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A raiva é uma doença de animais, mas que pode ser transmitida aos humanos (antropozoonose), e está presente em todos os continentes, exceção feita à Austrália e Oceania. O vírus se multiplica no local da lesão e migra para o sistema nervoso e a partir daí para diferentes órgãos. Quando o quadro clínico da raiva é instalado, praticamente, 100% dos casos evoluem para óbito a depender do tipo de acidente. Apesar da existência da profilaxia antirrábica humana(pós-exposição ou pré-exposição), ainda morrem de raiva anualmente aproximadamente 59.000 pessoas em todo mundo. Levando-se em consideração que não há tratamento comprovadamente eficaz para raiva, e que poucos pacientes sobrevivem a doença, alta letalidade, é recomendado que todas exposições de seres humanos, seja por mordeduras, arranhaduras, lambeduras e contatos indiretos, com animais potencialmente transmissores de raiva, sejam avaliadas por serviço de saúde. Mediante as características do acidente serão adotadas condutas, que terão como finalidade a prevenção da doença. Toda ocorrência de AARH deve ser notificada imediatamente ao serviço de Vigilância Epidemiológica, para tanto utiliza-se a ficha de notificação de Acidentes AntirrábicoHumano, sendo as informações provenientes da ficha registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) online. Sendo assim, entende-se que o conhecimento do perfil epidemiológico dos AARH permitirá entender como se dá o agravo e subsidiará ações de planejamento.
Identificar o perfil epidemiológico dos casos notificados como Acidentes Antirrábico Humano (AARH) ocorridos com os residentes na Supervisão Técnica deSaúde da Penha (STS-Pe)/São Paulo – SP no ano de 2024.
Pesquisa de caráter documental com abordagem quantitativa que utilizou o banco de dados do SINAN online, sendo selecionados todos os casos notificados como AARH no ano de 2024 de pessoas na STS Penha. A região do estudo compreende a STS Penha, localizada no Município de São Paulo, que tem uma população estimada conforme o censo 2022 de 472.757 habitantes, pertence a Divisão Regional de Saúde (DRVS) Sudeste. A STS Penha é composta por 04 Distritos Administrativos (DA), a saber: Artur Alvim, Cangaíba, Penha e Vila Matilde que tem características populacionais e sociais diferenciadas.
Foram notificados 1293 AARH, sendo 687 (53,1%) do sexo feminino. A média de idade foi de 36,5 anos, sendo menor idade 3 meses e maior idade 100 anos. Houve predominância da raça/cor branca 644 (49,8%), seguidos por pardos (458-35,4%). A escolaridade não foi informada para 177 (13,7%); entre os que informaram predominou o ensino médio completo (381-29,5%). Do total de AARH 1046 (80,8%) foram provocados por espécie canina, sendo que 234(18,1%) por felinos. Observou-se ainda a ocorrência de 13(1,1%) acidentes com animais silvestres (11 quatis e 2 macacos). Houve 1062 acidentes com raça canina e felina, e destes 880 (82,9%) ocorreram com animais observáveis, então para 231casos não era possível observar o animal, sendo necessário ações de profilaxia como soro e/ou vacinação. Em relação a localização do ferimento a mão foi a região mais atingida (500 – 38,7), e os membros inferiores (455-35,2%). Os ferimentos múltiplos estiveram presentes em 381 (29,5%) dos acidentados. Do total de casos 227 (17,6%) ferimentos foram profundos, sendo 49(3,8%) ferimentos dilacerantes, o que aponta maior gravidade do acidente. Foi indicada vacinação para 264 (20,4%) acidentados e soro vacinação para 148(11,4%). Dos casos que iniciaram tratamento com vacina e soro 120 (29,1%) abandonaram, e não há informação sobre finalização da profilaxia para 29 (7,0%)dos acidentados. Em relação ao paradeiro do animal agressor 883 (68,3%) foram considerados negativos para raiva “clínica”.
Os dados levantados indicam a predominância do AARH no sexo feminino, adultos jovens e com escolaridade de mais de 12 anos de estudo. A maior ocorrência foi de agressões caninas, destaca-se que não houve ocorrências com morcegos; mas que houve acidentes com quatis, pois na região da Penha existe um Parque com grande fluxo de pessoas aos finais de semana, onde esses animais circulam livremente. Os ferimentos ocorreram na maioria nas mãosacredita-se pelo fato do acidentado tentar se defender, destaca-se o fato da mão ser um local com muitas terminações nervosas. Observa-se maior número de ferimentos superficiais, podendo inferir que a procura de atendimento nestes casos se deve ao conhecimento da população quanto ao risco do adoecimento e necessidade de prevenção. Por outro lado, a equipe da UVIS-Pe observa que os acidentados por vezes, julgam que o uso de antibiótico ou apenas uma dose da vacina como suficientes, e acabam não concluindo o esquema vacinal indicado. Este tipo de estudo auxilia na identificação do contexto epidemiológico em que os AARH ocorreram, sendo instrumento relevante para auxiliar o planejamento da saúde e definir prioridades de intervenção
Acidente Antirrábico Humano, saúde.
MARIA CÉLIA LAMY DE FREITAS, MIRVAN HELENA BATISTA, HILDA MARIA MARQUES MENEGALDO, ROSÂNGELA ELAINE MINÉO BIAGOLINI