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A superlotação nos serviços de urgência e emergência é um desafio recorrente no Brasil, sendo o processo de classificação de risco, essencial para garantir que os casos mais graves sejam atendidos prioritariamente. Entretanto, esse processo apresenta desafios relacionados à equidade no atendimento, sobretudo em populações vulneráveis como a idosa. No ano de 2024, a UPA de Catanduva enfrentou esse problema de forma inovadora, utilizando a tecnologia como aliada para otimizar fluxos, reduzir esperas e garantir maior eficácia no cumprimento das normativas legais, especialmente o Decreto Nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Esse decreto assegura a prioridade no atendimento à população, condicionada à avaliação médica da gravidade, o que exige equilíbrio entre eficiência e respeito aos direitos desse grupo. Portanto a escolha do eixo temático de tecnologia para abordar esse tema surge da necessidade de resolver problemas críticos no atendimento em saúde. Dados de nossas unidades revelaram que a espera prolongada e a percepção de falta de prioridade estavam impactando negativamente a experiência de pacientes idosos nos serviços de urgência.
O trabalho visa compartilhar os resultados positivos dessa experiência, que pode servir de modelo para outras localidades enfrentarem desafios semelhantes, demonstrando que a tecnologia pode transformar realidades críticas na saúde pública.
Este estudo utilizou uma abordagem quantitativa, descritiva e comparativa, com o objetivo de avaliar o impacto das melhorias tecnológicas implementadas no sistema de classificação de risco na UPA de Catanduva em 2024.
A superlotação é um dos principais desafios nos serviços de saúde de urgência. Para entender melhor as demandas da UPA de Catanduva e implementar soluções, foi realizado um levantamento do perfil da população atendida e seus problemas de saúde. O estudo revelou que 18% dos pacientes eram idosos (>60 anos), com queixas como doenças respiratórias, parasitárias, traumáticas, osteomusculares e dores crônicas.Em 2024, a epidemia de dengue foi a principal causa de atendimentos, afetando especialmente os idosos O perfil geral dos pacientes indicou que 64% dos casos eram classificados como verde (pouco urgente) e 34% como amarelo (urgente), ou seja, 98% dos atendimentos foram de gravidade moderada ou leve. A partir de julho de 2023, foi adotada uma mudança no sistema de atendimento, priorizando automaticamente idosos e pessoas com deficiência dentro da mesma classificação de gravidade, conforme o Protocolo de Manchester e as diretrizes do Ministério da Saúde. Isso garantiu atendimento prioritário para os mais vulneráveis, sem prejudicar os casos graves. Os resultados foram expressivos: a redução do tempo de espera para idosos classificados como verde caiu de 28% para 8% no número de idosos que ultrapassavam o tempo de espera preconizado, e para os amarelos, de 14% para 4%. Também houve uma redução de 57% nas reclamações de ouvidoria: de 77 reclamações (janeiro/2022 a julho/2023) para 33 (julho/2023 a novembro/2024).
A priorização do atendimento para idosos e pessoas com deficiência demonstrou impacto positivo na qualidade dos serviços da UPA de Catanduva. A redução no tempo de espera e no número de ouvidorias reflete o êxito da intervenção, que não apenas aumentou a satisfação dos usuários, mas também otimizou os fluxos internos da unidade. Esses resultados reforçam a importância de estratégias baseadas em dados e nas necessidades específicas da população para promover uma atenção mais humanizada e eficiente.
SUPERLOTAÇÃO, IDOSOS, URGÊNCIAS
AUDREY CAROLINE AREM, BEATRIZ DOS SANTOS THIMÓTEO, EVANDRO NEVES, NELSON ALVES PINHEIRO NETO, TIAGO JOSÉ AIO DE FREITAS, TATIANA DE OLIVEIRA ALONSO