Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A dor é uma experiência sensitiva e emocional de origem multifatorial.(1) Acarreta elevados gastos públicos em seu tratamento e é considerada crônica (DC) quando perdura por mais de três meses.(2,3) Prejudica o desempenho, a atividade e a participação dos indivíduos, e é também responsável por incapacidades e altos níveis de deficiência, com grande impacto na qualidade de vida dos sujeitos.(4) Frente a isso, a atenção básica à saúde (AB), sendo a norteadora do cuidado, tem papel importante no manejo da DC, visto que a maioria dos pacientes já passou por serviços da rede especializada e busca na AB o cuidado para sua condição. A educação em dor tem sido recomendada como prática de tratamento complementar eficaz, pois utiliza estratégias educacionais do modelo biopsicossocial somadas à intervenção multiprofissional específica no manejo da DC.(5) Este modelo promove o entendimento sobre os mecanismos da dor, o uso de estratégias de enfrentamento não farmacológicas, o autocuidado ativo e a redução da medicalização excessiva. Apresenta baixo custo e fácil operacionalização, pode ser realizada em grupo ou individualmente. Além disso, grupos e grupalidades são estratégias potentes para a aproximação dos profissionais de saúde aos territórios e na troca mútua de saberes e experiências dos participantes. Grupos terapêuticos com foco em educação, devem considerar as interseccionalidades em saúde, para assim exercer o cuidado integral e humanizado do indivíduo e da comunidade.
Objetivo geral: Compartilhar a experiência da Educação em Dor em uma Unidade de Saúde da Família (USF) com atividades entre a equipe de saúde da família (eSF), eMulti e munícipes. Objetivos específicos: Relatar a experiência no território desta USF, trazendo a discussão para a importância desta ferramenta para o empoderamento dos usuários no autogerenciamento da dor; aproximar estes usuários da USF e promover a geração de vínculos; promover o fortalecimento desta unidade como espaço de cuidado integral e humanizado.
Trata-se do relato de um grupo de Educação em Dor realizado com munícipes da Unidade de Saúde de Família Morro da Vila Progresso (USF-VP), Santos-SP. O grupo “AcolheDor” surgiu a partir de discussões entre as equipes eMulti Morros-1 e a USF-VP sobre a prevalência da dor crônica neste território e dificuldades no manejo. A experiência teve início em junho de 2025, e contou com munícipes com histórico de dor crônica sem critérios de idade ou gênero. Utilizou-se da ferramenta “Caminho da Recuperação”(6), onde durante cinco encontros foram abordados temas como aceitação, dor como alarme, sono, relaxamento, pensamentos negativos, retorno às atividades prazerosas, relacionamentos e prática de exercícios físicos. Em cada encontro um tema foi discutido com os participantes de forma científica, porém acessível. Durante o grupo técnicas terapêuticas foram aplicadas nos usuários, como por exemplo auriculoterapia, dinâmicas sobre medicamentos e nutrição, estratégias de relaxamento muscular, oficina de chás, entre outros. As técnicas serviam como ferramentas para manejo da dor e tinham relação com o tema proposto na discussão do encontro.
Participaram 24 pessoas, com idade média de 63 anos, todos com dor crônica. Tanto os participantes como os servidores puderem esclarecer dúvidas, discutir mitos e verdades sobre dor, catastrofização, cronicidade e melhores escolhas terapêuticas. Isso gerou uma oportunidade horizontal e integral de cuidado muito potente neste território. Os participantes puderam identificar situações que eram agravantes na sua própria dor. Como contraponto, foram estimulados a terem melhores hábitos de vida e desenvolveram maior autoconhecimento e empoderamento sobre seus cuidados. No último encontro foi realizada uma dinâmica de despedida para debater o direito ao lazer e o direito à cidade. Alguns ressaltaram a dificuldade em acessá-los. De fato, a Vila Progresso é um território de alta vulnerabilidade, com poucos equipamentos de lazer e cultura. Posto que a dor é multifatorial, é nítido o quanto os determinantes sociais também podem agravar a subjetividade da dor. Recebemos relatos de melhora da dor e satisfação com o grupo, o qual mudou a forma deles encararem a dor. Trouxemos que as ferramentas de controle da dor podem ser “passivas” (fármacos, auriculoterapia) ou “ativas” (exercício físico, mudança de estilo de vida), e que eles podem escolher em conjunto com os profissionais de saúde, qual a melhor estratégia para si. Incentivamos o protagonismo no autocuidado, e que tratamentos “ativos” tendem a promover uma mudança mais positiva sobre os circuitos da dor, e na redução da dor.
Foi possível observar que as atividades em grupo nesta USF vinham acontecendo de forma esparsa e tímida. Com o início do “AcolheDor, notou-se uma postura mais ativa da equipe e interesse pelos usuários para que atividades grupais continuassem acontecendo na USF. Esta é a primeira vez que a atividade é proposta nesta unidade, e a partir dos relatos ouvidos, planejamos manter este grupo de forma cíclica, ou quando a unidade trouxer alguma demanda especial. Para manter o vínculo construído, também estabelecemos um grupo de atividade física a ser realizado no mesmo dia do grupo “AcolheDor”, e assim manter essas pessoas em contato com a equipe de saúde e a USF-VP. O grupo “AcolheDor”, para além do cuidado terapêutico humanizado, mostrou-se uma ferramenta muito potente de geração de vínculos comunitários e integração entre as equipes eMulti e USF-VP.
Dor crônica, Educação em saúde, Atenção Básica
GLAUCIA TOBALDINI, MAURILIO DE FRANÇA, RITA DE CÁSSIA DE ALMEIDA VILA NOVA, JULIA DOS ANJOS URGELES, JULIA SANTOS SOARES, NATHÁLIA M. FRANCISCO, VITORIA A. ARCANJO, MARIANA L. PINTO, ANNA BEATRIZ L. FEITOSA, FERNANDA R. MORAIS, GIULIA M. FRATUS, LARISSA B. T. BARBOSA, CHRISTIANE A. ABDALA, LETICIA B. DORIGAN, VERONICA S. DA CRUZ, VINICIUS G. PESTANA