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O envelhecimento populacional é uma questão de saúde pública. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2025) as pessoas ao redor do mundo possuem mais esperança em viver acima dos 60 anos. Estima-se que a proporção de pessoas idosas, em 2030, será de 1 para cada 6 pessoas, ou seja acima de 60 anos, e na faixa etária acima de 80 anos, será de 426 milhões de pessoas no mundo. Em relação ao Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2025), daqui a 45 anos, os brasileiros com mais de 60 anos serão cerca de 37,8% da população do país. De acordo com a ONU, o Brasil é a 6ª nação com maior número de pessoas idosas no mundo. Essa transição demográfica tem ampliado as demandas por cuidado à pessoa idosa no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, a Terapia Ocupacional (TO) se destaca como profissão estratégica na promoção, prevenção de agravos e manutenção da qualidade de vida. A experiência relatada se refere à atuação da TO no município de Santana de Parnaíba, que conta com profissionais inseridos no contexto do SUS desde 1999. Atualmente a equipe se encontra reduzida e com atuação em serviços de atenção básica e especializada. A experiência relatada evidencia a importância da TO na construção de projetos de vida, na adaptação de ambientes e no estímulo às funções cognitivas e motoras, fortalecendo o envelhecimento ativo e o cuidado integral.
Promover o cuidado à pessoa idosa no município de Santana de Parnaíba, por meio da atuação da TO, visando estimular funções cognitivas e motoras, prevenir agravos, favorecer a participação social e manter a funcionalidade e qualidade de vida. Busca-se ampliar a autonomia, fortalecer vínculos familiares e comunitários, apoiar cuidadores e contribuir para a construção de projetos de vida que valorizem o envelhecimento ativo e inclusivo.
A experiência foi desenvolvida por terapeutas ocupacionais atuando no âmbito da atenção primária junto à rede municipal de Santana de Parnaíba por meio de palestras, atendimentos individuais e em grupos realizados nas unidades de saúde e no território, com frequência semanal, de acordo com a necessidade do sujeito. As ações se deram por meio da estimulação neurossensorial, treino de equilíbrio, lateralidade, força e coordenação motora fina; prevenção de deformidades e agravamento de dificuldades motoras; orientações em relação a adaptação de mobiliário domiciliar, utensílios, vestuário e espaço físico no ambiente doméstico; treino de atividades de vida diária e atividades laborais; estratégias para favorecer as funções cognitivas, cuidados voltados à saúde mental no envelhecimento; manutenção dos vínculos familiares; recursos de tecnologia assistiva (órteses, adaptações de objetos, treino de funcionalidade em uso da tecnologia) e orientação aos cuidadores. As atividades foram desenvolvidas em articulação com outros profissionais da saúde, por meio de discussões de caso, atendimentos compartilhados e ações interdisciplinares, fortalecendo o cuidado longitudinal e territorializado.
A experiência possibilitou avanços significativos no cuidado à pessoa idosa no município. Observou-se melhora na funcionalidade e na autonomia das pessoas acompanhadas, diminuição de recidivas de doenças em pacientes com comorbidades, readaptação em contextos profissionais e domiciliares. Foi possível perceber impactos positivos no aumento da autoestima, participação social, bem estar e manutenção dos papéis ocupacionais, reforçando a importância da TO como estratégia de cuidado integral no SUS. Além desses resultados, destacou-se o papel diferenciado da TO na articulação entre clínica e território. As ações permitiram identificar barreiras ambientais e propor adaptações que ampliaram acessibilidade e segurança, favorecendo a permanência dos idosos em seus lares e comunidades com maior autonomia. A abordagem interdisciplinar potencializou os efeitos, consolidando a TO como recurso essencial para a promoção do envelhecimento ativo, da inclusão social e da reabilitação psicossocial no SUS. O trabalho contínuo da TO também contribuiu para orientar cuidadores, apoiar famílias e estimular práticas de autocuidado, fortalecendo a rede de suporte e garantindo maior sustentabilidade das conquistas alcançadas pelos usuários. Esses avanços demonstram que a TO é fundamental para consolidar práticas de cuidado integral, garantindo que o envelhecimento seja vivido com dignidade, autonomia e participação social.
A atuação da TO no município de Santana de Parnaíba ao longo dos anos tem se consolidado em vários campos, em especial destaque no cuidado à pessoa idosa. A experiência relatada evidencia a relevância da TO no cuidado à pessoa idosa no SUS e na rede municipal de saúde, diante do avanço do envelhecimento populacional e suas consequências no cotidiano dessas pessoas. O olhar do TO auxilia na manutenção da vida ativa com qualidade, favorece a participação social na comunidade e na autogerencia de suas ações no cotidiano. Além disso, a prática contínua da TO demonstra sua capacidade de integrar dimensões clínicas, funcionais e sociais, oferecendo suporte tanto ao idoso quanto à sua rede de apoio. A atuação contribui para prevenir agravos, estimular o autocuidado e orientar cuidadores, fortalecendo vínculos familiares e comunitários. A experiência reforça a necessidade de ampliar equipes e investimentos no TO no SUS, assegurando que o envelhecimento seja vivido com dignidade, autonomia e inclusão social, para o enfrentamento de desafios do envelhecimento populacional, garantindo que cada pessoa idosa possa viver com dignidade, autonomia e participação plena na sociedade.
terapia ocupacional, envelhecimento,atenção básica
PRISCILA DE SOUZA LEPRE, SOLANGE KINA AUGUSTO, VIVIAN TALITA PEREIRA MOITINHO, NATÁLIA DE CÁSSIA ALVES, JANAINA CRUZ MARINI, RAFAEL RAFAINI LLORET, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE