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As mudanças climáticas ocorrem pela combinação de diversos fatores, naturais, como as alterações na radiação solar e movimentos orbitais da Terra, e/ou antrópicos, por consequências das atividades humanas. Estes últimos se intensificaram após o período da Revolução Industrial, com o aumento da emissão de gases que causam o efeito estufa. A alta emissão de gases na atmosfera, principalmente CO2, têm contribuído de forma acentuada com as mudanças significativas no clima do planeta. Nos últimos anos vem sendo observados, com maior frequência, eventos climáticos extremos no Brasil, como o aumento de temperatura por períodos longos (ondas de calor), mudanças no regime de precipitação, trazendo por consequência dias secos consecutivos ou chuvas com duração e intensidade maior, acarretando em deslizamentos, alagamentos e enchentes, o que afeta diretamente a vida da população. Estudos indicam que a umidade do ar é uma variável importante nas relações do clima, poluição e saúde. O tempo seco interfere na concentração de poluentes na atmosfera, dificultando a sua dispersão. Em períodos secos há um aumento de até 10% nas internações por problemas respiratórios quando comparado à períodos mais úmidos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que índices de umidade relativa do ar inferiores a 60% podem ser prejudiciais à saúde, devendo ser adotadas medidas para minimizar esses impactos quando a umidade estiver abaixo de 30%.
Comunicar aos equipamentos de saúde e de educação do Município de São Paulo quando decretado estado de criticidade para umidade relativa do ar, com orientações de medidas mitigatórias aos impactos à saúde da população por esta ocorrência.
O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) é responsável pelo monitoramento das condições meteorológicas da capital paulista desde 1999. Para tal, realiza o acompanhamento dos seguintes parâmetros: precipitação, temperatura, umidade relativa do ar, vento e pressão atmosférica. Ao identificar níveis de umidade do ar de 30%, o CGE comunica a Defesa Civil do Município, a qual, por sua vez, está responsável por decretar o estado de criticidade para umidade relativa do ar. A partir do estabelecimento do estado de atenção, ocorre o contato com a equipe do Programa de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionado a Populações Expostas à Poluição do Ar (VIGIAR) da Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental (DVISAM) da Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Diante desta ocorrência, a equipe VIGIAR remete imediatamente o comunicado de decreto de estado de criticidade às Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) e Diretorias Regionais de Educação (DRE), por meio de e-mail institucional, com orientações em saúde a fim de reduzir os efeitos da baixa umidade na saúde dos usuários e funcionários destes locais. As principais recomendações são: evitar exercícios físicos ao ar livre; realizar as aulas de educação física em quadra coberta ou em outros horários; permanecer em locais arejados e protegidos do sol; umidificar o ambiente; hidratar-se com maior frequência; fazer uso de soro fisiológico nas narinas e solução lubrificante ocular.
Em 18 dias do ano de 2023 foram identificados períodos de umidade relativa do ar abaixo de 30% na capital. Desses, 13 ocorreram em dias úteis e 5 aos finais de semana. Em todos os dias úteis a equipe técnica do VIGIAR da DVISAM encaminhou e-mail para as UVIS e DRE, contendo o comunicado de estado de criticidade para umidade relativa do ar e orientações de cuidados à saúde, para que fossem destinadas a população alvo da estratégia.
As mudanças climáticas tem favorecido a ocorrência de eventos climáticos extremos tais como alterações no regime de precipitação e ondas de calor. O tempo seco dificulta a dispersão de poluentes no ar, favorecendo a ocorrência de doenças e agravos respiratórios. Segundo a OMS, níveis de umidade relativa do ar entre 60% e 80% são recomendados para o bem-estar populacional. O Plano de Baixa Umidade do Ar, estabelecido no município de São Paulo, com o envolvimento do CGE, da Defesa Civil municipal e do Programa VIGIAR (DVISAM/COVISA/SMS), tem se mostrado efetivo na comunicação oportuna da ocorrência de níveis de criticidade da umidade relativa do ar (menor ou igual a 30%) às UVIS e DRE com orientação de medidas de redução dos impactos à saúde da população alvo.
atmosférica, umidade, ar, climáticas, ondas, calor
Alexandre Mendes Batista, Renata Campos Lara, Juliana Yuri Nakayama, Magali Antonia Batista, Cleuber José de Carvalho