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A Unidade Básica de Saúde (UBS) Jd. Silva Telles, modelo Estratégia de Saúde da Família, com 05 equipes, 5.093 famílias cadastradas e aproximadamente 15.536 habitantes. Está localizada no Distrito Administrativo de Vila Curuçá, na Supervisão Técnica de Saúde de Itaim Paulista, no Município de São Paulo. A unidade tem dentre os programas municipais de apoio na promoção à saúde o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS) e o Núcleo de Vigilância em Saúde da Atenção Básica (NUVIS – AB). Parte da Área de Abrangência da UBS Silva Telles localiza-se em fundo de vale do Ribeirão Lageado, região com assentamentos precários em áreas de riscos hidrológicos e geológicos e uma população caraterizada com alta vulnerabilidade social. Nessa região prevalecem notificações de Doenças de Veiculação Hídrica, e presença de animais sinantrópicos, principalmente escorpiões. Em frente a esses riscos e ponderando a população vulnerável, as ações do projeto “Código Amarelo – Ribeirão Lageado” tem preocupação especial em aumentar a resiliência desses grupos e dos profissionais de saúde em responder aos impactos da mudança do clima. Atividades de proteção da saúde, educação ambiental e de desenvolvimento de capacidades foram consideradas de maneira transversal no detalhamento das ações. As estratégias e ações do projeto trazem uma proposta desafiadora às pessoas, profissionais de saúde e aos gestores públicos e os obstáculos para sua realização devem ser reconhecidos, trabalhados e superados.
Realizar mapeamento da área de influência dos eventos de risco hidrológico; Organizar e intensificar as ações de Vigilância e atenção à Saúde para a população da área mapeada, observando particularidades da atenção ao cuidado de grupos mais vulneráveis, por exemplo: pacientes crônicos, gestantes, crianças e adolescentes, idosos e pessoas com deficiência; Organizar, mobilizar e intensificar as ações de Promoção e Educação em Saúde com a população e equipamentos sociais da área de abrangência e influência do risco hidrológico; Organizar e intensificar as ações de controle de mosquitos, roedores e escorpiões na área mapeada em conjunto com UVIS e Prefeitura Regional; Reduzir o risco da exposição da população aos desastres hidrológicos, evitar e/ou minimizar doenças e agravos decorrentes da inundação do Ribeirão Lageado, na área de abrangência da UBS Silva Telles por meio de intervenções educativas, vigilância em saúde e gerenciamento de risco de comunidade exposta (pós-eventos).
Visita domiciliar casa a casa para orientar sobre Plano Preventivo de Chuvas de Verão e realização das ações educativas sobre a promoção de espaços saudáveis, percepção de risco, prevenção e reconhecimento de sintomas das doenças de veiculação hídrica e acidentes por animais peçonhentos. Intervenções Educativas de Educação em Saúde e Percepção de Risco nos Equipamentos Sociais (escolas, instituições de proteção a idosos, crianças e adolescentes) estabelecido nas áreas de influência do risco hidrológico. Avaliar e qualificar a cobertura vacinal através de busca ativa, observando particularidades da atenção ao cuidado de grupos mais vulneráveis, por exemplo: pacientes crônicos, gestantes, crianças e adolescentes, idosos e pessoas com deficiência. Treinamento dos profissionais de saúde e capacitar os agentes de saúde para rápido e eficiente diagnóstico de doenças relacionadas a alagamentos e inundações.
Com o apoio de ferramenta de Sistema de Informações Geográficas (SIG), das pesquisas quantitativa das Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agente de Promoção Ambiental (APA) e dos Relatórios do Vigidesastre da Unidade da Vigilância em Saúde (UVIS), levantamentos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Relatório de Diagnóstico Socioambiental PAVS e do Relatório de Territorialização NUVIS-AB foi elaborado um mapa Geoprocessado das áreas do entono do Ribeirão Lageado que registraram no verão do ano anterior (2023), vias, imóveis, equipamentos sociais e assentamentos que sofreram com inundações. A partir dessas informações foram criados as “Buffer Zones” de monitoramento, áreas de definição espacial identificada como áreas de riscos hidrológicos, de potencial transmissão de doenças veiculação hídrica e acidentes com animais peçonhentos e de manutenção de vetores artrópodes. Junto com as equipes de saúde foram identificadas nas “Buffer Zones”, as famílias e indivíduos vulneráveis (pessoas com deficiências, idosos, gestantes, crianças menores de 10 anos e acamados), para priorização nas ações educativas, cobertura vacinal e intervenções sanitárias. A equipe de saúde também mapeou todos os equipamentos sociais da área delimitada e realizou intervenções educativas em saúde, atualização vacinal, oficinas para ampliar a percepção de risco e adaptabilidade às mudanças climáticas, alinhado em conjunto com os gestores desses equipamentos os protocolos da Defesa Civil.
Os efeitos da mudança do clima na saúde humana já são sentidos em todos os países, principalmente nos países tropicais. Muitas afecções, na verdade, resultam da exposição ao calor intenso, às tempestades, às secas ou às enchentes. Porém, essas condições costumam ser inespecíficas e sua fisiopatologia não é evidente. Reconhecê-las requer uma anamnese adequada, que inclua perguntas sobre o potencial envolvimento de riscos meteorológicos no processo patológico na assistência. As estratégias e ações do projeto demonstram visão da equipe e antecipação a um cenário cada vez mais presente e desafiador no dia a dia da sociedade e dos profissionais de saúde. Todos os esforços incipientes devem ser reconhecidos. As ações aqui apresentadas têm não apenas os objetivos de organização e de adaptação a elas relacionados, mas também a intenção de que sejam catalisadoras de outras transformações benéficas para redução dos agravos à saúde através da ferramenta da promoção da saúde e prevenção de doenças, potencializadas pelas ações integradas entre programas de vigilância ambiental e atenção assistencial, fortalecimento da intersetorialidade, da participação comunitária e emprego da tecnologia no enfrentamento dos eventos climáticos adversos.
Mudanças Climáticas.
Thalita Silvestre Silva Santos, Elisângela Lina de Souza, Almir dos Santos Amorim, Tamara dos Santos Cavassana