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No biênio 2024–2025, o Município de Jaboticabal (SP) enfrentou uma das mais graves crises sanitárias de sua história recente, marcada por epidemia de dengue de alta magnitude, coeficientes de incidência persistentemente elevados e classificação entre os piores indicadores do Estado de São Paulo. O município passou a integrar o grupo dos 80 municípios prioritários do país, definido pelo Ministério da Saúde para ações emergenciais de controle, diante de taxas de transmissão superiores a 50 casos por 100 mil habitantes e 19 óbitos confirmados. A análise do cenário local evidenciou que o risco da dengue não se restringiu à circulação viral, mas foi territorialmente produzido pela interação entre fatores ambientais, sociais, econômicos e sanitários. Destaca-se a associação entre reciclagem informal, acúmulo de materiais em domicílios e quintais, ocupação precária do espaço urbano e manutenção de criadouros do Aedes aegypti. Esses ambientes concentram recipientes passíveis de acúmulo de água e impõem barreiras à atuação das equipes de vigilância, favorecendo a persistência da transmissão. A magnitude da epidemia evidenciou os limites das estratégias tradicionais quando aplicadas de forma isolada e desarticulada da realidade territorial.
Fortalecer a vigilância e o controle da dengue no Município de Jaboticabal (SP) por meio da implementação de uma força-tarefa integrada, baseada em abordagem territorial, intersetorialidade, participação comunitária e evidências científicas. A iniciativa articulou a Secretaria Municipal de Saúde, FCAV/UNESP, organizações sociais e lideranças locais para qualificar as ações de controle vetorial. Foram realizadas intervenções territorializadas, com monitoramento contínuo de criadouros e atenção aos determinantes ambientais e sociais da transmissão. Paralelamente, desenvolveram-se atividades de educação em saúde e mobilização comunitária para reduzir práticas de risco e fortalecer a corresponsabilização no enfrentamento do vetor. Os dados epidemiológicos e entomológicos subsidiaram ajustes permanentes das estratégias e avaliação do impacto na redução de casos e óbitos por arboviroses.
A epidemia de arboviroses se intensificou no verão de 2024, momento em que o município registrou aumento expressivo de casos e óbitos. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde estruturou, ainda no primeiro semestre de 2024, uma Força-Tarefa Integrada para atuação imediata nos territórios mais afetados. A organização das ações partiu da análise de dados epidemiológicos e entomológicos, que permitiram identificar bairros com maior incidência e vulnerabilidade socioambiental. A partir desse diagnóstico, definiu-se uma estratégia de atuação territorial intensiva, combinando vigilância ativa, mobilização comunitária e educação em saúde. As ações incluíram mutirões para eliminação de criadouros, visitas domiciliares com abordagem educativa ampliada, oficinas e rodas de conversa em espaços comunitários e capacitação de lideranças locais como multiplicadores da prevenção. Também foram produzidos materiais educativos adaptados à realidade do território. Participaram agentes de combate às endemias, equipes da Vigilância em Zoonoses, profissionais da saúde, docentes e estudantes da UNESP Jaboticabal, representantes de organizações sociais e moradores locais. Ao longo de 2025, as ações foram ampliadas, sistematizadas e mantidas com monitoramento contínuo dos indicadores entomológicos, consolidando-se como estratégia permanente de enfrentamento das arboviroses no município.
A implementação da Força-Tarefa Integrada, iniciada em 2024, possibilitou resposta mais coordenada e territorializada ao cenário epidêmico. Já em 2025, as ações foram ampliadas e ganharam maior capilaridade no município. Observou-se aumento da adesão da população às atividades de eliminação de criadouros e ampliação do conhecimento sobre formas de prevenção, identificado durante as ações educativas e abordagens comunitárias. Nas áreas priorizadas, registrou-se melhora progressiva nos indicadores entomológicos, com redução proporcional de recipientes positivos nas inspeções subsequentes. Em 2025, a estratégia avançou para diferentes espaços do território, com atividades educativas realizadas em escolas, feiras itinerantes, empresas e iniciativas privadas, ampliando o alcance da vigilância para além do domicílio. Foram intensificados mutirões e arrastões de limpeza, promovendo mobilização comunitária e retirada de materiais inservíveis. A atuação integrada com lideranças locais fortaleceu a corresponsabilidade social, enquanto a parceria com a universidade qualificou tecnicamente as intervenções. A continuidade das ações consolidou a estratégia como política estruturante do SUS municipal no enfrentamento das arboviroses.
A experiência evidenciou que o enfrentamento das arboviroses, especialmente no contexto epidêmico de 2024, exige mais do que ações técnicas isoladas. Requer compromisso contínuo, articulação intersetorial e engajamento ativo da sociedade civil. O envolvimento de organizações sociais, lideranças comunitárias e moradores foi fundamental para ampliar a efetividade das ações e garantir sua sustentabilidade. Quando a população assume papel protagonista, as estratégias deixam de ser apenas institucionais e passam a ser construídas coletivamente, fortalecendo a corresponsabilidade no âmbito do SUS. Nesse cenário, o setor de Vigilância de Vetores e Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Jaboticabal/SP estruturou e implementou a ação integrada “Ações que Salvam – Combate à Dengue, Zika e Chikungunya”, em parceria com a FCAV/Unesp, organizações sociais e lideranças locais. A iniciativa fortaleceu o controle vetorial por meio de abordagem territorial, participativa e baseada em evidências. A Força-Tarefa reafirma que a participação social é elemento essencial para respostas mais democráticas, territorializadas e duradouras.
Vigilância, Arboviroses e Intersetorialidade
JUAN CARLOS GERMAN, MARIELA FONSECA TOSCANO, LUANA BONON, RENAN HENRIQUE FERNANDES, JULIANA KETLEN BARROS LOMAR, WÂYNI BARBOZA TEIXEIRA, JOSÉ CARLOS DOS SANTOS, LIGIA MENEZES DE FREITAS, DIEGO CÁSSIO RAFAEL BRAULINO NOGUEIRA, GIOVANA ALMEIDA REIS, KARINA PAES BÜRGER