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Sabe-se que os primeiros anos de vida são essenciais para a formação de habilidades e conta com uma intensa plasticidade e maturação cerebral. Dessa forma, é primordial que ocorra uma adequada estimulação nas áreas motoras, cognitivas e de linguagem que proporcionarão amplitude do desenvolvimento da criança. Os Serviços Especializados em Reabilitação são referência de cuidado e proteção das crianças com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (ADNPM), familiares e acompanhantes nos processos de estimulação precoce e devem estar articulados com a Rede de Saúde e de Ensino de forma a promover ações visando autonomia e independência em diferentes aspectos da vida. No Centro Especializado em Reabilitação de Embu das Artes (CER II) realizamos o Grupo de Estimulação Precoce (GEP) com acompanhamento da equipe multidisciplinar para crianças com deficiência ou com risco/atraso para o desenvolvimento neuropsicomotor. Os encontros acontecem 1 vez por semana durante 1 hora. O grupo é composto por 3 a 6 crianças e seus pares junto com a equipe. São admitidos nesse grupo as crianças encaminhadas pela médica pediatra ou neurologista infantil (Projeto Desenvolver) ou encaminhadas para o CER, que após escuta inicial são direcionadas para o grupo. Muito importante ressaltar que ao término desse grupo, as crianças permanecem no CER em acompanhamento multiprofissional mais individualizado, se houver identificação de alterações funcionais persistentes que impactam no desenvolvimento.
O Objetivo principal é orientar a família sobre o desenvolvimento neuropsicomotor e ensinar estratégias de estimulação para maximizar a potencialidade funcional de cada criança ao longo da vida. Objetivos específicos: Vínculo pais-bebês: psicoeducação e vivência com dança materna sobre vínculo; Brincar: psicoeducação sobre a importância do brincar e oficina de brinquedos; desenvolvimento sensório-motor: orientações e vivências posturais; Introdução alimentar e desenvolvimento do sistema sensório motor oral: orientação sobre o desenvolvimento das funções orofaciais e vivência da alimentação num piquenique; Desenvolvimento da linguagem e uso da comunicação: orientação sobre a linguagem, fala e comunicação e vivência com histórias e músicas; Rede de cuidados e direitos: orientações e encaminhamentos.
O trabalho foi realizado com a dinâmica grupal com vivências e psicoeducação. Os familiares e crianças participam juntos com a equipe multidisciplinar, sendo composta pelos profissionais de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem, nutrição e assistência social. São incluídos no grupo crianças de 0 a 3 anos, vale ressaltar que os grupos são divididos por faixa etária: de zero a 1 ano, acima de um ano até 2 anos e acima de 2 anos até 2 anos e 11 meses. Inicialmente, o trabalho era conduzido em 10 encontros e atualmente se ajustou com o programa em 8 encontros. A temática de cada grupo era fixa e as orientações à família conduzidas por um profissional simultaneamente às estimulações ou vivências dos demais profissionais com as crianças. Os encontros ocorreram na unidade do CER ou na praça adjunta. A metodologia envolve 1 encontro inicial de apresentação dos participantes e avaliação qualitativa, 1 encontro final para reavaliação dos resultados e continuidade do cuidado. Os demais encontros englobam os seguintes temas: luto da criança esperada e vínculo pais-bebês; importância do brincar; desenvolvimento sensório motor; introdução alimentar e desenvolvimento do sistema sensório motor oral; desenvolvimento da linguagem e uso da comunicação; rede de cuidado/ escolas e direitos da pessoa com deficiência. Utilizou-se materiais gráficos para ilustração na psicoeducação, brinquedos da faixa etária, músicas e recursos terapêuticos.
O grupo atendeu 51 crianças e famílias no período de fevereiro de 2023 a janeiro de 2024. A partir das avaliações qualitativas realizadas nos encontros foi possível observar que as famílias demonstram maior vínculo com suas crianças e melhor compreensão das necessidades atuais e do potencial da estimulação. Algumas famílias entendem seu papel de protagonismo reduzindo assim a expectativa em relação ao serviço de reabilitação e o processo de cura da deficiência. Com o trabalho no grupo também foi possível identificar precocemente alterações específicas como disfagia e fatores de risco para vulnerabilidade social e emocional que puderam ser atendidas rapidamente.
O trabalho com as famílias é essencial para o desenvolvimento infantil e treino de habilidades funcionais. Entretanto, é importante que desde os anos iniciais a família seja acolhida e acompanhada pelos serviços de saúde de modo a compreender o diagnóstico e déficits esperados, mas principalmente estar conectada com seu papel natural de estimular o desenvolvimento da criança.
Articulação de rede; reabilitação; fluxo
Geyse Danielle Nascimento dos Santos Von Grapp, Larissa Suyama da Silva, Vanessa Tome Gonçalves Calado