Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O acolhimento, como triagem de casos e classificação de risco, pode dificultar a criação de vínculo entre o serviço e o atendido, além de comprometer a adesão ao projeto terapêutico e a corresponsabilização. A Seção Técnica de Acolhimento de Saúde do Trabalhador da Saúde (STASTS) oferece um acolhimento que vai além de uma simples ação, espaço ou local. É uma postura ética e profissional, em um ambiente confortável, que propõe encaminhamentos e intervenções de forma integrada, evitando que se torne apenas mais uma ficha de evolução ou mais um prontuário. Quando realizado com qualidade e acompanhado de ações subsequentes, o acolhimento gera resultados duradouros. A escuta qualificada é essencial nesse processo: a partir do primeiro contato, demandas importantes são captadas, permitindo intervenções assertivas que contribuem para o tratamento do servidor. Essa escuta vai além da triagem de risco, pois envolve uma sensibilidade que permite escutar livremente, sem julgamentos. O profissional utiliza seu conhecimento técnico-científico para identificar fatores sociais, físicos, biológicos, mentais e ambientais que contribuíram para o adoecimento do servidor, garantindo um atendimento mais eficaz e humanizado, trazendo maior compreensão de todo esse contexto
Descrever a experiência praticada pelos profissionais da STASTS, tendo em sua base o acolhimento realizado através da escuta qualificada ofertada ao servidor da Saúde, sobretudo quando identificada a existência de desgaste emocional, sofrimento mental ou físico, ocasionados pelo desempenho de suas funções e/ou situações pessoais que provoquem mudanças em seu comportamento ou tragam conflitos nas relações interpessoais.
O acesso à seção é possível tanto por agendamento, feito via e-mail, telefone ou presencialmente, quanto por atendimento espontâneo. A equipe de acolhimento da STASTS utiliza a Escuta Qualificada para compreender as falas e situações trazidas pelos servidores, que podem envolver conflitos laborais ou pessoais. A partir disso, identifica-se e classifica-se o risco e a vulnerabilidade, propondo encaminhamentos aos serviços adequados. Durante a escuta ativa, o profissional do acolhimento foca no sigilo ético, proporcionando um ambiente seguro para que o servidor se sinta à vontade em expor seus conflitos. A anamnese inclui perguntas estruturadas para guiar o profissional na compreensão do caso, abordando a queixa e o estado emocional do servidor (como choro, apatia, linguagem corporal, etc.). Essa escuta ampliada permite identificar a real situação de conflito e seu grau de risco, possibilitando encaminhamentos para serviços como psiquiatria, psicologia, acupuntura, clínica geral e nutrição, seja presencialmente ou via telessaúde. Encaminhamentos para a rede socioassistencial, como os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS também são realizados, conforme necessário. Ao final, dúvidas são esclarecidas, e o servidor pode solicitar declaração de horário ou deixar feedback através de link enviado após o atendimento
O resultado do acolhimento é mensurado através da contextualização e da tabulação de dados. A contextualização ocorre por meio de contato com a rede socioassistencial, monitoramento a depender do caso, contato e/ou resgate do vínculo familiar, visita domiciliar, hospitalar ou na unidade de trabalho, discussão do caso em equipe multidisciplinar, atuação conjunta com outros setores como Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT e Secretaria de Gestão – SGE, ambos da Prefeitura Municipal de Guarulhos. A mudança no quadro de adoecimento que trouxe o servidor ao acolhimento é gradativa e pode ser observada, por exemplo, por meio da retomada da assiduidade do servidor em sua unidade de trabalho, bem como na adesão ao tratamento proposto. Vale ressaltar que todas as intervenções extras setoriais são tomadas com a autorização do servidor, a exemplo do contato com a sua chefia, resguardando o sigilo ético profissional.
Em suma, o trabalho realizado pela equipe de acolhimento da STASTS vem ao encontro da necessidade do servidor, a fim de que este inicie seu autocuidado, bem como provoque a reestruturação em seu processo de trabalho, a partir de sua demanda de saúde. Nesse viés, o acolhimento se torna o pontapé inicial para uma atuação conjunta com sua rede sociofamiliar, em parceira com as demais áreas propostas em seu processo de tratamento, contribuindo para a uma corresponsabilização assertiva no cuidado de si. Entendido como uma atitude que recebe, integra e inclui, o acolhimento é um facilitador da resolutividade de necessidades trazidas pelo servidor, a partir do momento em que ele é recebido de maneira receptiva, sendo valorizado e respeitado enquanto pessoa e sujeito de direitos, ainda que em meio às suas dores que, quando são divididas, inicia-se um processo de cura. E está disponível para quem precisar; venha, “nosso abrigo é gratuito”.
Acolhimento, saúde do trabalhador, humanização
ANA KELY BRAGA DE OLIVEIRA, ADILSON BORBA, MARIA APARECIDA DOS SANTOS NERI