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A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e sistemas. É causada pelo Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch. Em 2015, estimou-se que cerca de 10,4 milhões de pessoas desenvolveram tuberculose (TB) no mundo, e 1,4 milhão morreram em decorrência da doença. O Brasil está entre os 22 países com maior carga da enfermidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre 2018 e 2023, foram notificadas 165.672 pessoas que iniciaram o tratamento preventivo para TB no Brasil, sendo São Paulo o estado com maior número de casos. O maior risco de adoecimento concentra-se nos primeiros dois anos após a primo-infecção, mas o estágio de latência pode perdurar por anos. A VIGILANCIA EPIDEMIOLOGICA ATIVA NA na busca de casos e contatos, bem como o tratamento da infecção latente por tuberculose (ILTB), reduz o risco de adoecimento, diminuindo o número de casos, complicações e óbitos associados ao agravo.
Realizar busca ativa para identificação de contatos com ILTB, e iniciar precocemente o tratamento preventivo (quimioprofilaxia) em uma instituição fechada, a partir da identificação de dois casos de tuberculose; identificar possíveis casos ativos da doença na instituição.
Foi conduzida uma ação de controle de comunicantes após a identificação de dois casos confirmados de tuberculose em uma instituição fechada para jovens e adolescentes (12 a 21 anos). No período de menos de 20 dias, foram realizadas ações para identificação de contatos, incluindo exames de radiografia torácica (RX) e prova tuberculínica (PPD) para todos os funcionários e residentes. Baciloscopia de escarro foi realizada nos casos com sintomas respiratórios. As etapas incluíram anamnese, exame físico, exames complementares, ações educativas na unidade e na instituição, bem como vigilância ativa dos casos. A ação envolveu articulação entre equipes da UVIS Itaquera, STS Itaquera, UBS de referência, Coordenadoria Regional de Saúde Leste (CRSL) e COVISA.
Um interno (19 anos) apresentou lesões purulentas no hemitórax e axila esquerda. Após biópsia realizada em outro município, confirmou-se tuberculose (TB). Os sintomas persistiam desde fevereiro de 2023, sem melhora mesmo após diversos atendimentos, e havia histórico de contato com familiar falecido por TB. Após alta, foi acompanhado pela UBS e referência secundária. Alguns dias depois, outro interno (16 anos) desenvolveu síndrome gripal evoluindo para desconforto respiratório grave, e foi atendido em uma UPA. Devido à piora do seu estado de saúde, foi transferido para um hospital, onde permaneceu internado por mais de trinta dias e o diagnóstico foi confirmado por meio de exames laboratoriais e de imagem. Este 2º caso não teve contato com o caso anterior, segundo relatos, residindo em outra ala da instituição. A equipe de TB da UVIS Itaquera, em colaboração com a STS Itaquera, CRSL e COVISA, realizou visitas à instituição e identificou 60 internos e 118 funcionários. Decidiu-se pela realização do PPD, enquanto o RX foi feito com apoio da UPA local. Entre os internos: 35 com RX normal e PPD positivo (> 5 mm) iniciaram quimioprofilaxia; 2 casos de tuberculose ativa foram identificados e tratados; 8 internos transferidos para outras unidades tiveram acompanhamento em outras regiões; 44 funcionários não realizaram PPD e RX, alegando indisponibilidade devido ao horário de trabalho, apesar das orientações e oferta de exames
O suporte prestado pela UVIS incluiu ações presenciais e remotas, reuniões diárias e acompanhamento das equipes envolvidas. As ações realizadas permitiram a identificação de dois novos casos de tuberculose ativa, e o diagnóstico e tratamento de casos de infecção latente por tuberculose, reduzindo o risco de transmissão na instituição e na comunidade. Os dois primeiros indivíduos identificados já concluíram o tratamento contra a tuberculose, enquanto os outros dois, descobertos durante a ação, estão a caminho da conclusão. Todos os internos diagnosticados com ILTB completaram o tratamento. No entanto, a ausência de vários funcionários comprometeu parcialmente a cobertura das medidas de controle. A atuação integrada da equipe de vigilância epidemiológica foi essencial para interromper o ciclo de transmissão da doença e prevenir novos casos. A vigilância ativa e o suporte continuo (online e presencial) destacaram-se como elementos fundamentais para o sucesso da ação.
prevenção, tuberculose, jovens
LUANA ROSA PEREIRA, SORAIA NOGUEIRA FELIX, RENATA FERREIRA DE CALDAS, JOÃO GABRIEL ZERBA CORRÊA, VANESSA LEONORA GOMES, KARLA REGINA HARAMI PEREIRA ALVES, RAQUEL XAVIER DE SOUZA SAITO, CARLA ROBERTA FERRAZ RODRIGUES, ANDREIA REIS GARCIA, PEDRO YOSHITAKA FUKUYAMA, GILDETE SANTOS ROSA, SONIA APARECIDA LEITE, ALETUZA NUNES, CAMILA MATIAS MODESTO, TATIANA DA CRUZ VITÓRIO DOS SANTOS, LUIZA DA LUZ QUINTELA, AMANDA PUOSSO DE ALMEIDA, JULIANA PAULA SANTOS GUARATO LEME, LAURINDA FUJIKO TSUKUDA, ELIO RAMOS, IOLANDA BASTOS BRITIS BEZERRIL, ELENICE MUTSUKO MIYAZATO WATANABE, PATRÍCIA DOS REIS FERREIRA