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A prematuridade constitui um importante problema de saúde pública, associada a elevadas taxas de morbimortalidade neonatal, impactos emocionais para as famílias, além de demandar altos custos assistenciais e tecnológicos para o sistema de saúde. A causa do parto prematuro não é completamente definida, podendo estar relacionada a fatores clínicos, obstétricos, comportamentais e sociais, como comorbidades maternas, infecções, extremos de idade e condições como diabetes gestacional e síndromes hipertensivas. Nesse cenário, o pré-natal configura-se como uma janela de oportunidade fundamental para a identificação precoce de riscos, a implementação de intervenções oportunas e a promoção de hábitos de vida saudáveis. A assistência prestada deve ser qualificada, humanizada e hierarquizada conforme o risco gestacional, atuando de forma decisiva na prevenção da prematuridade. A maternidade Amador Aguiar dispõe de clínica patológica para internação de gestantes com comorbidades que necessitam de maior vigilância e controle clínico, sendo as principais causas de internação a diabetes gestacional e as síndromes hipertensivas da gestação. Diante dessa realidade, observamos a necessidade de fortalecer a articulação entre a Maternidade e a Casa da Mulher, responsável pelo pré-natal de alto risco, com o objetivo de garantir a continuidade do cuidado, qualificar o acolhimento das gestantes e otimizar a condução clínica dos casos, contribuindo para redução das possibilidades de parto prematuro
•Relatar a experiência de integração entre a maternidade e a Casa da Mulher na implementação de ações voltadas à prevenção da prematuridade, com foco na continuidade do cuidado e qualificação do pré-natal de alto risco. •Garantir um pré-natal adequado, qualificado e ininterrupto para gestantes de alto risco, minimizando os fatores de risco controláveis e, consequentemente, reduzindo a probabilidade de parto prematuro e suas graves consequências para o binômio mãe-bebê.
Trata-se de um relato de experiência, que foi desenvolvida a partir da organização de fluxos assistenciais entre a maternidade e a Casa da Mulher, visando garantir seguimento oportuno às gestantes de risco após a alta hospitalar. Como estratégia central, todas as gestantes internadas que necessitam acompanhamento especializado recebem, ainda na alta, consulta agendada no pré-natal de alto risco (PNAR), com prazo máximo de até 10 dias, evitando descontinuidade do cuidado. Para assegurar a efetivação desse fluxo, foi organizada agenda exclusiva de um médico pré-natalista destinada ao atendimento das gestantes no período pós-alta hospitalar. Outra ação implantada foi a elaboração e implementação de um protocolo para entrega pelas enfermeiras da Casa da Mulher de glicosímetro e insumos às gestantes com diagnóstico de diabetes gestacional no momento da alta para o controle glicêmico. Nesse atendimento, também são entregues folder com orientações sobre cuidados na gestação com diabetes gestacional e folha de registro diário da glicemia, fortalecendo o autocuidado e a adesão ao tratamento. A Casa da Mulher já realiza o monitoramento sistemático de todas as gestantes encaminhadas ao pré-natal de alto risco por meio de planilha de controle, permitindo o acompanhamento de agendamentos, comparecimento e evolução do cuidado. As gestantes faltosas são identificadas precocemente e submetidas à busca ativa, reduzindo perdas de seguimento e possibilitando intervenções oportunas.
A integração entre a maternidade e a Casa da Mulher favoreceu a continuidade do cuidado, ampliou a adesão ao pré-natal de alto risco e qualificou o acompanhamento das gestantes com comorbidades, especialmente aquelas com diagnóstico de diabetes gestacional. A organização do fluxo assistencial possibilitou o acesso direto ao PNAR no momento da alta hospitalar, sem a necessidade de encaminhamento prévio pela Unidade Básica de Saúde, evitando atrasos no início do acompanhamento especializado. Desde a implantação da ação, entre maio e dezembro de 2025, foram entregues 57 glicosímetros às gestantes com diabetes gestacional, garantindo condições adequadas para o monitoramento glicêmico domiciliar e maior adesão ao tratamento. A vinculação precoce das gestantes à Casa da Mulher, realizada no momento da alta hospitalar, contribuiu para um acolhimento qualificado e para o fortalecimento do vínculo com o serviço responsável pela continuidade do pré-natal. A partir de outubro de 2025, foi implantado o agendamento das consultas de PNAR no ato da alta hospitalar, permitindo que, até dezembro 71 gestantes deixassem a unidade com consulta previamente agendada. A equipe administrativa da maternidade é responsável por esse agendamento, relacionando-os em uma planilha de controle. As ações implantadas representam um avanço na organização da rede de atenção e na qualificação do cuidado, com potencial impacto positivo na prevenção da prematuridade, a ser avaliado em análises futuras.
A experiência apresentada demonstra que a integração entre a maternidade e a Casa da Mulher configura-se como uma estratégia estruturante para a qualificação da linha de cuidado materna e para o enfrentamento da prematuridade. A organização de fluxos assistenciais bem definidos, com garantia de acesso oportuno ao pré-natal de alto risco no período pós-alta hospitalar, associada ao monitoramento contínuo das gestantes e às ações de educação em saúde, contribui para a identificação precoce e o manejo adequado dos fatores de risco associados ao parto prematuro. Essa articulação fortalece a continuidade do cuidado, reduz falhas assistenciais, evita atrasos no seguimento especializado e promove maior vínculo das gestantes com os serviços de saúde. Ao priorizar um cuidado integral, humanizado e centrado nas necessidades das gestantes de risco, a estratégia reafirma os princípios da integralidade, equidade e resolutividade que norteiam o SUS, além de apresentar potencial para impacto positivo nos desfechos maternos e neonatais. A experiência reforça, portanto, a relevância de iniciativas integradas e replicáveis como caminho para o fortalecimento das políticas públicas de saúde da mulher e para a redução da prematuridade nos territórios.
Nascimento Prematuro; Gravidez de Alto Risco
NILVÂNIA CARZOLA IECKS DOS ANJOS, MAYLA PEREIRA DONON