada. Além das mudanças internas, a nova estrutura foi comunicada à atenção primária e especializada, incluindo as UPA, hospitais e maternidades Acordou-se com as UPA, que, fora do horário de funcionamento do CTA, a dispensação da PEP seria realizada por elas, incluindo a oferta completa do tratamento por 28 dias, testes rápidos para IST e o encaminhamento formal do paciente ao CTA após o atendimento emergencial.
Desde o início, a mudança mais perceptível foi na redução do tempo de espera para o procedimento completo da PEP, que passou de três a quatro horas para menos de uma hora, contando desde a chegada ao serviço até o encaminhamento para a farmácia da unidade. Essa reestruturação das tarefas impactou positivamente a dinâmica ambulatorial do SAE, otimizando também o atendimento da população em tratamento para IST na unidade. Sem nenhum caso de soroconversão. A inclusão dos aconselhadores no processo inicial proporcionou maior conexão com os indivíduos que procuram a PEP, e elevou os índices de adesão à Profilaxia Pós-Exposição (PREP), especialmente entre as populações mais vulneráveis. Uma particularidade da equipe de aconselhadores de Santos é a composição majoritária de psicólogos e assistentes sociais, que trabalham muito integrados com os profissionais de outras formações, o que também resultou na facilitação da oferta de apoio psicológico às pessoas que buscam a PEP, quando identifica demanda. Outro aspecto potencialmente positivo dessa mudança é o reforço na memorização das orientações pelos pacientes. Eles recebem informações sobre o uso e a importância da adesão correta ao tratamento tanto durante o aconselhamento quanto no momento da prescrição medicamentosa pelas enfermeiras. Acreditamos que essa abordagem tenha contribuído significativamente para manter a adesão ao tratamento completo da PEP e o retorno para retestagens em trinta e noventa dias acima de 80%.
Até o momento, observamos que a facilitar o acesso à PEP reduziu o tempo de espera e promoveu uma melhoria qualitativa na adesão da população às estratégias de prevenção combinada, sem nenhum caso de soroconversão. Essa prática está em conformidade com a edição de 2024 do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição ao HIV, ISTs e Hepatites Virais, fornecido pelo Ministério da Saúde, assim como com as diretrizes da OMS de 2016 sobre prevenção do HIV. Estas incentivam a desmedicalização, a descentralização e a distribuição de tarefas como essenciais para aumentar a eficácia da prevenção ao HIV.
PEP, Prevenção combinada, HIV
RUBENS GOULART PANICO, FRANCISCO VALDEZ DE FREITAS, ANA LÚCIA ZAHER CABRAL CORDEIRO, PATRICIA MARIA SCHOENACKER, PRISCILA EVANGELISTA DA SILVA, THAYNA SANTOS DE CAIRES ARAUJO