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Introdução e Justificativa O acesso aos serviços de saúde na Atenção Primária à Saúde (APS) permanece um desafio para a efetivação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Barreiras geográficas, organizacionais e estruturais dificultam o acesso oportuno dos usuários às Unidades Básicas de Saúde (UBS), comprometendo a longitudinalidade do cuidado, especialmente em territórios socialmente vulneráveis. A UBS Vila Praia localiza-se na zona sul do município de São Paulo e atende uma população aproximada de 19.712 pessoas, 7270 famílias sendo uma média de 3 pessoas por família. A Equipe Azul é responsável por um território com áreas situadas a mais de 2 km da unidade, com oferta limitada de transporte público e geografia marcada por morros, fatores que intensificam as barreiras de acesso físico. Soma-se a isso a limitação estrutural da UBS, que dispõe de apenas seis salas para atendimento, restringindo a ampliação da oferta de consultas. Diante desse cenário, a equipe passou a discutir estratégias para ampliar o acesso e reorganizar o cuidado, surgindo a proposta de realização de atendimentos no próprio território como forma de aproximar os serviços de saúde da população adscrita. Esta experiência justifica-se pela necessidade de compartilhar estratégias locais de enfrentamento das barreiras de acesso na APS.
Relatar a experiência da Equipe Azul da UBS Vila Praia na realização de atendimentos no território como estratégia de ampliação do acesso e fortalecimento da longitudinalidade do cuidado.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir da vivência da Equipe Azul da UBS Vila Praia, que iniciou atendimentos no território em outubro de 2024. Inicialmente, as ações foram direcionadas a pacientes com condições crônicas não agudizadas, previamente convocados pela equipe, com foco na continuidade do cuidado e no acompanhamento clínico.
As ações no território foram bem recebidas pela população, com elevada adesão aos atendimentos e fortalecimento do vínculo entre usuários e equipe. Observou-se melhora na longitudinalidade do cuidado, especialmente entre pacientes com maior dificuldade de acesso à UBS. A partir do acompanhamento dos indicadores clínicos, foi possível identificar evolução positiva no controle de condições crônicas ao longo do período. Em setembro de 2024, a equipe acompanhava 333 pessoas com hipertensão arterial sistêmica (HAS), das quais 44,7% apresentavam pressão arterial controlada, e 185 pessoas com diabetes mellitus (DM), com apenas 21% apresentando níveis de hemoglobina glicada controlados. Em dezembro de 2025, esse número aumentou para 428 pessoas com HAS, com 64% em controle pressórico, e 236 pessoas com DM, das quais 50% apresentavam glicemia controlada. Esses resultados sugerem impacto positivo das ações territoriais no acompanhamento longitudinal e no controle clínico de doenças crônicas, além de ampliação do acesso aos serviços de saúde. Adicionalmente, identificou-se a captação de usuários previamente pouco vinculados à UBS, ampliando o alcance da Atenção Primária no território.
A experiência da Equipe Azul demonstrou-se exitosa como estratégia de ampliação do acesso aos serviços de saúde e de mitigação das barreiras geográficas no território. As ações contribuíram para o fortalecimento da longitudinalidade e do vínculo com os usuários. Ressalta-se que cada território possui características singulares, e que a replicação desse modelo em outras equipes da mesma unidade exigiu adaptações específicas, reforçando a importância do planejamento territorializado na organização do processo de trabalho na APS.
Atenção Primária a Saúde, Acesso
ALINE HARUMI KAKUNAKA, MARCELA DA GAMA LEAL