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Os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) são todos aqueles resultantes de atividades exercidas nos serviços relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal. Esses resíduos apresentam alto risco no manejo, armazenamento e destinação, necessitando, muitas vezes, de tratamento prévio à sua disposição final. O correto gerenciamento dos resíduos de saúde tem por objetivo minimizar a sua geração e proporcionar uma gestão e destinação segura e eficiente, visando a preservação da saúde pública e do meio ambiente, tendo extrema importância para reduzir os potenciais riscos inerentes a sua destinação e disposição final. As boas práticas de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde devem ser embasadas na RDC 222/2018. Esta Resolução se aplica aos geradores de resíduos de serviços de saúde cujas atividades envolvam qualquer etapa do gerenciamento desse tipo de resíduo em instituições públicas e privadas, filantrópicas, civis ou militares, incluindo aquelas que exercem ações de ensino e pesquisa. O gerenciamento dos RSS deve abranger todas as etapas de planejamento dos recursos físicos, materiais e da capacitação dos recursos humanos envolvidos. Segundo a legislação supracitada, todo serviço gerador deve dispor de um Plano de Gerenciamento de RSS (PGRSS), observando as regulamentações federais, estaduais, municipais ou do Distrito Federal.
Descrever a experiência da Gestão de Resíduos da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Ribeirão Preto no ano de 2024.
Mapeamento dos tipos de resíduos gerados na área de abrangência da SMS, totalizando 69 unidades. Elaboração de um checklist para realização de visitas técnicas embasado na RDC 222/2018, com o intuito de verificar in loco a ocorrência de não conformidades, documentá-las e tomar providências para as adequações pertinentes. Realizada revisão do modelo para atualização dos PGRSS das unidades de saúde e reuniões com a equipe de limpeza urbana para integração das ações. Elaboração de Estudo Técnico Preliminar (ETP) para aquisição de adesivos de identificação de resíduo (comum/infectante) para identificação das lixeiras direcionando o descarte adequado; estimativa de quantitativo necessário para pedido de compra de lixeiras; padronização de caixas plásticas higienizáveis, devidamente identificadas, para descarte de resíduos químicos e materiais danificados. Elaboração de capacitações presenciais para profissionais de saúde e alunos de graduação; organização de um curso de gerenciamento de resíduos, em parceria com a Comissão de Controle de Infecção (CCI) e Saúde do Trabalhador, disponível para todos os servidores na Plataforma Moodle. E compilação de dados referentes à geração de resíduos nas unidades de saúde em 2023 para participação no desafio de resíduos do Projeto Hospitais Saudáveis (PHS) para obtenção de certificação.
De Fevereiro a Dezembro/2024, foram realizadas: 1) Visitas técnicas em 35 unidades de saúde (51% do total de 69). 2) Adequações das lixeiras (252 de resíduo comum e 43 de resíduo infectante) e de 472 adesivos de identificação, que direcionam para o descarte adequado. 3) Levantamento das adequações necessárias com registro fotográfico dos abrigos de resíduos, sendo o documento encaminhado para providências do setor de manutenção. 4) Capacitação de 541 profissionais: 203 através de ensino à distância e 338 presencialmente. 5) Envio de modelo para atualização de PGRSS para 69 unidades, das quais 31 tiveram o plano corrigido e 38 estão em fase de atualização. 6) Realizado descarte via logística reversa de: 1200 lâmpadas fluorescentes / incandescentes (resíduo perigoso), 1000 lâmpadas led (resíduo reciclável) e 162,3 Kg de pilhas/baterias. 7) Descartadas 773 carcaças de toners de impressoras, as quais são separadas por distribuidor, propiciando coleta para destinação adequada. 8) Centralização na Gestão de Resíduos, em comum acordo com a Divisão de Informática, dos toners das impressoras da rede em regime de comodato, o que evita o acúmulo deste resíduo nas unidades de saúde. 9) Descarte de 574 Kg de resíduos sólidos recicláveis nos ecopontos (papel, plástico, metal, vidro e madeira). Todo o trabalho supracitado culminou na certificação das unidades da rede municipal no desafio resíduos do Projeto Hospitais Saudáveis.
O Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde é essencial devido ao risco significativo que esses resíduos representam para a saúde pública e ao meio ambiente. Os Resíduos gerados por unidades voltadas para assistência à saúde humana e animal podem conter materiais infecciosos, químicos perigosos, medicamentos vencidos (inclusive os que geram resíduos perigosos) e perfurocortantes. Se não forem gerenciados adequadamente, esses resíduos podem causar a propagação de doenças, contaminação ambiental e exposições acidentais, afetando tanto profissionais de saúde quanto a população em geral. Além dos riscos à saúde, a gestão eficaz dos RSS contribui para a proteção ambiental. A conformidade com a legislação é outro aspecto fundamental da gestão de RSS. Por fim, a gestão responsável de resíduos de serviços de saúde reflete o compromisso ético das instituições com a sustentabilidade e a saúde pública. Ao implementar práticas eficazes de gerenciamento de resíduos, as instituições de saúde demonstram sua responsabilidade social e ambiental, promovendo um ambiente mais seguro e saudável tanto dentro das suas instalações quanto na comunidade em que estão inseridas.
Gestão de Resíduos, Resíduos de Serviços de Saúde
ANDRÉA CRISTINA SOARES VENDRUSCOLO, MARCO ANTONIO MANCILHA