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As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) foram, em 2019, responsáveis por mais da metade das mortes no Brasil (cerca de 54,7%). Representando cerca de 730 mil óbitos, ainda ocorre o agravante de 41,8% terem ocorrido na faixa etária entre 39 e 70 anos (chamadas de mortes prematuras). As Doenças do Aparelho Circulatório ou Cardiovasculares destacam-se por entre as DCNT por constituírem a principal causa de mortes mundiais. Entre seus principais principais fatores de risco para as Doenças do Aparelho Circulatório ou Cardiovasculares estão a Hipertensão Arterial (HAS) e o Diabetes (DM), sendo ambas as doenças mais incidentes no Brasil e as principais causas de hospitalizações no Sistema Único de Saúde (SUS). A HAS e a DM são condições sensíveis à Estratégia Saúde da Família (ESF), principal e prioritária ação de consolidação da Atenção Básica no SUS, sendo a estratégia espaço privilegiado para o desenvolvimento das ações em saúde, pelo contato direto dos profissionais de saúde com as famílias e comunidade, pela proximidade com o contexto em que vivem e pelo acompanhamento em todas as fases da vida. Assim, no ano de 2023, conjuntamente com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o município de Praia Grande elaborou seu Plano de Ações de Enfrentamento às Doenças Crônicas Não Transmissíveis, com enfoque em ações da Estratégia Saúde da Família voltadas para as linhas de cuidado da HAS e DM.
Qualificar os processos de trabalho na Estratégia Saúde da Família com relação a linha de cuidados dos usuários portadores de HAS e DM, através do desenvolvimento de ações embasadas em diagnóstico situacional obtida através da utilização de Matriz SWOT aplicada ao município.
-Realizado diagnóstico situacional do município de Praia Grande referente ao perfil sociodemográfico -Realizada análise da situação de saúde, através do levantamento das taxas de morbidade hospitalar e mortalidade prematura causadas pelas DCNT através de consulta ao Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e das estimativas preliminares elaboradas pelo Ministério da Saúde/SVS/DASNT/CGIAE. -Realizada análise comparativa dos dados do prontuário eletrônico do município referentes à porcentagem dos usuários marcados como portadores de HAS/DM com as estimativas encontradas na Pesquisa Vigitel de 2021. -Realizado levantamento dos equipamentos municipais, nas diversas secretarias, propícios para desenvolvimento de ações educativas e de promoção à saúde. -Realizado diagnóstico situacional da Estratégia Saúde da Família no município, através do levantamento dos profissionais das equipes de saúde da família, incluindo os pertencentes ao Programa de Residência Médica e Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade do município; -Identificação da proporção de usuários por equipe e por agente comunitário de saúde das Unidade de Saúde da Família do Município; -Levantamento de quantitativo e locais de atuação dos Profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família -Identificação de pontos passíveis de intervenção para melhoria nos processos de trabalho referente a linha de cuidado dos usuários HAS/DM
Nos meses de julho a dezembro de 2023, foi utilizado o espaço do Núcleo de Educação Permanente em Saúde para discussão dos dados do ESUS para sensibilização das equipes acerca da vigilância nos territórios sobre os usuários portadores de HAS e DM, apresentando os dados levantados no Plano de Doenças Crônicas. Foram apresentados os critérios de rastreamento das doenças, assim como o questionário FINISH Diabetes Risk Score (utilizado para avaliação do risco de desenvolvimento de Diabetes em 10 anos). Como medida para melhoria no acesso às Unidades de Saúde da Família, foram realizadas ampliações de Equipes em duas Unidades e chamamento por concurso de 80 Agentes Comunitários de Saúde. Planeja-se para os próximos meses a implantação de uma ferramenta de Risco Familiar que contempla a estratificação dos usuários portadores de HAS e DM e abertura de duas novas unidades de saúde.
O Plano de Enfrentamento às Doenças Crônicas do Município de Praia Grande considerou não apenas as questões relacionadas aos protocolos clínicos de atendimento aos usuários portadores de HAS e DM. Através da análise situacional das taxas de morbidade hospitalar e de mortalidade prematura causadas pelas DCNT, assim como dos serviços de saúde, em especial da Atenção Básica/Estratégia Saúde da Família, desenvolveram-se ações relacionadas à territorialização (com vistas à melhoria da proporção de população por Unidade, equipe de saúde e Agente Comunitário), e ações de sensibilização dos profissionais acerca do diagnóstico precoce e vigilância do território. Espera-se a médio prazo a definição das linhas de cuidado referentes à Hipertensão e Diabetes.
Doença Crônica Não Transmissível, Atenção Básica
vanessa naomi oshiro