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Dentre as atribuições das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o acolhimento de usuários necessitando de atenção em Saúde Mental constitui um desafio. Apesar de fazer parte da rede de Atenção Psicossocial (RAPS), quando se trata de dependência química, ou mesmo de psicopatologias que trazem risco de auto e hetero-agressão, muitas vezes a insegurança da equipe da UPA, despreparada para casos específicos relacionados com tais situações, gera internações desnecessárias, que caminham na direção contrária ao movimento antimanicomial, além de aumentar a média de permanência nos leitos de observação da UPA do município de Assis/SP.
Este projeto tem como objetivo avaliar o resultado de uma política de interconsultas da equipe multidisciplinar do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) naqueles pacientes de portadores de patologia que envolvam a Saúde Mental que são admitidos na UPA com dependência química ou patologias de cunho psiquiátrico por livre demanda, solicitando a internação em leito da rede de Saúde Mental.
Após elaboração e aprovação coletiva do Protocolo para internação em Saúde Mental (em anexo), ficou pactuado que todo paciente acolhido na UPA solicitando internação voluntária, desde que não oferecesse risco de auto ou hetero-agressão, fragilidade social ou que estejam inseridos em uma situação familiar ou social que o(a) incapacitem para o autocuidado, será avaliado pela equipe do CAPS, e somente após tal avaliação a solicitação da internação via sistema SIRESP será realizada.
A pactuação e a elaboração do protocolo foram iniciadas em outubro de 2023, ano em que a Unidade apresentou uma taxa de solicitação de vagas em Saúde mental (de janeiro a outubro) de 0,48% em relação aos atendimentos totais (81523 atendimentos e 397 solicitações de internação em Hospitais ou Clinicas de Referência). Destas solicitações, 89 (22,4%) culminavam em evasão da unidade, seja por demora na resolutividade ou por questões relacionadas à dependência química, entre outros fatores. Vide gráfico 1 em anexo. Após a pactuação e matriciamento dos envolvidos, as taxas de solicitação de vaga em novembro de dezembro de 2023 reduziu para 0,31% (15413 atendimentos no bimestre com 49 solicitações de internação) e a taxa de evasão da unidade para 6,12% ( 3 evasões para 49 solicitações).
A aproximação e a intersecção dos papéis destes dois atores da Rede de Urgência e Emergência, UPA e CAPS, foi capaz de reduzir o tempo médio de observação na unidade, descentralizar os casos que necessitaram de acolhimento de Saúde Mental na rede pública do município. Somado a isso, com a implantação desse projeto, foi possível reduzir a pressão sobre os leitos nos hospitais de referência, que muitas vezes não são capazes de atender a demanda dos pacientes com dependência química, e aqueles portadores de patologias psiquiátricas severas, já que muitas vezes estes são referência para diversos municípios da região.
Saúde Mental; CAPS; UPA; antimanicomial.
Gustavo Navarro Betônico, Leonardo Fantinato Menegon, Joana de Fátima Bonilho, Guilherme Passarelli, Nádia Lino, Gabriella da Silva Pariz, Maria Gabriela Cabrera Ferreira, Natália Favreto Faria Plantier, Ângela Major Noronha, Cristiani Sílvério Bussinatti, Karina Dalla Pola, Maria Cristina Vendramel, Valéria Cristina dos Santos Carvalho